RESENHA | Filme: Homem-Aranha Sem Volta Para Casa, com spoilers

Ficha Técnica
Título: Homem-Aranha Sem Volta Para Casa
Ano de Produção: 2021
Dirigido Por: Jon Watts
Estreia: 16 de dezembro de 2021
Duração: 2h 30 min
Classificação: 12 anos
Gênero: Ação, comédia, aventura, ficção científica, super-herói
País de Origem: EUA
Sinopse: Com a identidade do Homem-Aranha revelada, Peter pede ajuda ao Doutor Estranho. Quando um feitiço corre mal, inimigos perigosos de outros mundos começam a aparecer, forçando Peter a descobrir o que realmente significa ser o Homem-Aranha.

Sim! Os TRÊS Homens-Aranha do cinema da Sony estão no filme!! Essa é sem dúvidas a pergunta que gerou mais repercussão no mundo geek em 2021 e agora temos a resposta definitiva para a mesma! Tobey Maguire e Andrew Garfield estão mo filme!!! Reprisando seus papeis anteriores como Peter Parker / Homem-Aranha. Também estão no filme 5 dos vilões anteriores, reprisando seus papeis, incluindo Rhys Ifans, como o Dr. Curt Connors, o Lagarto; e Thomas Haden Church, como Homem-Areia; além de Alfred Molina como o Dr. Otto Octavius, Jamie Foxx como Electro e Willem Dafoe como Duende Verde.

A trama do longa se inicia imediatamente onde o segundo filme, Homem-Aranha Longe de Casa, termina, com a identidade de Peter revelada no noticiário por ninguém menos que J. Jonah Jameson, tendo que lidar com a sua identidade secreta revelada pelo vilão Mysterio, no final do filme anterior. Essa repercussão não afeta somente Peter, mas todos os que convivem com ele, e o herói passa a ser admirado por alguns e odiado ainda mais por outros, provocando até mesmo sua rejeição e de seus amigos em suas pretendidas faculdades. Peter e seus entes queridos acabam tendo que prestar depoimentos por seus atos ao longo dos anos e seu envolvimento na morte de Quentin Beck, A.K.A., Mysterio, necessitando assim de um ótimo advogado. E não há melhor advogado no universo Marvel do que Matt Murdock, confirmando oficialmente assim, o retorno de Charlie Cox ao papel do herói Demolidor.

Peter então, na tentativa de apagar sua identidade secreta da mente de todos e voltar a ter uma vida “normal”, procura Dr. Estranho, para que realize tamanha façanha. Não é necessário dizer que tamanha artimanha dá errado, trazendo assim inimigos e aliados de outros universos. A maioria dos atores dos núcleos principais dão uma aula de atuação, com destaque para Dafoe e Molina, que demonstram de umas vez por todas que foram escolhas certeiras para seus respectivos personagens, ambos com duplas personalidades oscilantes entre o bem e o mal.

Já Tom Holland despeja sua melhor de todas interpretações como Parker, vivendo o momento de maior drama do personagem daquele universo. Para lidar com as ameaças que adentraram seu universo, Peter precisa capturá-las uma a uma, o problema é o que ele precisa fazer após isso. Os vilões ali presentes, morreram batalhando contra o Homem-Aranha e foram enviados ali justamente pouco antes de suas mortes. Devolvê-los a seus universos originais seria assinar uma sentença de morte. Todos os vilões ficam então Sem Volta Para Casa.

Com os olhos abertos por sua tia, May, após um encontro entre ela e um Norman Osborn abalado e perdido naquele novo mundo, Peter então passa a hesitar. Advertido por Estranho a não tentar mudar isso, por ser o destino deles, Peter acaba combatendo o mago, prendendo em outra dimensão, enquanto ganha tempo para bolar uma “cura” para a vilania dos inimigos. Em um momento de compaixão e ingenuidade, Peter acabando tendo – perdão pelo trocadilho não intencional – sua vida virada de ponta-cabeça, com os vilões se voltando contra ele e, já dominado pelo Duende novamente, Norman Osborn acaba ceifando a vida da querida tia do rapaz. Na falta de um tio Ben no universo do personagem – talvez por questões contratuais entre Sony X Marvel -, May é quem evoca a célebre frase “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”, morrendo nos braços do rapaz, que acaba por ficar sem saber para aonde fugir.

Ned e MJ tentam então a todo custo descobrir o paradeiro de Peter, e Ned então, munido do Sling Ring de Stephen, “pegado emprestado” temporariamente por Peter, amadoramente consegue abrir um portal para ver seu amigo Homem-Aranha. Não contavam eles que o rapaz que atravessara o portal seria nada menos que o Aranha de Andrew Garfield, com uma atuação extremamente superior à de seu filme original, transpondo para a tela um herói bastante comovente. Na esperança de conseguir em uma segunda tentativa, o próximo a sair de um portal é o Peter de Tobey Maguire. Um pouco engessado pelo tempo afastado das telas, Tobey ainda assim convence como Peter, e diferente de Garfield, entrega um personagem mais maduro, experiente. Após compreenderem a situação, todos partem em busca do Peter do MCU. Ambos os Aranhas anteriores consolam o garoto, com suas respectivas perdas e Tobey acaba reforçando o lema deixado por seu tio Ben ao garoto, partindo assim os 3 então, em busca de uma cura para os vilões.

Os minutos seguintes do longa são fanservice puro, com muitas referências, piadas, memes, piadas internas e boatos dos outros filmes, se tornando realidade na frente de nossos olhos, em momentos de descontração e “autoconhecimento” entre os 3 Peters. Partindo para o embate final, os 3 trabalhando em equipe acabam retornando todos os vilões para suas formas sem poderes, com exceção de Doc Ock, já curado pouco antes da revolta dos inimigos contra Peter, ajudando inclusive no combate final; e Norman.

O Peter de Tom tem um confronto final mano-a-mano com Norman, não antes de este último impedir que o Peter de Tom salvasse MJ, que caía de uma altura em direção ao solo, sendo resgatada pelo Aranha de Garfield, registrando assim na história, um dos maiores momentos de redenção do cinema. Em um momento de dominância sobre o vilão, Tom é tentado a matá-lo, cedendo então à vingança, porém, acaba sendo impedido por Tobey, e Tom então acaba curando de vez o vilão, com um golpe definitivo. Após a volta de Dr. Estranho à sua dimensão, furioso com Peter, com a iminência de mais ameaças invadirem aquela dimensão, o jovem pede ao mago que apague das mentes de todos a sua existência, como Peter Parker. Relutante, e após avisar o rapaz das consequências daquele feitiço, o mago acaba aceitando a ideia, executando a magia assim. Todos os “visitantes” são enviados assim a suas dimensões originais e Peter se despede de MJ. O longa então termina praticamente como uma espécie de softreboot, com Peter vivendo em um apartamento simples de aluguel, sozinho, sem ninguém conhecê-lo e com um traje comum, sem qualquer dependência de tecnologia Stark, de uma forma mais que perfeita para o início de uma nova trilogia, já confirmada com o mesmo ator atual.

É inegável que a Sony optou por jogar no seguro, e entregou um dos melhores fanservices já vistos em qualquer mídia da cultura pop! É curioso também apontar que muito do que se vê no longa foi aprontado por ninguém menos que o próprio destino: como o recast dos atores principais, o acordo entre Sony e Marvel, as piadas/memes com toda a situação… Chega a ser mágico a forma em que tudo foi executado e transposto para a telona, e o filme é capaz de deixar com os olhos marejados até o maior dos gigantes esmeraldas. É uma experiência cinematográfica que ficará na memória de todos e merece ser conferida na melhor sala de cinema possível!!