Nossa! Que experiência é esse filme, como poucos antes. Não é atoa que Halloween de 78 influenciou vários outros slashers famosíssimos que vieram em seguida, Jason, Freddy e inúmeros outros, todos têm um pesinho do que esse filme iniciou. É o filme que estipulou as regras do subgênero.

Nome Original: Halloween
Direção: John Carpenter
Roteirista: John Carpenter, Debra Hill
Cinematografia: Dean Cudey
Edição: Charles Bornstein. Tommy Lee Wallace

  • Sinopse:Um maníaco retorna à sua cidade natal para continuar o terror que ele começou há quinze anos.

A história nesse filme não é a coisa mais complexa do mundo e também não é a mais importante, então não chega a ser um problema, pois é bem funcional, não deixa a desejar, faz um trabalho muito bom em nos apresentar os personagens e em fazer com que nós nos preocupemos muito com, pelo menos, um deles. Alguns personagens estão somente colocados lá, que vêm de lugar nenhum, porém tudo converge para com o mesmo personagem então não é um problema, porque mesmo que nós não conhecêssemos ou nos preocupássemos com alguns desses personagens, a protagonista conhecia e isso a afetou de qualquer jeito, pode-se argumentar que Michael fez o que fez sem ter nenhuma motivação clara, mas é simplesmente por ele ser um completo psicopata, você não sabe se ele faz por diversão, ou se ele acredita que tem algo maior que precisa alcançar, isso tudo faz parte do mistério do personagem e é bem feito. A relação com a personagem Laurie Strode também é feita de uma maneira bem calma, você não necessariamente sabe o motivo das coisas, mas também não chega a ser forçado, consegue ser natural de uma maneria estranha.

A criação do personagem Michael Myers é um ponto que merece ter uma luz, de início eles deram a ele uma história de fundo que funcionou extremamente bem e então fizeram um salto no tempo de 15 anos, durante a história eles tinham o seu médico, que cuidou do personagem durante o período, e ele costumava falar sobre Michael, como ele é, como ele o enxergava, e isso lhe deu substância. Sobre o seu visual, ao mesmo tempo que o fizeram simples, também conseguiram fazer badass, a máscara é assustadora e bizarra, pálida e sem alma, é perfeita, a maneira como ele se movimenta, se sentindo confiante e imponente, é um personagem muito bem construído. Outro aspecto interessante a se notar é a maneira como ele se aproxima, aborda as pessoas, ele sempre é muito sorrateiro e um stalker, isso o faz muito mais assustador. A parte stalker de Michael é algo que você consegue até levar para a sua vida, de verdade, após assistir o filme pela primeira vez eu realmente andava pela rua olhando em 360 graus ao meu redor, pois o fator stalker é algo tão crível e real que é normal ter medo. O aparecer e o desaparecer espontâneo dele é algo desesperador, você simplesmente nunca sabe onde ele está, onde vai aparecer ou o que vai fazer, é assustador. Há algumas sequências de horror e terror que são de tirar o fôlego, simplesmente aterrorizante e imprevisível, você sabe sim que Michael irá pegar certo personagem em algum momento, porém ele tem tantas oportunidades que você não tem como ter certeza em que momento ele aparecerá, você fica assistindo e: “Ele vai aparecer agora, não, agora!” E assim você vai ficando tenso e mais tenso porque não há como ter certeza de nada. Eles criam uma atmosfera que é tanto assustadora, bizarra e crível, definitivamente é algo impressionante. Eu gostei de como o filme não nos força em jumpscares e sim cria situações de terror.

A atuação é muito boa dentro do possível, mesmo que alguns personagens não têm muito o que fazer, foram bons. Jamie Lee Curtis foi ótima aqui, ela primeiro conseguiu passar aquela relaxada e calma garota escolar e pouco a pouco começar a acreditar em loucura e que estava vendo coisas, e finalmente para o desespero junto com a audiência, sinceramente a personagem dela ficou tão apavorada quanto eu. Donald Pleasence foi bem, ele conseguiu passar preocupação com sua voz, eu comprei completamente que ele acreditava no que dizia. Nancy Kyes foi muito bem também, ela teve alguns momentos e me capturou com esse aspecto de não se preocupar com nada, que normalmente se sente livre.

Eu não posso dizer que não encontrei nada que soou errado, como a garota sendo stalkeada da maneira como fizeram e não fazer absolutamente nada a respeito foi um ponto negativo, porém aqui os pontos positivos destroem os negativos.

A fotografia do filme é excelente, principalmente considerando que o orçamento do filme foi muito baixo foi feito um trabalho excepcional aqui, eles fizeram o melhor possível com o que tinham. Há momentos em que a fotografia diz, conta coisas, isso é história além de roteiro, história além de falas. Em alguns momentos eles utilizam uma câmera em 1ª pessoa, o que para um filme de slasher funciona muito bem, em outros há posicionamentos de câmera incríveis que geram cenas que ficaram marcadas na história do cinema para sempre.

A trilha sonora também é ótima, os sons de maneira geral são, o design de som é feito com muita atenção em detalhes e a música também, incrementam a atmosfera de maneira bem natural. O tema principal de Michael Myers é tão boa, tão marcante, não é somente legal de ouvir, porém toda vez que ela se iniciava eu já me arrepiava, pois sabia que algo estava para acontecer, mas nem sempre acontecia, o que é ótimo, pois mesmo quando o tema vinha à tona eu não podia ter certeza se algo aconteceria ou não.

John Carpenter fez uma das melhores obras de sua carreira, a direção dele é precisa e vai perfeitamente no ponto em que mira, além disso compôs a trilha sonora do filme que é impecável. Alguns anos depois ele viria a fazer “The Thing“, que também é outra obra-prima do terror.  Músico, diretor, John Carpenter realmente é um artista de primeira, grandes experiências ele nos proporcionou.

O filme é espetacular, lhe deixará tenso e assustado, não é previsível, os personagens são bons, e Myers é marcante demais em sua história, nas suas maneiras de fazer o que quer. É com certeza um dos melhores slashers já criados em qualquer filme.

~ Vinícius Abreu.


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