Antes de falar sobre o filme em si, preciso responder algo que com certeza está passando em sua cabeça: É possível assistir El Camino – A Breaking Bad Film sem conhecer nada sobre Breaking Bad? Sim, porém haverão diversas vezes onde o filme não será justo com você.

Nome Original: El Camino – A Breaking Bad Film
Direção: Vince Gilligan
Roteiro: Vince Gilligan
Elenco: Aaron Paul
Distribuição: Netflix

  • Sinopse: Após fugir do cativeiro, onde foi mantido quando sequestrado, dramaticamente, Jesse Pinkman (Aaron Paul) inicia uma jornada em busca da própria liberdade, mas antes precisa se reconciliar com o passado para, só então, ter seu futuro garantido

//www.youtube.com/watch?v=1JLUn2DFW4w

Um final para Jesse Pinkman

Acredito que não é possível falar sobre El Camino sem alguma introdução a Breaking Bad. Detentora de uma vasta lista de prêmios e aclamada pelo público e crítica, a obra de Vince Gilligan sempre se mostrou consistente em seus atos, desde o seu início até o seu encerramento, após 62 episódios. Porém, sempre houveram diversas queixas dos fãs desde o seu encerramento em 2013, por conta do final deixado em aberto para o seu segundo protagonista: Jesse Pinkman.

Para fechar o arco em aberto, a Netflix em parceria com Vince Gilligan lançou em seu catálogo El Camino, uma sequência direta do final de Breaking Bad vista pelo ponto de vista de Jesse Pinkman (Aaron Paul). Em uma decisão acertada, não há menções aos cartéis de drogas, tão discutidos em Breaking Bad. O destaque fica apenas com Jesse e o encerramento de seu arco.

O filme se destaca em sua parte técnica, porém peca no roteiro.

O filme usa flashbacks para explicar um pouco mais do que aconteceu com Jesse nos eventos finais da quinta temporada. Em todo o momento, o filme faz questão de mostrar as cicatrizes de Jesse, para reforçar o seu desgaste físico e emocional, e todos o traumas que adquiriu. No decorrer do longa, aparecem diversas transições de cenas com rimas narrativas entre o momento atual do personagem e um paralelo ao que ocorreu com ele no passado. Vince Gilligan sabe que o espectador muito provavelmente assistiu a série a muitos anos atrás, então brinca ao inserir flashbacks bem curtos, de situações onde já automaticamente tentamos lembrar da série para justificar o que está em cena. Quando a dinâmica já está formada em nossa cabeça, ele a quebra para aos poucos, utilizar para atiçar o espectador para algo que ainda acontecerá no longa.

El Camino tem um ritmo mais lento, tal qual as duas primeiras temporadas da série.  Há inspirações claras em westerns – filmes do velho oeste, aonde a dinâmica de quem atira primeiro ficou famosa – no decorrer do filme. O seu ponto fraco, porém, se encontra em suas reviravoltas. O filme faz uso de diversos acasos pertinentes a trama e em determinados momentos do filme, há uso de diabolus ex-machina – situações mirabolantes de roteiro que estão lá apenas para atrapalhar o protagonista –. Jesse necessita de algo para sair daquela situação e no momento em que consegue, algo o impede. Mais a frente, falta pouco para conseguir o que precisa, mas novamente algo o impede, e é assim que o roteiro do filme segue durante as suas duas horas de duração.

O filme ganha seu destaque na direção. Diversas transições de cenas, cortes e movimentos de câmera são realizados com maestria, em uma evolução clara do que já vimos anteriormente em Breaking Bad. Seja o zoom no cano de uma arma, a observação do protagonista em um retrovisor de carro, ou uma timelapse vista de cima, explorando cada movimento do personagem dentro de um ambiente.

Vale ser mencionado um acerto do filme que é a sua coragem em aceitar que o tempo passou e os atores mudaram fisicamente. Destaque para o ator Jesse Plemons, que em um primeiro momento pode te deixar confuso, até você aceitar de fato a mudança.

Conclusão

O filme está em catálogo da Netflix e consegue emocionar os fãs mais avidos de Breaking Bad, ao mesmo tempo em que consegue atiçar a curiosidade de quem nunca viu para entender os seus acontecimentos. El Camino encerra de forma satisfatória a jornada em aberto de Jesse Pinkman. Não é um filme perfeito, mas está ao nível dos melhores episódios de Breaking Bad.

~Luiz Eduardo


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