RESENHA | Filme: Destacamento Blood

“Da 5 Bloods” ou “Destacamento Blood” é o novo filme de 2020 do diretor Spike Lee, ou como ele costuma dizer ” A Spike Lee Joint”. O filme foi lançado em 12 de Junho de 2020 pela Netflix.

Talvez não houvesse melhor momento para o filme ser lançado quando a pauta “Black Lives Matter” estivesse circulando o mundo, depois dos acontecimentos nos EUA decorrente do assassinato de George Floyd por violência policial.

Título Original : Da 5 Bloods

Data de Lançamento : 12 de Junho de 2020

Origem: EUA

Gênero: Drama, Guerra

Direção: Spike Lee

Roteiro: Spike Lee e Kevin Willmott

Duração:155 min

Exibição: 2020

Distribuidora : Netflix

Disponível: Netflix

• Sinopse: Um grupo de veteranos da Guerra do Vietnã voltam ao país em busca de uma caixa que deixaram para trás e se reencontram com pesadelos e lembranças do seu passado.

Todos sabemos o quão perdida foi a Guerra do Vietnã para os EUA, em mais uma tentativa imperialista do país. Mas como bem colocado no filme, a luta dos soldados negros não era no Vietnã.

Colocados muitas vezes nas linhas de frente do combate contra os vietnamitas, esses soldados estavam lá lutando por uma pátria que se quer importava com as suas perdas. Enquanto morriam pelos EUA no Vietnã, seus irmãos estavam lutando por direitos civis no país.

” What’s going on across this land
Ah what’s happening brother,
Ay, what’s happening, what’s happening my man
Are they still gettin’ down where we used to go and dance
Will our ball club win the pennant,
Do you think they have a chance
And tell me friend, how in the world have you been
Tell me what’s out and I want to know what’s in
What’s the deal man, what’s happening
What’s happening brother”

(Marvin Gaye , “What’s Happening Brother)

Uma fenda no tempo

Conhecemos um pouco ao longo do filme , a história de 5 homens : Paul (Delroy Lindo) , Otis (Clarke Peters), Eddie (Norm Lewis) , Melvin (Isiah Whitlock) e agora na formação , o filho de Paul , David (Jonathan Majors). Eles voltam ao Vietnã em busca de um tesouro achado em meio a Guerra e dos restos mortais de seu companheiro e comandante Norman (Chadwick Boseman). Segundo Norman, eles merecem aquele ouro pois “Os EUA nos devem isso”.

Norman, é o elo que reúne os Da 5 Bloods, ele passa o conhecimento a respeito da luta racial nos EUA para seus companheiros, uma especie de guia , e que passa a ideia de algo maior do que lutar , e tem a plena consciência do quanto os EUA os devem desde aos seus ancestrais escravizados até o tempo presente deles.

Todo momento o filme nos lembra dessa memória ancestral, entre cenas, há alguns cortes para imagens de grandes líderes que lutaram pela libertação e por direitos civis do seu povo como Angela Davis, Malcom X e Martin Luther King.

Esse retorno ao país desencadeia gatilhos de emoção, memórias entranhadas nesses homens. Como uma fenda no tempo, essa volta foi como se alguns pudessem reviver o que passaram lutando na Infantaria .

Make America Great Again

Em especial Paul é o mais perturbado pelas lembranças do seu passado, e Delroy Lindo o interpreta de maneira tão verdadeira e espetacular que conseguimos perceber as fraturas na alma desse homem e que agora seu filho carrega esse legado, mesmo sem ter vivido os horrores pelos quais o pai passou.

Paul também é a figura mais controversa do filme, é a pessoa que tentou seguir em frente sem olhar para trás, mas o passado continuou o olhando de frente. Ele é único do grupo que votou em Donald Trump e está a todo momento com um boné com a frase “Make America Great Again”.

O que notamos no entanto é que não dá para fazer a America Great Again em cima de uma História que insiste ser apagada pela a maioria hegêmonica . Como diz Chimamanda Adiche, escritora nigeriana, há um perigo da História Única , e graças a filmes como de Spike Lee , podemos ver de outra lente e de outra narrativa.

Aqui, vale uma menção ao diretor Spike Lee que desde de “Do the Righ Thing” (1989)  sempre deu o protagonismo para as lutas raciais nos EUA, e se torna cada vez necessário o seus filmes. O diretor não tem medo de tocar o dedo na ferida da História, principalmente, como em “Infiltrado na Klan ” e agora “Da 5 Bloods”.

Confira o trailer do filme :

Enfim, é tempo de se informar, aprender e Da 5 Bloods nos convida a esse embarque , assistir o filme e se permitir a conhecer outra história. O cinema tem esse poder de nos transportar, então é uma viagem a qual vale a pena . Diga para a gente o que achou nos comentários.

Clara Russo
Estudo História e Cinema , vejo que os filmes são uma forma de entender o mundo.