COWBOYS DISCUTE VÁRIOS TABUS, MAS NÃO SE APROFUNDA EM NENHUM

O filme traz temáticas delicadas como identidade de gênero, transtornos mentais e o papel
da mulher em uma comunidade machista

Ficha Técnica
Título: Cowboys
Ano de Produção: 2020
Dirigido Por: Anna Kerrigan
Estreia: 6 de Outubro de 2021
Duração: 1h 23min
Classificação: 16 – Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Drama
País de Origem: EUA
Sinopse: Cowboys é um drama familiar que acompanha Troy (Steve Zahn ) e seu filho que estão fugindo no oeste rural de Montana, com o objetivo de chegarem na fronteira do Canadá. Tentando libertar seu filho trans dos preconceitos de sua mãe, Troy também tem encara problemas de saúde mental e não tem a medicação necessária. No entanto, a mãe de Joe, Sally (Jillian Bell), descobre o desaparecimento e acaba envolvendo forças externas para encontrá-los.

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O longa conta a história de Joe (Sasha Knight), um menino transexual que enfrenta
dificuldade para se relacionar com a mãe, Sally (Jillian Bell), que se recusa a aceitar a
identidade do filho.

Apesar dos atritos, Joe tem como único aliado o seu pai, Troy (SteveZahn), que aceita e encoraja o jovem a ir em busca de sua verdade. Após o divórcio dos pais, o garoto foge com o pai em direção ao Canadá, em uma jornada por autodescobertas.

O roteiro é ousado e logo de início aposta na discussão de temas importantes, mas não
consegue chegar ao próximo patamar por causa do pouco tema e rapidez na abordagem.
São três pontos para se prestar atenção ao longo da trama, como se fossem três bases
para construção do filme: a identidade de gênero de um dos protagonistas, Joe, é algo para
destacar.

A atriz Sasha Knight é novata, mas conseguiu passar verdade na hora de
interpretar a criança que se descobre transexual. Inclusive, a escolha do elenco é algo a
ser parabenizado.

Steve Zahn, que dá vida ao pai do Joe, Troy, também está incrível no
papel do guardião atencioso e compreensivo, mas ao mesmo tempo confuso diante de
transtornos mentais como a bipolaridade.

Por último, temos Jillian Bell, que interpreta a mãe de Joe, Sally. E por mais complicada que seja a relação de mãe-filho, a personagem também esbarra em questões essenciais, como o machismo estruturado, principalmente pela história se passar em um estado dos Estados Unidos extremamente conservador.

E já que a trama foi apresentada com pontos bastante importantes, é hora de comentar o
pouco de apresentação e embasamento desses temas.

O filme tem cerca de 80 minutos, por isso não traz o background para o espectador ter
acesso total à personalidade dos personagens. Alguns flashbacks ajudam a contar a
história, mas não são suficientes para construir a narrativa completa.

O ritmo da trama é um outro problema justamente por essas idas e vindas do roteiro.
Quando o espectador engata na história e parece estar entendendo, a história volta ao
início para trazer mais detalhes, às vezes desnecessários.

Por serem temas extremamente presentes no cotidiano atual, mereciam um pouco mais de
espaço e amadurecimento. Algumas discussões acabam ficando jogadas e não têm o
impacto desejado. Mesmo assim, os pontos escolhidos foram acertados diante da
repercussão que ganham todos os dias.

Em resumo, Cowboys é um filme que vale ser assistido, mas não serve de exemplo como
obra representativa. Não é um filme sobre identidade de gênero, não é um filme sobre
saúde mental e nem sobre feminismo. É um filme que mistura vários temas e acaba não se
aprofundando em nenhum. Mas, como eu disse, ele é importante apenas por trazer esses
pontos tão delicados que acabam sendo tabus. E aí é responsabilidade do espectador
interpretar da forma que quiser.