Quando eu vi o trailer deste filme me encantei, mas nada se compara a assistir CODA – No ritmo do coração completo. O longa é emocionante, tocante, e inspirador. E se você apreciá-lo e sair da mesma maneira que entrou…

 

Coda
Ficha Técnica
Título: CODA – No ritmo do coração
Ano de Produção: 2021
Dirigido Por: Sian Heder
Estreia: 23 de setembro de 2021
Duração: 111 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama/Romance
País de Origem: Estados Unidos
Sinopse: CODA, abreviação em inglês de child of deaf adults, é um longa-metragem de comédia dramática e de amadurecimento estadunidense de 2021 que segue uma adolescente ouvinte, filha de adultos surdos.

Ruby Rossi

A película é explorada a partir do ponto de vista da nossa protagonista Ruby (Emilia Jones), que é filha de pais surdos e tem um irmão mais velho igualmente surdo. Mesmo desta perspectiva já é possível entender as dificuldades que sua família enfrenta para se encaixar na sociedade, contudo o ponto alto do filme é quando nos é mostrado através dos olhos dos pais e irmão essas adversidades.

Ruby é uma menina gentil e muito dedicada. Sua vida toda assumiu a responsabilidade de intérprete para que seus pais pudessem ter um negócio próprio, e conseguissem se comunicar com pessoas ouvintes. Claro que isso é feito com a melhor das intenções, entretanto gerou uma total dependência. E quanto mais é explorado esse assunto, mais o longa nos mostra como é triste a vida dessa parcela da população que é excluída da sociedade.

Um exemplo disso é que a linguagem de sinais não é ensinada nas escolas. Os alunos tem aulas de Francês, Espanhol, Inglês, Alemão (tá, eu estou exagerando na quantidade de idiomas), se preocupando com a comunicação com pessoas de outros países. Mas e aqueles que estão do nosso lado e não podem nos ouvir?

CODA - No ritmo do coração

Além disso, nossa protagonista sempre foi motivo de chacota e piadas, já que no início de sua vida escolar ela falava diferente dos demais, pois construía as frases da mesma maneira que é feito na linguagem de sinais. Ou seja, invés de ser acolhida pelos colegas, sofria com os deboches.

Pois bem, sabemos um pouco de sua história e agora quero contar a paixão dessa menina: Cantar. E ela é realmente muito boa nisso. Tão boa que seu professor do coral decide encorajá-la a tentar uma bolsa de estudos para a faculdade de música. É aí que toda a trama se inicia. Ruby tem que se dividir entre o trabalho com os pais, os muitos ensaios com seu professor, e a escola.

Um dom encarado como afronta

Todo pai de adolescente sabe que algumas escolhas dos filhos tem um “fundinho” de enfrentamento, e o jovem estudante que nunca quis contrariar os pais que atire a primeira pedra. Mas não era o caso de Ruby, embora sua mãe não tenha interpretado dessa maneira. Não é para menos, Jackie Rossi (Marlee Martin) nunca teve o privilégio de ouvir nem entender a música, e por esse motivo tinha medo que sua filha estivesse fazendo isso apenas para afrontá-la, já que ela nem sabia se a menina ao menos era boa cantando.

Esses conflitos são retratados com muita delicadeza e ao mesmo tempo com a intensidade necessária para emocionar o público. Então chego a uma das coisas que mais me deixou feliz na criação deste filme: Os atores são realmente surdos. Não apenas isso, Marlee Martin foi a primeira e única atriz surda a vencer um Oscar de melhor atriz por seu trabalho em  Children of a Lesser God. Troy Kotsur como Frank Rossi e Daniel Durant como Leo Rossi, também deram um show de atuação. Tão importante quanto a representatividade é realmente dar chance para que os atores que fazem parte da parcela descrita sejam escolhidos para trabalhos como este.

No ritmo do coração

No ritmo do coração

A beleza neste longa está em todos os detalhes possíveis. Nas atuações brilhantes e cativantes, na trilha sonora tocante, na história impactante. Cada expressão dos nossos talentosos Marlee, Troy e Daniel nos levam a refletir e ter empatia por aqueles personagens. Cada música cantada pela linda Emilia é capaz de nos levar ao céu e nos trazer de volta assim que acaba. E cada pedacinho dessa história nos transforma de tal maneira que é impossível terminar sem pensar de um jeito diferente que antes.

A família Rossi nos ensina que o amor é o que realmente importa para superar cada adversidade, e entender o outro. Que a boa comunicação vai muito além do som das palavras.

Mais um ponto de destaque é a ausência de som. Uma boa trilha sonora não é feita apenas de boas canções e sons, mas também da falta do mesmo. E esse silêncio veio para nos arrebatar para o universo da família Rossi, e nos fazer sentir um pouquinho da realidade deles.

Jackie, Frank e Leo

E além de tudo isso que já citei, há muitas cenas e diálogos entre Ruby, Jackie, Frank e Leo que são de uma magnitude inexplicável. Eu gostaria de pontuar todas elas, mas não quero dar spoilers nem tampouco estragar a experiência de vocês.

CODA – No ritmo do coração é com certeza uma das melhores produções que assisti esse ano, e sem dúvidas entrou também na minha lista de filmes favoritos. Ele é singelo em sua construção, não tem grandes efeitos especiais, nem um elenco conhecidíssimo, mas tem alma. E a arte se trata disso não é? De transformação, reflexão, entretenimento, desconforto, aconchego…

Eu poderia com certeza falar muito mais da importância da inclusão, das políticas públicas que devem ser revistas, e da representatividade, mas eu vou deixar essa grande obra de arte falar por si só. Por mais que eu tente, não vou conseguir expressar tudo que senti e como sou grata por existirem filmes como este.

Tudo o que tenho para dizer é: Assistam!

E se você apreciá-lo e sair da mesma maneira que entrou… Volte e assista novamente, você não deve ter prestado atenção.

 

Me conte nos comentários qual pequeno detalhe você pode mudar na sua rotina para começar a incluir pessoas surdas na sociedade.

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