• Uma soldada que possui memórias as quais não tem certeza da onde vem e não sabe a origem de sua história se vê no meio de uma guerra entre duas raças alienígenas, os Kree e os Skrulls. Durante uma de suas missões ela vai parar no planeta Terra e começa a se compreender e entender sua origem como Carol Danvers.

Nome Original: Captain Marvel

Diretores: Anna Boden e Ryan Fleck

Roteiristas: Anna Boden, Ryan Fleck, Nicole Perlman, Geneva Robertson-Dworet, Meg LeFauve, Liz Flahive e Carly Mensh.

“Higher, Further, Faster, Baby!”

Capitã Marvel segue uma história de origem comum, porém o roteiro tenta mudar as ideias um pouco de ordem e dando assim uma diferenciada, aqui nós já começamos o filme com Veers tendo seus poderes e já sabendo utilizá-los muito bem, já começando sendo bem apelona. O filme começa a explorar melhor a origem da personagem com feedbacks, junto com a personagem se reconectando com o seu passado, nós passamos a conhecê-lo. Dentro da história do filme nós temos duas principais linhas de roteiro acontecendo simultaneamente, a mais focada na personagem, onde nós exploramos junto com ela seu passado e jornada para compreender o que há. A história da Carol é bem satisfatória, desde a sua relação com a Terra e com outros personagens é muito clara e interessante, a profundidade com a personagem Maria Rambeau é bem notável graças ao bom trabalho das atrizes, possui força.
Envolta disso tudo possui a grande guerra entre os Skrulls e os Krees, que é explicado de maneira bem rasa, mas é possível entender o contexto muito bem, o que é essencial, pois a maior parte de risco se apresenta dentro desse núcleo, o que a mais com o que se preocupar em relação aos personagens vai aqui, o que é bom, o filme conseguiu me fazer preocupar com determinados personagens, porém ao mesmo tempo o risco acaba sendo pouco crível que algo ruim realmente aconteceria.
O maior problema desse filme é a falta de ousadia por parte da direção em realmente tentar fazer algo diferente, por mais engraçado ou legal que o filme possa ser de assistir, eu sinto a falta de coragem e de novidades dentro do mesmo, é aquele filme que você consegue saber o todo antes de assisti-lo, o filme faz sim um ou outro plot twist durante seu curso, mas um deles foi apressado e o outro mais óbvio impossível. Após tantos 10 anos de universo se espera filmes diferentes com ideias novas para enredo, aqui, infelizmente, ideias novas não estão muito presentes e acaba caindo no tão fácil senso comum.

Brie Larson tem outros altos e baixos nesse filme, em alguns momentos realmente me incomodou algumas caras e bocas de desconfiada que ela faz e faz em vários momentos e um tempo cômico não tão bom, mas em outros é possível ver a atriz que venceu o Oscar de melhor atriz alguns anos atrás, com algumas expressões um tanto inventivas. Samuel L. Jackson soube representar o seu, já familiarizado, personagem mais novo muito bem, consegue-se perceber um certo grau de humor e compreensão bem diferentes do que estamos acostumados, percebe-se na voz e na maneira de falar muito bem representadas. Ben Mendelsohn como de costume é muito bom, o personagem que geralmente é visto como alguém que fala sério com um tom de voz forte, é na verdade feito de um jeito completamente divertido e como uma pessoa comum na voz e no jeito de falar com certo deboche, além de ter um nível de comédia super elevado em vários momentos, uma das melhores atuações do filme. Jude Law faz um personagem mais sério com um forte poder de convencimento, foi ok.

As sequências de ação do filme em sua maioria são ok, principalmente as de combate, não possui absolutamente nada memorável ou diferente lá, não tem nenhum grande desafio em combate para a personagem o que pode ter tirado grande parte da graça do mesmo, sequências de ação nas quais não possuem necessariamente um combate físico contra outro ser também estão presentes aqui, um deles, o melhor do filme, em um determinado momento Carol precisará se libertar de certo problema, e tudo se passa dentro de sua mente, a forma como foi feita essa sequência é realmente muito boa, com certeza a parte mais memorável do filme, desde como começa e como acaba com ela exalando poder por toda parte. Além dessas possui um outro momento em que acredito que deveria ter sido o principal momento de ação na cabeça dos diretores, que se passa durante uma maior invasão em escala no final, porém foi extremamente decepcionante por alguns motivos, primeiro o CGI que na sequência toda estava mais do que óbvio que o estávamos assistindo algo que foi feita em um computador, em nenhum momento parecia realmente ser live action, falarei mais sobre isso depois, e além disso foram momentos bem sem graça que por um lado serviu para nos mostrar o quão poderosa ela é, por outro acabou sendo só mais uma demonstração genérica.

O CGI muito presente no filme possui alguns altos e baixos, quando eles querem nos apresentar determinada locação ou mostrar naves decolando de dentro pra pra fora, é bem satisfatório, além dos efeitos utilizados para representar os poderes da protagonista, são bem feitos a ponto de você conseguir ter certa noção da força mesmo antes de serem utilizados. As transformações dos Skrulls são realmente ótimas e muito bem feitas, um grau de realismo bem alto, além do rejuvenescimento de Samuel L. Jackson e Clark Gregg que aí realmente são mais do que íncriveis, é perfeito, com vários closes e aparecendo durante o filme inteiro com várias expressões, e sendo imperceptível a computação. A sequência final foi realmente terrível muito graças aos seus efeitos, além de facilmente perceber que se trata de uma boneca digital, em nenhum momento o filme tenta esconder esse fato do telespectador, normalmente quando se necessita de cenas assim em que o resultado não fica muito realista, os diretores escolhem esconder da melhor maneira possível o cgi, porém aqui é completamente exibido à luz do dia e acaba sendo terrível, alguns momentos que deveriam ser arrepiantes durante essa sequência perdem o seu valor pelo filme se tornar uma animação.

A fotografia possui alguns pontos bonitos, algumas posições que representam empoderamento e soberania, mas de maneira geral não se destacou, diferente da maquiagem dos Skrulls que é algo que merece algum destaque, ficou realmente ótima. O design de produção e figurino dos povos extra-terrestres presentes no filme também são muito bem feitos.

A trilha sonora é interessante, em diversos momentos é colocada músicas clássicas como de Nirvana por exemplo, músicas presentes em quando o filme se passa, muitas vezes é editada durante cenas de ação ou passagem de tempo que coube muito bem. A música feita para o filme por outro lado, infelizmente, acabou sendo bem genérica e absolutamente nada marcante, o que é uma pena pois vários personagens não estão tendo algo sonoro para marcar o seu conteúdo como costumava ser mais presente em filmes um pouco mais antigos do tema.

Capitã Marvel é um filme divertido, com momentos muito engraçados e relações entre personagens bem legais, porém lhe falta certa ousadia em fazer algo diferente do comum e criar algo memorável de alguma forma.

 

Trailer:

//www.youtube.com/watch?v=FV7AxLbHcrE&t=1s