Já enjoou das adaptações de Stephen King? Espero que não, pois a indústria áudio-visual ainda está determinada em adaptar todas as obras do escritor. A Netflix, por exemplo, já sob seu suas versões para Jogo Perigoso, e 1922. Agora é a vez de Campo do Medo (escrita em colaboração com Joe Hill) chegar ao serviço de streaming.

Nome original: In the Tall Grass (Original)
Direção: Vincenzo Natali
Duração: 101 minutos
Gênero: Terror, Thriller

  • Sinopse: Um rapaz e sua irmã grávida ouvem o grito de um garoto por ajuda, eles se aventuram em um vasto campo no Kansas, mas logo descobrem que pode não haver saída… e que algo maligno se esconde na grama alta.

 

 

Durante uma viagem, Becky (Laysla De Oliveira) e Cal (Avery Whitted) param na beira da estrada em algum lugar no meio da América. O momento não é ótimo; Becky está grávida e ainda sofre de enjoo matinal. Mais distante em algum lugar no campo de grama à beira da estrada, ela ouve uma criança em pânico pedir ajuda. Becky e Cal entram, mas não conseguem encontrá-lo, e, eventualmente, eles também estão separados e presos com outra família: Tobin (Will Buie Jr.), seu pai Ross (Patrick Wilson) e Natalie (Rachel Wilson).

Campo do Medo é um tipo misterioso de mal, um lugar que não adere às leis da física e do espaço, prendendo suas vítimas em um ciclo contínuo até que as atraia para uma antiga força das trevas. Depois de semanas sem notícias de Becky, Travis (Harrison Gilbertson), seu namorado que nunca se sai bem, procura os dois irmãos desaparecidos e também cai nas garras do Campo.

É crédito de Natali que esses talos de grama possam parecer ameaçadores. Ele brinca com close-ups, ilusões de ótica e amplos planos amplos que dão ao labirinto que mantém nossos pobres personagens reféns de uma alma infernal. Ao longe, uma igreja assustadora. Talvez seja para conectar a religião moderna ao culto antigo que cultua a grama, mas o filme nunca chega a algo muito profundo. É uma premissa simples que mantém seus temas no nível da superfície, não tão aprofundado como em outras histórias de King.

Além dos sustos, os fãs de King devem se deliciar com a mão cheia de acenos de suas adaptações anteriores. Há um indício de Colheita Maldita no isolamento doloroso do cenário e na presença maligna desconhecida que persegue a grama. Há um carro velho que se assemelha a Christine no estacionamento da igreja ao lado da estrada. O personagem pai de Wilson parece sofrer uma queda semelhante à loucura que acontece com Jack Torrance em O Iluminado e Dr. Louis Creed em Cemitério Maldito

Embora não seja a mais inspirada das histórias de King, o elenco de Natali supre as deficiências do filme. Patrick Wilson é ótimo como um pai  que ficou louco pela fonte maligna da grama. Suas expressões perturbadas e a natureza imprevisível da grama dão a ele tudo o que ele precisa para ser um vilão fantástico. Das vítimas na grama, o personagem de Gilbertson tem o arco mais expressivo. Depois de pensar que ele pode ter perdido sua namorada para sempre, agora ele tem uma chance de redenção – e salvando a vida de todos.

O núcleo emocional do filme conta com Travis e Becky, que antes de entrar na grama estão discutindo se devem ou não ter seu bebê. Nesse ponto, o filme tropeça ao mergulhar em clichês sobre colocar mulheres grávidas e seus bebês em perigo, mas ao longo do filme tem seus bons momentos.

Enfim… Os fãs de Stephen King e os aficionados por terror podem estar inclinados a dar uma olhada, mas para outros, provavelmente existem algumas opções melhores para passar seu tempo antes de querer assistir e dar uma chance para Campo do Medo.

 

 

~ Alexander Luthor


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