O primeiro filme oficialmente dirigido por Quentin Tarantino. Nesse filme vemos o que iria vir a se destacar em seus futuros filmes em diferentes aspectos. O conhecimento cultural de Tarantino é demonstrado, musical, quadrinhesco, filmes, mostra o quão conhecedor do cultura pop e cult o Tarantino é e foi desde o ínicio de sua carreira.

Nome Original: Reservoir Dogs

Direção: Quentin Tarantino

Roteirista: Quentin Tarantino

Cinematografia: Andrzej Sekula

Edição: Sally Menke

  • Sinopse: Criminoso reúne seis bandidos para grande roubo de diamantes. Algo sai errado e um deles é ferido durante roubo e os bandidos precisam descobrir quem foi que os traiu, o que gera enorme tensão no grupo e enfraquece a todos.

A história deste filme seria basicamente um filme de heist, o famoso filme de assalto em que se é selecionado pessoas, cada uma com habilidades específicas para se realizar um grande roubo, a premissa seria essa, porém o filme passa a sua maioria e a sua grande narrativa após isso, o climax não é o assalto em si, nós mal temos um minuto do que ocorre durante o assalto, o maior foco é o que acontece depois disso, com um mistério e uma bela dose de imprevisibilidade é o que se destaca na história.

O filme já se inicia no melhor estilo Tarantino de diálogo, em uma mesa de bar, com a câmera passeando entre cada um de nossos personagens durante o filme, nos apresentando tranquilamente, em uma conversa sobre a música “Like A Virgin” da Madonna, de uma maneira totalmente mundana e simples, falando como se fosse qualquer um de nós debatendo alguma música, e dando o ponto de vista diferente sobre algo, é feito de maneira super simplista e incrivelmente satisfatória, somente naquele início nós já pegamos o tom do filme, já entendemos praticamente cada personagem e suas personalidades de uma maneira natural e divertida.

Tarantino usa um recurso narrativo que serve para nos deixar curiosos, ele nos mostra a conclusão ou consequência de determinada situação, antes de nos mostrar ou explicar o que houve, isso já nos deixa empenhados na história, aos poucos a situação vai se revelando, com algumas curtas dicas e conversas sobre é possível moldar em sua cabeça a situação, uma maneira bem inteligente de nos deixar com vontade de mais. Outra característica que ele faz aqui com precisão, seria a criação de momentos tensos, imprevisíveis e ao mesmo tempo conseguir colocar alguma fineza e elegância em conjunto.

Uma das maiores qualidades do filme, se não a maior, são os diálogos, Tarantino possui diversas qualidades em seus longas que são bem acima da média, porém sua provável maior habilidade em filmes que sempre me deixa encantado, é a capacidade de criar diálogos completamente fora da caixa e ao mesmo tempo mundanos, diálogos que eu poderia me imaginar em um bar com amigos e falando daquela maneira, completamente maluca e diferenciada.

“I don’t tip because society says I have to. All right, if someone deserves a tip, if they really put forth an effort, I’ll give them something a little something extra. But this tipping automatically, it’s for the birds. As far as I’m concerned, they’re just doing their job.”

É bem nítido a limitação de orçamento que o filme possui, poucos cenários, sem grandes truques em fotografias e entre outros aspectos, porém mesmo assim, o diretor consegue nos fazer imaginar, em vários momentos é falado sobre o assalto, somente temos uma curta cena durante o mesmo, em vários momentos os personagens estão conversando e contando a sua perspectiva sobre o que ocorreu durante o assalto, e aí está uma genialidade, isso acontece em vários momentos e poderia facilmente ficar chato, porém não fica nem perto disso, nós começamos a imaginar, como se alguém estivesse lendo um livro para nós, o que leva para a brilhante atuação que o Tarantino consegue tirar de seus atores.

Cada personagem tem uma personalidade bem específica e diferente. Tim Roth passa por alguns momentos bem extremos durante o filme, e você consegue acreditar em cada um deles, muito por alguns detalhes que citarei depois, a leveza e até uma certa insegurança em sua voz fazem seu personagem. Harvey Keitel tem aquela sutileza, que você percebe que ele tem sujeira nas mãos, mas ao mesmo tempo ele parece ser o nice guy, porém perde a paciência se sair da linha. Steve Buscemi faz um personagem bem mais desesperado e apavorado, que precisa de uma solução rápdia, o ator conseguiu nos passar o nervosismo. Michael Madsen interpreta um psicótico, e diga-se de passagem ele faz isso muito bem, você percebe a não preocupação no olhar dele e a vontade de se divertir.

Os detalhes presentes no filme são bem pontuais e inteligentes, Tarantino fez questão de manter um médico na equipe para que tivesse certeza de que a quantidade de sangue perdida e as reações por uma pessoa baleada fossem compatíveis com algo que acontecesse na vida real, para a pessoa sobreviver por determinado tempo no filme, ou reagir desse ou daquele jeito.

O filme possui várias referências, como já dito, à cultura pop em geral, e é muito interessante como ele conseguiu juntar as referências com a história do filme, unir personagens e músicas com alguns personagens de maneira bem sólida.

Cães de Aluguel é um ótimo filme, com a mão do diretor se torna algo bem diferenciado, mesmo tendo um orçamento bem baixo, a criatividade na narrativa, os diálogos super naturais e inteligentes, com uma dose de imprevisibilidade e elegância faz com que seja um filme bem memorável.

Trailer:

//www.youtube.com/watch?v=3SfljD-TwJA