• Sinopse: Em um mundo em que se é possível entrar e interagir no sonho das pessoas, Don Cobb é um agente que trabalha ilegalmente para roubar ideias e conhecimento dos outros, que muitas vezes acaba sendo perturbado por um fantasma de sua mente em suas missões e as compromete muitas vezes. Cobb, o especialista, devido a sua habilidade, acaba sendo convocado para participar de uma batalhar empresarial, porém ele e sua equipe não terá que roubar alguma informação, mas sim implantar uma ideia no subconsciente de alguém, o que exigirá muita criatividade e habilidade dos personagens.

Nome Original: Inception

Direção e Roteiro: Christopher Nolan

Gênero: Ficção/Mistério

Duração: 2h 28 min.

Ficcção-científica é sempre uma área interessante para se explorar em histórias, e nada como combinar isso com um certo toque de existencialismo na obra, fazer o público questionar o que é ou não real é sempre muito forte quando bem feito, aqui isso com certeza é presente e com a mão de Christopher Nolan as coisas ficam bem diferenciadas.

“Don’t you want to take a leap of faith? Or become an old man, filled with regret, waiting to die alone!”

Gostaria de começar falando sobre a ideia do filme, pessoas que conseguem invadir sonhos e obter informações com a interação com o subconsciente da pessoa que está sonhando, realizando tudo isso como em um filme de assalto, o que também não deixa de ser o caso em momento algum. É muito criativa a ideia que Nolan teve para essa jornada, mesclando ideias de filmes como ‘The Matrix’ com o padrão de filmes de assalto, que seria ter uma pessoa para cada tarefa essencial, e invadir um sonho lucidamente, e ter como objetivo implantar algo dentro da mente de outra pessoa sendo feito de maneira inteligente, sutil, invadindo fundo nas pessoas e sendo diretamente influído pelo que está acontecendo na realidade de determinado sonho.

O filme é contado de maneira bem didática, como Nolan geralmente gosta de fazer com suas histórias, considerando que é uma ficção-científica era importante deixar a audiência bem ciente de como funciona, é da maneira mais pedagógica possível ele o faz, literalmente como uma explicação de um professor para uma aluna, Nolan nos explica as regras do jogo e nos faz entender, quase perfeitamente, como funciona as etapas do mundo dos sonhos. Durante a jornada nos aprendemos novas regras e novas situações, o que é sempre muito bom, não só nos contando didaticamente, porém também nos mostrando coisas novas, o problema é que em alguns momentos, a partir das regras criadas, o próprio filme as quebra, em outros momentos é possível observar alguns furos, algumas situações mal encaixadas ou problemas que poderiam ser evitados de uma maneira que é até ridícula, mas de maneira geral, o saldo do roteiro é bem positivo. A passagem de tempo é representada de maneira muito legal, faz com que tudo pareça durar muito tempo, mas na realidade nem tanto. O filme cria um mistério durante seu percurso que te faz questionar e querer rever, com descobertas e novos conflitos imprevistos e claro, com um final daqueles.

A equipe de assalto é algo muito positivo no filme, era importante ter um pessoal de peso e com carisma para que assim o decorrer do filme não ficasse cansativo em certos momentos. Dom Cobb é o personagem principal, normalmente ele é quem da às ordens e define as redes do plano, Cobb já está no ramo faz um bom tempo e possui traumas relacionados com sua ex-esposa, interpretado de maneira excelente por Leonardo DiCaprio, que foi capaz de expressar tristeza e gana de maneiras extremas, sem falar de sua naturalidade ao atuar com sua lábia. Ariadne é a arquiteta, sua função é desenhar labirintos, para que se possa realizar a missão em cada sonho, interpretada por Ellen Page, sua atuação é ok, acredito que poderia ter tido um pouco mais de emoção dada as cenas em que ela participa e também a personagem foi um tanto quanto fácil de ser convencida. Arthur é interpretado por Joseph Gordon-Levitt, seu personagem faz pesquisas e tem cenas de ação bem interessantes, sua atuação é convencida e bem feita. Eames, interpretado por Tom Hardy, é o mestre de disfarces, gosto de sua interpretação, embora acredito que não tenha sido nenhum desafio. Também temos no elenco Cillian Murphy, que tem uma das melhores atuações dentro do filme, assim como Marion Cotillard. E como de praste, Michael Caine sempre com um bom trabalho, mesmo que curto, nos filmes do Nolan.

A parte filosófica do filme é bem interessante, não necessariamente original, mas te coloca para pensar. O fato de estar vivendo em um mundo falso, onde nada é real, sem ter como saber com certeza o que de fato acontece há é de se ter ansiedade, assim como Matrix, o filme te faz questionar se a realidade é de fato real, como uma personagem sugere no filme, você não consegue manipular o sonho pois não sabe que está em um, perdendo noção do que é genuíno ou não. O roteiro também implica, de maneira muito sólida, que o passado muitas vezes nos seguram de avançar na vida, pelo que ocorre na nossa mente, nossos fantasmas antigos muitas vezes nos impede de seguir em frente ou alcançar nossos objetivos.

Os efeitos do filme são ótimos, Nolan gosta de colocar em seus filmes efeitos práticos e isso realmente faz toda a diferença, possui também efeitos especiais, porém funcionam muito bem também. Toda a montagem do filme é bem pensada e bem imersiva, em alguns momentos em que os personagens vão acordando em sequência é muito bem feito. Fotografia com vários momentos marcantes, principalmente quando Ariadne está usando sua criatividade dentro do mundo dos sonhos pela primeira vez ou no elevador na mente de Cobb.

Isso junto com a maravilhosa trilha de Hans Zimmer faz com que você fique na ponta da poltrona o tempo todo, a trilha nesse filme eleva a sua qualidade e muito, Zimmer junto com sua equipe, como de praste, faz algo que te deixa empolgado o tempo todo, melhora praticamente todas as cenas, com algumas trilhas bem memoráveis, como “Dream is Collapsing” ou “Time” por exemplo. Se ajusta perfeitamente com o filme, deixando tenso em vários momentos, trilha sonora incrível.

A ação presente durante quase todo o filme tem seus altos e baixos. No ínicio é bem simples, porém é uma ação introdutória, que funciona muito bem, deixando implícito como o que está acontecendo fora do sonho altera o interior. A ação durante a cena no hotel é ótima, sendo influenciada pela van sendo atingida, indo para um lado ou por causa da gravidade, muito bem feito, porém no terceiro ato durante a batalha na neve, achei muito bobo, sem peso, somente tiroteio e explosões que não me importei muito.

A Origem ou Inception é um belíssimo longa, preenchido com a direção irretocável de Christopher Nolan, uma história que mistura ficção  junto a um filme de assalto de maneira bem criativa, abordando um tema não original, porém ainda muito interessante, cheio de questionamentos. Possuindo, sim, falhas como decisões bobas de personagens, uma queda aqui ou ali no roteiro, uma ação que funciona  50/50, mas vale muito a pena assistir pelas atuações, pelos efeitos, pela trilha e com certeza uma história que te colocará para pensar sobre diferentes perspectivas.