Escolher resenhar Tra Barb See Chompoo como primeiro thaidrama da sessão, não sei se será a minha melhor escolha… Talvez, eu me arrependa. Ou, talvez, não. Isso porque eu não sei bem como definir o que achei deste Lakorn!Se eu pudesse definir esse momento como ‘um ponto de interrogação no meio da minha testa, brilhando de modo fosco e murcho’, creio que seria a melhor representação da minha total falta de maturidade para isso. – Não é o primeiro Lakorn que assisto. Eu poderia fazer resenha de Kleun Cheewit que, mesmo passando raiva, eu amei! Mas, não, tô aqui me aventurando com este que continua uma incógnita pra mim. – Palmas!

Tra Barb See Chompoo foi hiper comentado durante sua primeira “aparição” no Brasil e divide opiniões. Pudera! É complicado defendê-lo, mas é compreensível quando alguém diz que gostou. Principalmente, se esse alguém é fã de lakorns que, geralmente, seguem a mesma pegada, mesma estrutura e essência, tirando aqueles voltados para um público mais adolescente, como os da U-Prince Series (com exceção do “The Handsome Cowboy”). Eu poderia ter iniciado a sessão com Full House Thai e Kiss Me com o Mike Angelo… Estou inconformada de que minha inspiração tenha vindo com Tra Barb See Chompoo. Sério, mesmo!

Eu mesma não sabia se torcia para felicidade da prota e do ‘pai comunitário’ ou se desejava que corvos e abutres devorassem o que restou depois de um trator passar por cima das bolas do prota e do ‘junior’ arrancado por um bitbull.Sem exagero, okay!? Falo sério! – A verdade é que, engoli algumas cenas desagradáveis, xinguei pra cacete, e no final da história, me deparei com situações (que não me convenceram totalmente e) ficaram sem resposta (ou eu devo ter perdido alguma coisa) e  cujas quais outras situações (in)felizmente – porque, lembra? Não sei como definir o que achei e prefiro que você tire suas conclusões, assistindo –  fizeram algum sentido no fim das contas, trazendo um desfecho até que satisfatório para alguns personagens, para outros nem tanto, mas pro casal terciário, perfeito!

Vou considerar esta resenha um desafio para mim: Se eu conseguir fugir das expressões “ranço”, “embuste”, “relacionamento tóxico” e “abusivo”, zerei na vida. Quem me conhece, sabe que se tem uma coisa que me dá repulsa são essas quatro expressões. Digo porque, nem todas as ações podem ser generalizadas a isso, mas, atualmente, elas são usadas para qualquer história que alguém não gostou do protagonista porque ele não é perfeito como “deveria ser”. E quem definiu isso? – Você não sabe? Nem eu. Mas, um monte de cagador de regra acha que pode definir o máximo aceitável.

Por este motivo, vou tentar me focar na história e na personalidade dos personagens principais (que é o que eu sei e estou acostumada a fazer) e vamos ver no que dá! Caso contrário, eu não usaria a empatia, aqui, mas a alteridade, o que traria uma resenha um tanto egoísta, uma vez que não faria jus à história e aos personagens em si, mas às minhas impressões, e mais nada. – E não é isso que eu me proponho a fazer por aqui. Então, antes que eu desista, bora pra sinopse:

Gênero: Romance / Drama
Episódios: 24
Exibição: 2018

  • Sinopse: Kiew é uma sonhadora que costumava ver a vida de uma forma positiva, até que seu mundo cor-de-rosa muda quando sua mãe, doente, se casa com um antigo amor, e ela passa a morar na mesma casa que Peat, o filho de seu padastro. Peat, que esconde sua frieza cruel sob sua boa aparência, é o único herdeiro de um bilionário. Quando Kiew entra em sua vida, ele não pode esconder seu interesse por essa menina gentil e atrevida. Porém, ao vê-la em sua casa, seu mundo vira de cabeça para baixo, e ele se recusa a aceitar o novo casamento do seu pai, prometendo fazer de tudo para que a vida de Kiew e da mãe dela sejam um inferno.
    Para se vingar de mágoas antigas que ele possui com o pai, Peat irá passar por cima de tudo e de todos. Com ressentimento em seu coração, ele decide virar as costas para sua família. Após quatro anos, ele retorna para levar tudo de volta, e Kiew será a primeira pessoa contra quem se vingar, pois é o elo que atinge seu pai, em defesa de sua mãe. Ele será capaz de perder o amor de sua vida em nome da vingança?

Esperem muitas cenas regadas de “Vingança cega e desenfreada, sem o mínimo de tato, senso ou noção.”, de “Pessoa altamente manipulável e influenciável!”, de “Ops, tô caindo” – “Deixa que eu te seguro”, de “Tô até vendo, vou terminar esse lakorn na força do ódio!”, deAté que é gostosinho esse Oppa!”, de “Mano, vai se tratar!” vs. “Tenha amor próprio, porra!”, de “Véi, vou droppar essa caralha!”, de  “Não, Peat! Pô!!! Não faz isso!! Afff, fez!”, de “Admite logo e se joga, colega!” e, principalmente, de “Alguém mete uma surra na cara dessa vaca?!”.

Calma, eu explico! São 24 episódios onde muita coisa acontece por episódio, mas é tempo suficiente de você sentir tudo quanto é sensação: do amor ao ódio, em segundos. – Então, se você tiver transtorno de ansiedade, passe reto desse Lakorn. Sério!

Primeiramente, porque temos uma protagonista extremamente ‘perfeitinha demais pra ser verdade’.Mas, a gente releva, porque é lakorn. – Em contrapartida, temos um protagonista que é o oposto de tudo isso.Mas, a gente também releva, porque em lakorn, tudo isso é normal. – Todo arrogante, rico, filhinho de mamãe, treinado por ela para odiar o próprio pai e ser um monstro, basicamente.

E ele cresce acreditando, fielmente, nela, botando-a num pedestal que ninguém a tira. Certo dia, a megera morre e ele culpa seu pai por não estar presente no “momento X da questão”, como se o cara que foi forçado a se casar com ela e amava outra mulher tivesse por obrigação ser onipresente e ter uma bola de cristal para adivinhar a hora da morte da véia! – OKAY, sociedade! ¬¬’

Putinho da vida e em alta velocidade com sua moto azul, quase atropela Kiew, no Campus da faculdade. – Não faço a menor ideia de quantos anos eles tinham nessa época, mas sigamos!Kiew, nossa prota boazinha e canonizada, chama a atenção do nosso monstrinho, que age como todo homem adolescente imaturo quando se apaixona pela primeira vez: provoca a mina, para não admitir que gosta dela.Até aí, tudo bem, porque todo moleque imaturo age assim pra chamar atenção das meninas de quem eles gostam! Quem nunca viu isso quando era criança que atire a primeira pedra!

Cenas exageradas até, envolvendo uma bola de basquete para chamar a sua atenção e outras cenas fofas de “hmmm, ele tá xonadinho porque guardou o lencinho dela e não pára de olhar pra ele” já nos mostram como se darão os dois extremos durante toda a história.

Somos apresentados, então, à megera indomável, que vai ditar o triângulo amoroso de Tra Barb See Chompoo. Teimosa, cega e possessiva, ela é, simplesmente, um nojo de ser humano.E não. Não adianta, tentarem me enfiar, goela abaixo, uma personagem que “foi levada a ser desse jeito, por conta de um amor não correspondido”, não deu para engolir.Tudo o que ela fez foi de caso pensado e, na minha humilde opinião, ela quem alimentava a ira do Peat.

Quando ele tava quase lá, amolecendo o coração de pedra, era ela quem não queria dar o braço a torcer. Ela quem via coisa onde não tinha, que acreditava mais em palavras do que em ações. O universo só conspirou! Seu destino que foi bom demais pra ela! Eu queria ver ela sofrer em dobro. Apenas! – Então, roteirista, meu amor! Não colou. Comigo, não!

A megerinha Chaya faz parte do Quarteto Fantástico – perdão pelo trocadilho – junto com o Peat, Khris e o único amigo fofo e centrado do thaidrama, (que já já me lembro do nome – Oremos! [… 15 minutos depois…]  Lembrei!) Katha, cujo par romântico com a amiga de Kiew, Pa, foi o divisor de águas do LakornMuito amorezinhos!

Khris gosta de Chaya que só tem olhos para o Peat. Ela faz, absolutamente, tudo o que Peat pede, na esperança que, assim, ele gostasse dela, no ápice da desculpa de “ele vai me notar se eu ficar do lado dele, incondicionalmente, até com ele fazendo merda!” Aham, senta lá, Chaya! – E, de cara você se apropria de mais três informações: Peat é vingativo, esquentadinho e toma decisões com conclusões precipitadase sempre negativas -, Chaya para ganhar vantagem, fomenta negativamente as conclusões de Peat e Khris que está começando a se incomodar com tudo isso.

Para piorar a situação, a mãe de Kiew está muito doente e é internada às pressas, necessitando de tratamento urgente. Comovido com a situação, o pai de Peat, vê seu antigo amor – pronto, fodeu de vez, né!? Ainda não. – sofrer no leito da morte, e propõe viverem como marido e mulher, logo após a morte de sua esposa, sem esperar a cama esfriar e sem contar previamente para o seu filho a real situação. – Agora, sim, fodeu de vez!Os três  (Khum Nai, pai do Peat, Kiew e sua mãe Sa), esperam o Peat concluir sozinho que Sa era a amante do pai (que a mãe dele lhe contava desde pequeno) e está feita a merda toda: Peat decide o quê? Bingo! Se vingar. E, claro, da PIOR forma possível! Eu, mesma, DESACREDITEI!

Okay, não estou defendendo o Peat, porque a partir daqui ele só fez cagada. Uma após outra. Mas, acho que muita coisa teria se resolvido se o fizessem participar de algumas decisões, se fossem francos com ele, desde o início, sabendo de sua personalidade e, principalmente, se o pai tivesse sido presente. A história é uma bola de neve de erros do passado que só aumentou de tamanho, caindo nos ombros do Peat e, principalmente, de Kiew.

Uma coisa que eu não tenho como negar, por mais que eu quisesse, é que por mais roxo e cego de vingança o Peat estivesse, nos momentos em que ele estava quase amolecendo seu coração, ele demonstrava alguma sinceridade pela Kiew. Não sou ninguém para julgar as escolhas das pessoas e os sentimentos delas – e, sim, ao resenhar, eu trato os personagens como se fossem pessoas reais, porque é mais fácil de criar empatia e falar sobre suas personalidades – e entendo quem discorda de mim, mas tenho por esse lakorn um certo sentimento de “Amor e Ódio”.

Não concordo com nada do que ele fez pra Kiew, e acho que se era pra falarmos de perdão, que ele não durasse tão poucos episódios para acontecer, mas acompanhei a mudança dele, então, vai… digamos que “Okay, aceito”. Mas, é indiscutível que ele foi muito cruel, sangue nos olhos e repleto de frieza em certos momentos... – Tinha hora que, por Deus, eu o xinguei tanto que parecia que era comigo! E, francamente, as coisas que ele faz depois de ler o diário de sua mãe, com o perdão, aqui.. VAI PRA PUTA QUE PARIU, PEAT! Fosse comigo, era um chute no saco e um soco na cara!!!

Tentando não me focar na Vingança escrota que só fez todo mundo, inclusive ele, chorareu, não, porque só senti raiva, mesmo – e direcionando meu olhar para o romance em si – respira – okay, é difícil admitir, mas foi gostosinho acompanhar o Peat se derretendo, seus olhares desconfiados, suas primeiras sensações e reações de gente decente, enterrando o monstrinho que habitava dentro dele e dando lugar a uns sorrisinhos bobos e tímidos que, se fosse num personagem menos problemático, a gente diria “ownnnnn, quero para mim!” logo de cara…

Aliás, a cena do primeiro beijo, da toalha e carinha de bebê chorão que ele faz, e a do beijo com ela bêbada, toda declarandinho pra ele e ele todo amolecido, por incrível que pareça e contradizendo toda a raiva que passei com o thaidrama, foram lindas e deixaram meu coração quentinho! – Não sei explicar, Brasil!

Mas, nem tudo são flores! Às vezes, é extremamente difícil de tragar algumas cenas. Se eu assistir de novo, acredito que passarei a mesma raiva, como se fosse a primeira vez. – E a Chaya é chata demais, mano! Não dá pra gostar dela, ela era puro ódio, não tinha nenhum ponto positivo sobre ela. Não merecia o final que teve!

O fato é que para você assistir esse thaidrama, você tem que ter estômago, paciência e se desprender da ideia de que “aihn, estão romantizando esse relacionamento problemático”.Bota, primeiramente, na tua cabeça que se trata de um lakorn! E que por isso mesmo, traz uma larga e extensa cultura que não cabe a você julgar. Depois, lembre-se que gosto é subjetivo, cada um tem o seu.

Para finalizar, algumas coisas ficaram em aberto e me deixam com vontade de debater a respeito, mas vou deixar pra lá, senão solto spoilers desnecessários! Mas, olha, foi difícil, viu?! A impressão que deu é que acabou a verba, ou os espectadores cansaram do tema “Vingança Descompassada” e a emissora do “recantow pini, recantuopai” pediu para acelerarem o final. Mas, tudo bem, porque na verdade, o Lakorn existiu para trabalhar a temática do “a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena”. Nesse ponto, foi uma boa forma de mostrar isso, eu achei! (Ou não?)

Por fim, a história te prende de uma maneira estranha, porque você não aguenta mais ver tanta vingança gratuita, mas também não quer parar de assistir, embora droppar tenha passado na minha cabeça algumas vezes. – Não sei explicar, mas é isso. – Afinal, uma coisa é certa: Os protagonistas atuam bem! Bem o suficiente para terem química, bem o suficiente para botarem sentimentos diversos na atuação, bem o suficiente para me prender.

Não fosse isso, talvez, só talvez, a experiência tivesse sido pior, porque acredito que, para uma história como essa, se ela não me passasse tais emoções, algo estaria errado. Eu oscilei entre amar e odiar em frações de segundos, diversas vezes, sabem o que é isso? É ponto pro lakorn!

Digamos, apenas, que eu amei o que tinha para amar, mas odiei com mais intensidade o que tinha pra odiar. Tive raiva, mas gostei (pela experiência). Mesmo gostando disso e dos beijos, ainda torcia pelo trator e pelo pitbull. Compreendem?

Vou ficando por aqui, me perdoando por ter, em termos, gostado deste lakorn, – mas, já pensando duas vezes antes de começar outro, porque tinha visto Kleun Cheewit antes deste e tô meio em choque com a Tailândia – mas, com esta última imagem que ilustra muito esse momento do “eu te entendo, não vou te julgar e espero que vocês também não julguem o lakorn por ele te fazer sentir ódio mortal e amor incondicional pelo Peat. E torço para que, sem muito spoiler, eu tenha conseguido passar meu ‘contentamento descontente’ sobre Tra Barb See Chompoo

Se quiserem saber um pouco mais a respeito dos Lakorns e a diferença entre eles e os doramas, você pode acessar aqui ou aqui.


******************** ONDE ASSISTIR ********************
Resenha postada originalmente em: EU ♥ DORAMAS

• DramaskFan •

~ RackysEU ♥ DORAMAS


Inscreva-se no canal do Teoria Geek no Youtube e nos acompanhe também
nas redes sociais do FacebookTwitter e Instagram.