Garota de Fora (Girl From Nowhere) é uma série original da Netflix que é tailandesa realista, bem como, sombria e sinistra para maiores de 18 anos. Nanno, a única personagem permanente na primeira temporada, parece não passar de uma garota normal, mas ela está pronta para escancarar a hipocrisia das pessoas, com ênfase no ambiente colegial.

Garota de Fora - Girl From Nowhere
Ficha Técnica
Origem: Tailândia
Gênero: Sombrio Realista
Temporadas: 2
Episódios: 13 (Primeira Temporada) e 8 (Segunda Temporada).
Exibição: 2018 – 2021 (ativa)
Sinopse: Garota de Fora (inglês: Girl from Nowhere) (tailandês: เด็กใหม่ The Series / Dek Mai The Series) é uma série de televisão em língua tailandesa de 2018 estrelada por Chicha Amatayakul e dirigida por Komgrit Triwimol, produzida pela Netflix. A trama gira em torno de Nanno, uma garota enigmática que se transfere para diferentes escolas e tem a capacidade de expor as diferentes histórias de hipocrisia de cada um. A primeira temporada estreou em 8 de agosto de 2018 no canal GMM 25 e possui 13 episódios no total, com 45 minutos de duração. 
Em 24 de agosto de 2020, a Netflix anunciou que a segunda temporada estava em produção, sendo filmada em Bangkok. Foi lançada globalmente na Netflix em 7 de maio de 2021, com 8 episódios no total.

Nanno - Kitty Garota de Fora - Girl From Nowhere


Introdução


O suspense está posto quando uma personagem carismática e aparentando leveza e inocência se revela um ser mais que justiceiro: diabólico. Ninguém sabe de onde ela veio… Qual sua verdadeira identidade ou qualquer mais relacionado a sua vida. Fato é que se trata de alguém que não é humano, mas geralmente seus alvos só percebem isso tarde demais. Isso é bom por um lado? É ruim pelo outro? Fica a critério de quem acompanha essa tremenda aquisição da Netflix que me manteve acordada por dois dias.

Vale frisar que Nanno não parece poder fazer qualquer coisa diretamente, mas ela é muito boa em persuadir, escancarando o que seu “alvo” realmente deseja e o fazendo pagar muito caro por isso e, nem sempre, sobreviver é o melhor. Aqui não há espaço para a hipocrisia.


Elenco (Primeira e Segunda Temporada)


Nanno

A única personagem permanente e que apresenta a série: Nanno é interpretada por Chicha “Kitty” Amatayakul, ex-membro do grupo feminino “Kiss Me Five” da Kamikaze Records. Ela sempre é uma garota nova na escola que chega no “segundo semestre do segundo ano”, chamando atenção por sua postura e beleza. No entanto, Nanno não é uma garota normal. Ela é um ser imortal que revela a hipocrisia das pessoas à sua volta.

Chicha Amatayakul a definiu certa vez assim::

“Ela é como a filha de Satanás ou a cobra do Jardim do Éden que vem à Terra para dar frutos proibidos aos humanos. Ela está aqui para testar o quão perversos os humanos podem ser.”

Nanno

Yuri

A rival de Nanno só aparece na segunda temporada. Interpretada por Chanya McClory, Yuri dá sinais de existência desde o primeiro episódio dessa mais nova temporada, ganhando logo um episódio só dela. De início, parecendo uma garota frágil e muito comum, Yuri é a única, até então, que recebe a imortalidade de Nanno. Todavia, os métodos de “justiça” utilizados pela nova colega conseguem ser mais extremos a fazendo se tornar uma espécie de “vilã da vilã”.

Yuri


Enredo


Com uma das melhores risadas maquiavélicas que já vi nas telas, Nanno consegue ser uma personagem super carismática mesmo quando se revela. A princípio como uma yandere, ou seja, uma personagem fofa, gentil, aparentando inocência, mas que, na verdade, é totalmente o oposto; a ideia no primeiro episódio parece coloca-la como uma “simples” justiceira. No entanto, cada episódio nos revela um pouco mais do que Nanno representa. Seus métodos, geralmente, são bruscos a fim de revelar o pior em cada ser humano…

Há desde acometimentos hediondos, por exemplo: abuso sexual, roubos e até assassinatos; além de mentiras ocasionais, inveja e indignações momentâneas. Em suma, o que eu aprendi com tudo isso é: cuidado com o que você fala ou deseja. Cada pensamento seu pode se tornar realidade.

Trailer da Primeira Temporada:

Primeira Temporada


Os primeiros episódios têm sido os mais criticados, pois o enredo se mostra meio perdido. Apesar de alguns traços exagerados na “justiça” do primeiro episódio, somente no segundo percebemos que Nanno não é um ser humano de verdade. Gosto da ideia de deixar o espectador decidir se a personagem é uma vilã ou uma heroína. É certo que a maioria, pelo menos, tende a torcer pela justiça. Mas, é difícil não se deixar questionar por alguns dos métodos usados por Nanno. Por exemplo, no primeiro episódio podemos perceber que o erro de uma pessoa pode levar várias outras, que nada sabem sobre o assunto (portanto, inocentes). Nanno não hesita em usar dessas pessoas inocentes.

Fã Clube da Nanno

Episódios Destacados

Em especial nessa primeira temporada, cada episódio parece trazer um elemento novo a fim de conhecermos mais da nossa “justiceira”. Por exemplo, o segundo episódio nos mostra um lado mais no estilo do “horror”; exibindo, de fato, que Nanno é um ser imortal e, até mesmo, diabólico. O episódio 5 “Amor nas redes sociais” dá um destino definitivo para a Nanno na vida de alguém que mentia por status. Os episódios 6 e 7, que possuem o título de “A parede enfeitiçada”, traz um destino definitivo às confusões provocadas pelo desejo de alguém: tratou-se de um estilo a la “Death Note” do Tsugumi Ohba, com direito a “borracha que ressuscita” e tudo (a animação é até mencionada no episódio).

Nanno e a Parede Amaldiçoada

O episódio 8 “Achados e Perdidos” é o único, dessa primeira temporada, que Nanno não solta a sua gargalhada característica. Aliás, foi o único, até então, que ela pareceu sentir peso realmente, nos mostrando um lado “mortal” nela (algo que virá, de fato, na segunda temporada).

Escola e Serial Killer

Meu episódio favorito é o 9: “Armadilha”. A ideia de “serial killer” solto em uma escola parece comum no meio televisivo (e, infelizmente, com forte base na realidade). Entretanto, o que fazer quando há vilões escondidos entre os que tentam se abrigar e se defender desse mal: incluindo alunos e, mesmo, professor? Trata-se de um suspense psicológico de muito boa qualidade, tanto nos enigmas levantados, quanto nas difíceis tomadas de decisões que perpetraram durante todo o episódio.

Contudo, é no episódio 10 “Obrigada, Professora” que vemos Nanno prensar diretamente seu “alvo”, claro que isso no final de tudo. Até então, parecia que tudo ficava subentendido ou que, até mesmo, nem precisasse de explicação ou confronto direto.

Nanno Ranking das Dez Mais

Alguns episódios bem diferentes dos demais…

No episódio 11 “Ranking das 10 mais” podemos sentir uma certa queda brusca na tensão e no estilo sombrio comparado aos demais episódios, isto é, destoa de todos até então. Trata-se de uma filmagem mais clara, com cores vivas, para combinar com o tema envolto em “beleza” e “inveja”.

Por fim, os últimos episódios que formam um: “BFF” se difere por se tratar de uma reunião de ex-alunos. Nanno atormenta e expõe a vida de colegas que já se formaram há mais de 10 anos, relembrando os tempos de escola também (que, aliás, ela fazia parte). O episódio nos dá uma ideia mais forte da imortalidade da Nanno, seu alto poder de manipulação, e que sua idade é um mistério.

Trailer da Segunda Temporada:

Segunda Temporada


Agora sim arrebentaram! Nessa, surge “Yuri”, rival de Nanno que também é imortal. No entanto, Yuri consegue ser mais sinistra do que Nanno e não demonstra qualquer piedade por qualquer dos alvos, chegando, inclusive, a atrapalhar Nanno.

Nanno e MPreg

Episódios Destacados

Há novos elementos aqui, inclusive já inicia com um episódio baseado em MPreg, onde um personagem masculino engravida. Nanno o faz sentir na pele tudo o que ele já fez com várias.

Entretanto, meu episódio favorito aqui é o terceiro: “Minnie e as Quatro Almas”, sendo um terror psicológico tremendamente trabalhado. Contudo, o “golpe final” (e fatal) foi dado por Yuri, não pela Nanno, pela primeira vez.

Quatro Almas

Yuri aparece…

Somente no quarto episódio é que realmente conhecemos a nova personagem fixa e que dará muito trabalho para a nossa Nanno. Com o título homônimo, Yuri aparentemente enganou a própria Nanno dessa vez e isso nos faz perceber que, definitivamente, Nanno não é infalível. Yuri aproveita desses deslizes para tentar eliminá-la nos episódios seguintes.

Nanno em preto e branco

Destaco também o episódio 6: “Libertação”, onde os alunos precisam seguir regras muito rígidas, com conceitos do século 19, e trata-se de um episódio todo em preto e branco. Nanno, destoando, adere a alguns adornos e objetos coloridos provocando, assim, a direção do colégio até o cume do cárcere privado, tortura física e psicológica. Além disso, Yuri já está interferindo ativamente nos casos.

Jenny X

O episódio 7 “Jenny X” talvez seja o mais polêmico dentre os espectadores e, mesmo, dentro da Nanno. A fim de punir uma influenciadora digital que se sente usada pelos pais, Nanno finge ajudá-la, mas não faz isso (é claro). A punindo de um modo bem severo, a própria Jenny X a faz questionar se merecia tal punição. É aí que a imortalidade de Nanno é posta a prova e Yuri se aproveita para tirá-la do caminho e fazer um novo mundo: assim exposto no último episódio da temporada intitulado “O Julgamento”.

Foto da Nanno enviada pela Yuri
Foto da Nanno enviada pela Yuri

Trilha Sonora & Fotografia


Acompanhando o estilo, há trilhas soturnas e sombrias, com algumas nos remetendo a metade do século 20 e o tom abafado parecendo do disco de vinil. Além disso, a Nanno tem uma coreografia para a canção de abertura bem característica, onde ela mantém a expressão sisuda, mas com bastante molejo e sensualidade.

Yuri

No geral, os episódios mostram cenas escuras, avermelhadas e até esverdeadas, aumentando nossas expectativas para o “terror”; não é regra, mas acompanha bem a trama.


Considerações Finais


Fazia tempo que uma série não me atraía tanto, mas lembre-se: você tem que gostar do estilo fortemente inspirado na realidade e em animações tais quais: Death Note e Jigoku Shoujo. Falando por mim, eis alguns pontos que me fizeram gostar muito da trama, mesmo na primeira temporada:

  • Cada episódio responde por si mesmo: há rotatividade de atores, com exceção das principais. Sendo assim, há uma sucessão de casos abordados;
  • O estilo sóbrio da Nanno, carismático e até “iluminado” nos faz surpreender, a cada episódio, com o que ela é capaz de fazer;
  • A experiência de assistir o original legendado e não dublado foi muito importante para mim. Cheguei a assistir um dos episódios na dublagem brasileira e minha sensação foi totalmente outra, até mesmo, dando uma ideia mais infantilizada de tudo. Recomendo muito a experiência no original legendado;

Professora Nanno Ranking das Dez Mais

  • Apesar da trama se passar em colégios no que, para nós, seria o “Ensino Médio”, a série é recomendada para maiores de 18 anos. A história escancara o pior que pode acontecer nas escolas, envolvendo alunos, professores, diretores, pais e afins – o que, infelizmente, permeia na realidade;
  • A criação da “Yuri” foi uma tremenda jogada, pois nos fez perceber certa humanidade na Nanno de forma mais clara. Yuri seria quase como um “Kira” mais sinistra ainda e nos faz querer perceber mais sobre o poder de cada uma.
No entanto, porém, todavia…

A banalização do tratamento à morte, em alguns casos, me deixou um pouco incomodada… Os seres humanos ao redor da Nanno, muitas vezes, pareciam menos humanos do que ela. Que baque de realidade!

Enfim, a série, que é original da Netflix, é extremamente atraente para aqueles que buscam certa adrenalina sem super heróis caricatos, expondo a miséria humana e nos fazendo refletir – sem deixar conclusões claras e óbvias. Afinal, você acha que cada “alvo” merecia o final que recebeu? Alguns, por certo, sim, mas outros… Fala pra nós, JennyX!!!

Ademais, a segunda temporada abriu brecha para novos episódios com muito mais ação e terror. Como será daqui pra frente com a Yuri no comando? Nanno vai voltar?


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