A lenda de Avalon e suas versões

A lenda do Rei Arthur é uma das mais conhecidas do mundo e já foi contada de diversas maneiras. Bernard Cornwell escreveu a trilogia “As crônicas de Arthur”; Howard Pyle escreveu “Rei Arthur e os cavaleiros da távola redonda”; T. H. White escreveu os cinco volumes de “O último e eterno rei”, que deu origem ao filme animado “A espada era a lei” da Disney; além de muitas outras versões em livros, quadrinhos, animações e filmes.
Em 1979, Marion Zimmer Bradley lançou sua própria versão da lenda, “As brumas de Avalon”, quadrilogia que faz parte do “Ciclo de Avalon”.

Ficha Técnica de “As brumas de Avalon”

Origem: Estados Unidos
Gênero: Fantasia
Série: O Ciclo de Avalon (8 sagas)
Saga: Quadrilogia (4 volumes)
Autora: Marion Zimmer Bradley
Editora: Alfred A. Knopf | Imago | Planeta
Ano: 1979
Conteúdo Sensível: +18

    • Sinopse: Viviane é a Grande Sacerdotisa da misteriosa ilha de Avalon, onde ela e suas irmãs foram criadas sob as crenças da Antiga Religião, que cultuava a Grande Deusa.
      Ao ver o seu mundo cada vez mais ameaçado pelo avanço do Cristianismo – que condenava todas as demais religiões tidas como pagãs – Viviane e o merlin dos druídas chegam à conclusão de que precisa haver um rei capaz de conciliar tanto a religião pagã, quanto a nova religião Cristã que se espalha mais a cada dia.
      (
      Livro 1 – A Senhora da Magia)

O Ciclo de Avalon

A série se divide nas seguintes obras:

    • “A queda de Atlântida” em dois volumes
    • Os ancestrais de Avalon
    • A espada de Avalon
    • Os corvos de Avalon
    • A casa da floresta
    • A Senhora de Avalon
    • A Sacerdotisa de Avalon
    • As brumas de Avalon em quatro volumes:
      – A Senhora da Magia
      – A Grande-Rainha
      – O Gamo-Rei
      – O prisioneiro da árvore

Um breve panorama

Viviane e as irmãs foram criadas em Avalon e por motivos políticos e religiosos, cada uma seguiu um destino diferente. Enquanto Viviane se tornava a Grande Sacerdotisa de Avalon, sua irmã do meio, Igraine, foi prometida em casamento ao Duque da Cornualha, Gorlóis. A irmã mais nova, Morgause, é enviada para fazer companhia à Igraine.
Preocupados com a ascensão do Cristianismo, Viviane e o Merlin avisam Igraine sobre a necessidade da Bretanha ser governada por um rei que não apenas seja capaz de unir todas as nações sob uma só bandeira, como também manter a liberdade religiosa dos vários povos que habitam a região.

Assim, Viviane diz à Igraine que ela conhecerá um homem, Uther Pendragon, com quem deverá ter um filho homem. A criança mais tarde seria coroada como Grande Rei da Bretanha.

O destino da Bretanha

Apesar de seguir a orientação dada pela sacerdotisa e pelo Merlin, Igraine acaba por afastar-se da religião de sua infância quando sua filha mais velha, Morgana (filha de Gorlóis), é levada para iniciar seu treinamento como próxima sacerdotisa de Avalon; e seu filho caçula (Arthur) é levado para ser criado entre os druídas, como seu pai.

Então, os dois irmãos são separados e criados sem qualquer contato durante os anos de crescimento. No entanto, no dia da coração de Arthur, no qual ele deve prometer ser leal à Avalon e impedir que as religiões pagãs sejam condenadas e esquecidas pelos padres cristãos, os destinos dos irmãos voltam a se cruzar.
E o destino da Bretanha começa a se definir.

“‒ (…) Um rei deve proteger seu povo dos invasores, dos estrangeiros e chefiá-los na sua defesa. O rei tem de ser o primeiro a colocar-se entre a pátria e todo o perigo, assim como o camponês se levanta para defender seus campos contra qualquer ladrão. Mas não é seu dever proibir ao povo aquilo que, no mais fundo do coração, esse povo deseja.”

Ponto-chave da Quadrilogia

Aqui, a autora opta por contar a história sob o ponto de vista das mulheres que teriam influenciado a trajetória de Arthur e da Bretanha, tendo como plano de fundo a ascensão do Cristianismo e sua dominação dos territórios e religiões pagãos.
É importante notar que a maior parte das personagens femininas que aparecem no livro são seguidoras da Antiga Religião, que idolatra a Grande Deusa.
Os livros seguirão a trajetória de Arthur desde os eventos que tornaram possível seu nascimento, sua ascensão e queda como Grande-Rei, e sua morte.

“Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. (…) E agora que o mundo está mudado (…) é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e suas lendas. (…)Talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho para Avalon, perdido para sempre nas brumas do Mar do Verão.
Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada.”

Política e Religião

No segundo volume da série, o leitor é apresentado à outra personagem que terá grande importância na vida de Arthur: sua esposa Guinevere – ou Gwenhwyfar. Gwenhwyfar é uma dama cristã e muito religiosa, que é dada em casamento como parte de um acordo que garantiria a seu marido, o rei, os cavalos de seu pai.
No entanto, pouco antes de ser levada ao altar, seu coração é capturado pelo jovem capitão da guarda de Arthur, o belo e forte Lancelote.

Gwenhwyfar se torna cada vez mais fervorosa em sua fé, acreditando que sua infertilidade é um punição por nutrir um amor proibido por Lancelote. Ela convence Arthur a abandonar os símbolos pagãos e levar a cruz do Cristo em batalha. Arthur, que não é um homem dado a discussões, faz o que a esposa lhe pede e sua atitude é tida como traição de seu juramento à Avalon.
Para não incorrer no risco de spoilers, vou parar de falar sobre a histórias dos livros aqui.

Adaptação

Os quatro livros foram transformados em filme para a televisão em 2001, com quase 3 horas de duração. Fica o aviso de que é muito difícil conseguir uma cópia.

Sobre a autora

Em 2014, Marion Zimmer Bradley foi acusada de abuso sexual pela própria filha, Moira Greyland e ela chegou a confessar ter ciência de outros abusos cometidos pelo seu então marido, Walter H. Breen. – Não consegui achar maiores informações sobre o caso.
Portanto, minha recomendação é só ler o livro se conseguir separar o autor e a obra.

A leitura

Essa série pode não ser agradável para o grande público, uma vez que a narrativa, apesar de linear, é contada através de várias passagens de tempo e possuí um ritmo lento. Essa é uma história poderosa, com personagens intensos. Todos são bem descritos e têm suas motivações bem construídas.
Morgana, no entanto, se destaca. Não apenas por ser uma personagem importante ao longo dos quatro livros, carregando a história através das quase sete décadas de narrativa, mas também por ser ao mesmo tempo forte e frágil, inteligente e ingênua, poderosa e mortal.

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~SorayaLuferina