Atualizando alguns pontos da história já contada pela própria Disney em 1992 na forma de desenho animado (leia critica aqui), a versão em live action de Aladdin adiciona também alguns personagens extras a história, e entrega boa diversão, que tem seus altos e baixos mas consegue cumprir bem o papel de divertir e encantar.

Ficha Técnica
Lançamento: 23 de maio 2019 (Brasil), 24 de maio de 2019 (EUA)
Dirigido por: Guy Ritchie
Elenco: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Nasim Pedrad, Billy Magnussen, Navid Negahban, Numan Acar, Alan Tudyk (voz)
Gênero: Aventura / Fantasia / Musical
Duração: 128 min

Sinopse

Um jovem humilde descobre uma lâmpada mágica, com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas o que ele não sabe é que a jovem é uma princesa que está prestes a se noivar. Agora, com a ajuda do Gênio (Will Smith), ele tenta se passar por um príncipe e para conquistar o amor da moça e a confiança de seu pai.

Depois de um primeiro trailer que aumentou ainda mais a desconfiança que a versão em live action de Aladdin seria um total desastre (por não mostrarem o gênio), e depois de revelado o visual de Will Smith caracterizado como o poderoso ser da lâmpada, todos estavam bem receosos do resultado final disso tudo. E agora que o filme chegou aos cinemas, posso dizer que o resultado é bem melhor do que tudo indicava.

A história base original contada no longa animado de 1992 está praticamente intocada, apenas com alterações pontuais que fazem mais sentido nos dias atuais. Visualmente o filme está bem bonito, retratando bem a vastidão e aridez do deserto em contraste com uma Agrabah viva, pulsante e cheia de cores. O figurino vem cheio de detalhes, com as roupas típicas de cada classe social retratada e mostra o esmero da direção de arte e figurinistas em levar ao filme toda a beleza e extravagancia das vestimentas da região.  A caverna dos tesouros também foi recriada idêntica ao desenho, porém, achei a fotografia nas cenas dentro dela muito escuras, assim como em todas as cenas noturnas. Talvez por ter visto a versão 3D isso tenha se acentuado mais (alias o 3D do filme não tem nada de espetacular podendo ser visto em 2D tranquilamente).

A trilha sonora que conta com regravações das canções clássicas (Arabian Nights, One Jump Ahead, Friend Like Me, Prince Ali, A Whole New World) e uma música inédita (Speechless) funciona em algumas partes e simplesmente não funciona em outras, gerando estranheza em alguns momentos da exibição. Mas isso não tira o mérito da equipe musical e atores, que cantaram as músicas com muita energia e animação. As cenas de dança são um show a parte!

Playlist da trilha sonora em Português

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No elenco, a maior visibilidade e responsabilidade recaiu sem sombra de dúvidas sobre Will Smith, que teve a dura missão de dar a vida ao personagem icônico do Gênio, e isso era a maior duvida que pairava no ar sobre o filme. Todos se perguntavam se ele daria conta do recado e se o gênio seria crível em live action. Sabiamente, ele não quis imitar a atuação de Robin Willians e imprimiu sua própria marca ao azulão. O personagem convence (mesmo que as CGIs sejam estranhas em alguns momentos) e acaba por cativar a audiência com seu jeito divertido, sagaz e atencioso.

O casal protagonista Aladdin (Mena Massoud) e Jasmine (Naomi Scott) tem química juntos e convencem com suas interpretações. Ele com seu jeito moleque que cresceu nas ruas e sabe de todas as manhas para viver sem recursos. Ela, com personalidade forte, que vê em si mesma a capacidade e força para liderar seu povo mesmo sendo algo impensável aos olhos da sociedade. O mesmo não pode se dizer do vilão Jaffar (Marwan Kenzari) que parece ser jovem demais pro papel e não entrega um sentido de perigo real. Ele apenas quer satisfazer seu ego e ser o mais notado, importante e poderoso de todos que lá vivem, lembrando uma criança mimada, diferente do feiticeiro da versão animada. Personagens que não existiam no desenho são inseridos na trama para dar um suporte aos personagens principais e esticar a duração da projeção. É o caso da personagem Dalia (Nasim Pedrad), serviçal e amiga da princesa Jasmine que entra na história e se mostra uma das  mais divertidas da trama. Ela é o motivo de grande parte dos risos durante o filme.

Já na parte dos personagens inteiramente digitais, o papagaio Iago, parceiro do vilão Jaffar foi o que teve a maior mudança entre as versões da história. Enquanto no desenho ele falava pelos “quatro cantos” e confabulava com Jafar durante toda a trama, aqui ele apenas fica repetindo palavras soltas perdendo toda a identidade que fez dele um dos principais personagens na versão de 1992, uma pena. Já o macaquinho Abu mostra toda a sagacidade e agilidade condizente a espécie, assim como sua contraparte animada. O tapete mágico tinha tudo para ser só mais um adereço na história, mas rende ótimas cenas e consegue fazer a gente se importar e se preocupar com ele.

O diretor Guy Ritchie acostumado a grandes filmes de ação, consegue entregar ótimas sequencias do gênero, com malabarismos do protagonista que empolgam e por vezes impressionam. Não são muitas, mas as que estão no filme são bem coreografadas e com bom uso de câmera para gerar efeitos interessantes.

Por fim, Aladdin se mostra um bom filme, com alguns tropeços aqui e ali, mas nada que prejudique o entretenimento como um todo. É a adaptação mais fiel da Disney feita até agora. Parece que eles estão aprendendo finalmente a como trazer suas obras animadas para live action. E que venham muitas mais.

Trailer

//www.youtube.com/watch?v=vPmSpAz1ZIA

~Marcos Viana


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