REANIMAL | Confira nossa review

REANIMAL
Ficha Técnica
Desenvolvido por: Tarsier Studios
Publicado por: THQ Nordic, Amplifier Studios
Gênero:: Terror
Série:REANIMAL
Lançamento: 13 de fevereiro de 2026
Classificação indicativa: 16 anos
Modos: Sozinho ou cooperativo duas pessoas
Disponível para: PC, PS5 e Nintendo Switch 2

REANIMAL é aquele tipo de jogo que não te dá boas-vindas. Ele te joga num lugar estranho, úmido, silencioso demais, e simplesmente espera para ver quanto tempo você aguenta ali. Desenvolvido pela Tarsier Studios, o mesmo estúdio responsável por Little Nightmares e Little Nightmares II, o jogo mantém a identidade visual perturbadora que já virou marca registrada da equipe, mas aqui tudo parece mais cru, mais orgânico, mais desconfortável. E isso é exatamente o que faz ele funcionar.

História

A premissa é simples: dois irmãos tentando escapar de uma ilha rural tomada por criaturas grotescas e um ambiente que parece estar apodrecendo de dentro para fora. Não há longas explicações, não há diálogos expositivos mastigando o que aconteceu. O mundo conta sua própria história por meio de cenários deformados, estruturas que parecem vivas e criaturas que lembram versões distorcidas de animais de fazenda.

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O grande mérito da narrativa está na ambientação. Cada nova área revela mais perguntas do que respostas, e isso cria uma tensão constante. Você não joga apenas para avançar, mas para entender. Existe algo maior ali, algo errado, algo que claramente saiu do controle muito antes da sua chegada.

Por outro lado, essa abordagem minimalista pode afastar quem gosta de uma trama mais direta. REANIMAL confia demais na interpretação do jogador. Em alguns momentos, você pode terminar uma sequência intensa e pensar: “ok… mas o que exatamente isso significa?”. Para alguns, isso é charme. Para outros, frustração.

Jogabilidade

A jogabilidade segue a estrutura de exploração lateral com foco em puzzles ambientais e cooperação entre os dois protagonistas. É possível jogar sozinho, alternando entre eles, ou em modo cooperativo, o que adiciona uma camada interessante à experiência.

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A movimentação é propositalmente contida. Não é um jogo ágil. Os personagens parecem pequenos demais para o mundo ao redor, e isso reforça a sensação de vulnerabilidade. Fugir é quase sempre a melhor opção. Enfrentar diretamente as ameaças raramente é possível.

Os puzzles são bem construídos, exigindo observação e timing. Nada parece colocado ali por acaso. O ambiente é parte ativa do desafio. Quando funciona, é excelente. A cooperação cria momentos tensos e inteligentes.

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O problema aparece quando o ritmo desacelera demais. Algumas sequências de perseguição são extremamente impactantes na primeira tentativa, mas perdem parte da força se você precisar repeti-las várias vezes. A tensão vira repetição. E repetição em jogo de terror é perigosa.

Sistemas de Progressão

REANIMAL não aposta em árvores de habilidade ou sistemas tradicionais de evolução. Não há números subindo, não há equipamentos novos mudando radicalmente sua abordagem.

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A progressão é baseada na exploração e na compreensão do ambiente. Você avança porque aprende. Aprende padrões, aprende caminhos, aprende como o mundo funciona. A evolução é mais psicológica do que mecânica.

Isso mantém a imersão intacta. Não há menus quebrando o clima ou distraindo da atmosfera. Ao mesmo tempo, pode deixar uma sensação de estagnação para quem gosta de sentir crescimento claro e tangível ao longo da campanha. Aqui, o progresso é sobreviver.

Gráficos e Música

Visualmente, REANIMAL é impressionante. A direção de arte é grotesca sem ser exagerada. A ilha parece doente. Madeira rangendo, estruturas tortas, sombras que engolem o cenário. A iluminação trabalha muito bem com contrastes e áreas escuras que escondem mais do que revelam.

A trilha sonora é econômica. Muitas vezes o silêncio domina a experiência, e quando a música aparece, ela entra para intensificar o desconforto. O design de som é fundamental: passos ecoando, respirações distantes, ruídos que indicam que algo está ali, mesmo quando você não vê nada.

O ponto negativo é que o jogo pode ser emocionalmente exaustivo. A tensão constante cansa. Não existe muito espaço para respiro. É uma experiência densa do começo ao fim.

REANIMAL: Vale a pena jogar?

Se você aprecia terror atmosférico e experiências que priorizam sensação acima de ação, REANIMAL entrega exatamente isso. Ele lembra jogos como Inside em sua abordagem minimalista, mas mantém a identidade própria do estúdio.

Não é um jogo para quem busca combate intenso ou narrativa explicada nos mínimos detalhes. Ele quer te deixar desconfortável. Quer que você preencha as lacunas. Quer que você sinta que está pequeno diante de algo maior. E ele consegue.