PRIMEIRAS IMPRESSÕES | Série: Stargirl

Dividir a vida e desafios de adolescente com as missões de uma super-heroína, é possível? É esse o dilema da colegial, Courtney Whitmore, na nova série da DC, “Stargirl”. Inspirado nas HQs da personagem de mesmo nome, o show promete ser o mais novo núcleo de super-heróis da Gen Z no Arrowverse. Curioso? Então confira a seguir nossas primeiras impressões da temporada de estreia da série.

– Ficha Técnica
Origem: Estados Unidos
Gênero: Ficção-Cientifica, Super-Herói, Ação
Criadores:  Geoff Johns e Lee Moder
Duração: 50 min
Exibição: 2020

Sinopse: Traumatizada pelo desaparecimento de seu pai, a jovem Courtney Whitmore (Brec Bassinger) vê sua vida tomar uma nova direção quando sua mãe Barbara, se casa novamente com o mecânico, Patrick “Pat” Dugan (Luke Wilson), que passa a viver com eles, junto de seu filho Mike. Após sua  sua mãe aceitar uma oferta de emprego, Courtney e sua família são levados a pequena cidade de Blue Valley. Com dificuldade de se ajustar, a adolescente toma um novo rumo, quando ela descobre que seu padrasto é, na verdade, o ex-sidekick do grande herói Starman, e que ela é a nova escolhida do Cajado Cósmico, para continuar seu legado. Agora, com a ajuda de Pat, a jovem deve aprender a se tornar uma super-heroína, afim de impedir os planos malignos da Sociedade da Injustiça, e sua nova arqui-inimiga.

 

//youtu.be/u9ozPOr7Vgk

 

QUEM É STARGIRL?

Mesmo sendo uma persona oculta entre os grandes nomes da Liga da Justiça, Courtney Whitmore com certeza não é uma novata as telas. Apesar de relativamente jovem nas HQs, tendo feita sua primeira aparição nas paginas coloridas de Stars and S.T.R.I.P.E. #0, em Julho de 1999, Courtney comemora uma longa jornada de mais de 20 anos de sucesso. A heroína foi um sucesso de público logo de cara, trazendo um ar jovem e humorístico da “Adolescente Americana”, que conquistou o público. Seu carisma a levou a inúmeros cameos e aparições em diversas animações da DC. Entre elas: “Liga da Justiça: Ilimitada”,“Batman: Os Bravos e Destemidos”,Justiça Jovem, e mais recentemente, na minissérie animada “Justice League Action”. Além disso, a personagem também teve destaque nas temporadas finais de “Smallville”, e no filme derivado da série, “Smallville: Absolute Justice”.

Stargirl

Uma heroína popular entre os fãs, Stargirl sempre cativou o público por ser uma adolescente com intenções heroicas, mas ainda assim, não livre de sentimentos comuns a alguém de sua idade, como ciume, antecipação, e relatividade a problemas comuns da idade. Ela inclusive chegou a ter uma inimizade com Supergirl durante sua aparição na animação“Liga da Justiça: Ilimitada”, onde a personagem demonstra ciume e desdenha da personagem por sua popularidade. Algo que poderia facilmente ser colocado nas perspectiva de um intervalo de ensino médio. Essa humanização cômica e realista, se apresenta na performance de Brec Bassinger no papel da heroína estrelada, porém com um tom levemente mais sério.

Stargirl, Brec Bassinger

Outra adição interessante a personagem, é a dinâmica com sua arma de poder, o Cajado Cósmico. Dado  como um dos objetos mais poderosos do Universo DC, o mesmo é apresentado como um potencial alívio cômico. Tendo uma consciência própria e muito opinativa, o acessório possui uma personalidade inquieta, determinada, e ansiosa, sempre em busca de uma oportunidade para atacar. Com Courtney, entretanto, ele também tenta ser o mais prestativo e obediente possível, apesar de nem sempre estar de acordo as vontades da usuária.

 

UM REMAKE DA HEROÍNA

Stargirl

Quando rumores da nova série circularam a internet, muitos internautas cogitaram o retorno da versão da Stargirl apresentada ao público na segunda temporada de Legends of Tommorow. Sendo que, nessa versão, Courtney já é adulta, e substitui Starman na liga de heróis, com uma postura muito mais madura e rígida. 

Entretanto, para a surpresa de muitos, a nova produção não corre afiliações com a versão anterior. Contudo, os produtores declararam que essa versão de Stargirl ocorre na infame Terra 2, e não possui nenhum afiliação a anterior. Ao contrário de outros casos de Doppelgangers, como Black Canary e Black Siren, Caitlyn Snow e Killer Frost, ou até mesmo Cisco Ramom(Vibe) e Cynthia Reynolds(Gypsy), as heroínas de mesmo nome não compartilham uma linha temporal no Multiverso, ou qualquer relação sequer mencionada até o momento. Sendo assim, a nova versão de Brec Bassinger apresentada na atualidade da Terra 2, enquanto a anterior, interpretada pela atriz Sasha Grey, fazendo parte do passado da Terra 1.

Portanto, a heroína ganhou uma  ficha limpa a preencher no novo Arrowverse, especialmente considerando que, a princípio, a mesma já ocorre na nova realidade, criada a partir dos eventos apocalípticos e cósmicos do crossover de Crise nas Terras Infinitas.  Na nova realidade, à Terra-2 parece já ter ultrapassado o êxtase sua Era dos Heróis, sendo que os mesmos já tem inclusive HQs e paginas da Wikipédia dedicados a eles. Ainda não se sabe sobre como sera a integração com à Terra 1 sera feita, mas os produtores revelaram que crossovers podem ser esperados para o futuro.

LEGADOS DO PASSADO

Stargirl

Uma das melhores partes da nova série da DC, é a retomada das raízes e origens do heroísmo da Era Dourada dos quadrinhos. Indo em uma direção oposta a até então temática dos “Vigilantes”, a Stargirl resgata os valores, estilo e nomes esquecidos da Era Dourada dos Heróis, incorporando uma conexão entre os grandes supers da antiga Sociedade da Justiça, antecessora inclusive da Liga da Justiça atual, através da apresentação de legados dos heróis caídos. Assim, ao invés de introduzir novos heróis, a série recicla alguns de seus melhores ícones do passado, como Wildcat, Homen-Hora e Doutor Meia Noite, através de suas relíquias. Isso é tratado através dos valores dos personagens em relação ao super-heróis, que ganham seus títulos ao demostrarem alguma peculiaridade de superação.

Stargirl luta contra Sportmaster e Tigress

Exemplo disso, é a falta da temática  de “super poderes” próprios. Contrariando o estilo predeterminado de séries como Flash e Supergirl, onde os personagens possuem habilidades sobrenaturais. Ou Arrow, com os vigilantes assassinos e exímios lutadores.  Assim, os personagem Stargirl determinam uma nova categoria, com novos heróis sem treinamento, porém equipados com armas e acessórios aprimoradores e poderosos de alta tecnologia. Cada uma delas com suas próprias vantagens, funcionalidades, exigências e limitações, que beiram a linha do mais próximo possível a realidade do mundo real. Afinal, nem todos podem ser o Superman.

 

A DIFÍCIL REALIDADE DOS TEEN Z

Yolanda e Beth conversam com Courtney/Stargirl

Uma das principais características da nova produção do CW Seed é a constante reflexão da realidade dos jovens da geração Z e Alpha. Talvez tentando se por como uma espécie de “Euphoria” para fãs de HQs, a série traz conflitos sociais e psicobiologia que os personagens carregam, e lidam, de diferentes formas. E assim, criam uma persona racional sobre o que seria um Jovem Herói dos dias atuais, indo além de apenas crianças superpoderosos correndo em fantasias pela cidade.

 

SOCIEDADES, SUPERVILÕES E MUITO MAIS

Vilões da Sociedade da Injustiça

Algo que,  todos os fãs da série ficaram felizes em ver, é a aparição da infame Sociedade da Injustiça. De fato, Stargirl é talvez seja a primeira série do Arrowverse a apresentar uma Liga de Supervilões, sendo que na maioria das vezes os Vigilantes enfrentam inimigos individuais, ou organizações criminosas mais extensas. Entretanto, a série mostra um conjunto bem característico de vilões, que incluem Iccle como lider, e Rei Dragão, Brainwave, Tigressa, Wizard, Sportsmaster, Gambler e, o pior de todos, o infame morto-vivo  Solomon Grundy.

Sportmaster e Tigress

Os vilões da série, contudo, tem uma característica única: eles vivem vidas normais em conjunto a suas atividades criminosas. Não apenas constituindo famílias, pagando hipotecas, mas também nutrindo carreiras, e até mesmo mostrando grande afeto e entusiamos a seus filhos, como demonstrado pelos pais de Artemis Crook, filha de Sportmaster e Tigress, que sempre tiram parte do dia para ver o treino da filha, e torcer por ela.

Algo a destacar nesse núcleo, é o livel sociopata e extremamente frio de ação dos personagens. Algo mostrado desde o incio da série é sua facilidade e falta de remorso de matar inocentes, até mesmo crianças, sem excitar. Inclusive seus próprios membros. Com isso podemos prever que não haverá excitação de sua parte em matar os heróis. Ou até mesmo suas famílias, sem misericórdia. O que põe o público ainda mais na ponta das poltronas a cada combate.

 

FUTURO DA SÉRIE

Stargirl, Brec Bassinger

Desde já podemos afirmar que a temporada piloto de “Stargirl” será apenas uma introdução, com tanto os personagens quanto a narrativa, e o próprio cenário a ser desdobrado no futuro estando em uma fase preparatório (treinamento, amostragem de razões, e apresentação do universo). Isso é ótimo, pois permite o público de habituar bem a história, e aumenta ainda mais o desejo pelas próximas temporadas. Principalmente com as diferentes pistas e easter-eggs que o show joga constantemente no decorrer das cenas.  Com isso, o show não mede esforços para aumentar a antecipação dos fãs pelas próximas seasons. Constantemente incluindo personagens e teorias a serem exploradas no background das cenas,  assim como pistas de novos heróis como Jessica Cruz como Lanterna Verde, e o Cavaleiro Brilhante.

 

CRITICA FINAL

Nova sociedade da justiça se une pela primeira vez

Stargirl tem tudo para ser a próxima grande estrela do universo expandido da DC. Desde sua estreia, no último mês de maio, a série já tem grandes91 de números de aprovação, com cercada de 91% na crítica do Rotten Tomatos. A série combina uma grande porção de realidade dos jovens da Gen Z a temática de super-heróis da DC. Por fim, trazendo algo semelhante ao que animação de Super Choque fez nos anos 2000.

Tanto o elenco quanto os personagens trazem historias complexas e narrativas que mantêm o público em prantos de emoção. Indo de tons humorísticos á dramáticos, passando por cenas de combate altamente performáticas e muito animadas. Cliches básicos do gênero caem por terra, enquanto trazem diferentes perspectivas dos Herois, Vilões e personagens de suporte. Outro destaque é a “bussola moral” da série, que gira 360 graus a todo instante. Assim, fazendo você olhar com compaixão e ódio os vilões, enquanto torce pela vitória dos heróis.

No geral, a série é uma ótima dica para quem quer a ação e companheirismo de Supergirl e a qualidade de ação de Black Lightining. Tanto os efeitos especiais, quanto o roteiro e a direção produzem cenas marcantes, que parecem ter aprimorado muito os erros e acertos de seus antecessores. Em conclusão, Stargirl é a nova candidata a obsessão dos fãs do Arrowverse e, principalmente, dos Cosplayers, em 2020.

Selo de Aprovação TG para a série Stargirl