A cultura do entretenimento é enraizada por valores folclóricos e estereotipados a respeito do gosto do público. Atualmente todo roteiro tende a ser extremamente auto-explicativo e detalhado, não permitindo que o telespectador pense por si só. Cenas rápidas, com poucas cenas subjetivas, são utilizadas para não deixar o público “na dúvida”. Os protagonistas, geralmente, são unilaterais e nunca questionam a situação em que se encontram. E quando há tristeza, drama ou perigo, logo a situação é contornada com um “milagre” ou momento dantescamente roteirizado para ser tragicômico.

Por que os chamados “filmes cabeça” são menosprezados pelo público: pura e simplesmente porque o cinema, como qualquer outro serviço de consumo, é feito para crianças e pré-adolescentes  que não se sentem na obrigação de entender falas complexas ou filosóficas. Isso acontece em vários filmes tidos como “inteligentes”: Donnie Darko, Árvore da vida e mais recentemente “Mother” podem ser nichados dentre deste tópico.

MÃE! conta a história de uma jovem restauradora (Jennifer Lawrence) que se casa com um poeta mais velho com bloqueio criativo  (Javier Bardem) e juntos vão morar numa casa isolada onde começam a receber visitas de desconhecidos que testam a harmonia do casal. Sim, temos uma sinopse bem simples, e de certa forma até desinteressante, porém, MÃE! não foi construído em cima da história de superfície, e sim em suas camadas cheias de simbolismos.

A alegoria critica a forma como lidamos com figuras icônicas, com nossa obsessão pelo sagrado, pelo ídolo e pelo messiânico propõe discussões interessantes. Há inclusive uma novidade temática aqui, que é uma forte crítica ambiental, possivelmente influenciada pela formação do diretor como biólogo de campo pela The School for Field Studies no Quênia em 1985.  Todavia, um filme do Darren Aronofsky não pode faltar seu tema onipresente – a obsessão.

Toda essa contenda criativa que foi discutida recentemente vem de uma falta de cultura ou dos que são alheios à cultura criativa. Não é de se surpreender que, em uma sociedade fã de eternas franquias como Fast and Furious e Transformers, filmes como Mother sejam considerados tediosos e sem nexo.

Falta leitura de mundo e de ambientação ao telespectador. Isso só é criado a partir de leituras anteriores de livros, revistas e outros filmes que podem e devem ser dados nas escolas e em momentos onde as discussões se permitem ser mais filosóficas e abstratas. E não me refiro apenas ao papel da escola, mas da família, amigos e ambientes virtuais onde a aprendizagem pode se dar de forma mais democrática e questionadora. Fóruns de internet e grupos de whatsapp estão aí pra isso: disseminar filmes de arte e interagir com semelhantes que queiram discutir a arte como forma de crescimento cognitivo.