Teoria Geek

Pediu desculpa, mas não desligou o robô | Level-5 quer cortar produção de cinco anos para dois

Professor Layton provavelmente resolveria o problema com três pistas, uma xícara de chá e um quebra-cabeça envolvendo fósforos. A Level-5 escolheu uma alternativa mais controversa: inteligência artificial.

Akihiro Hino, presidente do estúdio responsável por Professor Layton, Inazuma Eleven, Yo-kai WatcheFantasy Life, reconheceu que a apresentação LEVEL5 VISION 2026 II utilizou IA generativa em diferentes momentos. Ele pediu desculpas a quem se sentiu incomodado, mas deixou claro que a empresa continuará experimentando com a tecnologia.

O robô apareceu sem ativar o modo furtivo 

Durante a transmissão, espectadores identificaram imagens com movimentos estranhos e outros sinais associados a conteúdo gerado por IA. Uma das cenas mostrava uma personagem de Inazuma Eleven fazendo embaixadinhas, enquanto a bola parecia surgir inesperadamente fora do enquadramento.

Na declaração publicada por Hino, o executivo explicou que a tecnologia foi utilizada como parte de um experimento para tornar a apresentação mais chamativa. Em seguida, desculpou-se com o público que considerou o resultado desagradável.

Contudo, o pedido de desculpas não veio acompanhado do botão “desinstalar”. A Level-5 pretende continuar testando IA em seu processo de produção.

Cinco anos entram, dois anos saem

A meta declarada é reduzir o desenvolvimento dos grandes títulos da empresa de aproximadamente cinco para dois anos.

Segundo a Famitsu, Hino acredita que a automação de determinadas tarefas poderá liberar os profissionais para dedicar mais tempo aos elementos criativos dos jogos.

O objetivo chama atenção porque a Level-5 possui um currículo considerável de batalhas contra o calendário. Inazuma Eleven: Victory Road, por exemplo, chegou a ser planejado para 2018, enfrentou sucessivos adiamentos e acabou lançado somente em 2025. Nesse caso, o verdadeiro chefe final não usava magia nem chute especial, apenas atualizava a data de estreia.

A criatividade continua humana, segundo a Level-5

Hino afirma que roteiros, personagens, conceitos básicos e demais elementos responsáveis pela identidade das obras continuam sendo produzidos por pessoas.

A IA seria aplicada principalmente na digitalização de trabalhos humanos, como transformar desenhos originais em modelos poligonais. O presidente também garantiu que os jogos comercializados não receberão resultados gerados de maneira descuidada diretamente pela tecnologia.

Essas informações, contudo, partem da própria empresa. Ainda não existe documentação pública detalhando quais ferramentas são utilizadas, quanto trabalho humano permanece em cada etapa ou quais critérios definem um conteúdo como “descuidadamente gerado”.

Como observou a Automaton, a Level-5 está em fase de tentativa e erro. Portanto, a redução de cinco para dois anos representa uma ambição, não um resultado já alcançado.

O cronômetro ainda precisa provar a teoria

A estratégia transforma a controvérsia da apresentação em algo maior do que algumas imagens esquisitas. A Level-5 enxerga a inteligência artificial como ferramenta central para acelerar seus projetos e reorganizar a produção de franquias importantes.

Resta descobrir se o estúdio conseguirá encurtar o calendário sem reduzir junto a qualidade, a autoria humana ou a confiança do público. Afinal, qualquer IA consegue prometer uma solução rápida quando ninguém pediu para ela mostrar a planilha completa.

Por enquanto, Hino pediu desculpas, agradeceu as críticas e manteve o robô ligado. Agora começa o verdadeiro quebra-cabeça: provar que dois anos podem produzir um grande jogo, e não apenas cinco anos de problemas comprimidos.

 

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