A Apple TV levou uma ilha amaldiçoada para a maior premiação da televisão. Quando as forças demoníacas terminaram o serviço, faltavam 14 estatuetas na mesa.

Widow’s Bay encerrou o Emmy como a produção cômica mais premiada em uma única edição. A série conquistou 14 dos 19 prêmios aos quais concorria, atravessando categorias técnicas, atuação, roteiro, direção e, finalmente, melhor série de comédia.

Portanto, vale corrigir a primeira contagem: foram 14 vitórias, não 13. O resultado também não empatou o recorde anterior. Ele superou as 13 estatuetas recebidas por The Studio em 2025.

A maldição funcionou no regulamento

Criada por Katie Dippold, Widow’s Bay acompanha Tom Loftis, prefeito de uma ilha da Nova Inglaterra cujos habitantes acreditam que o lugar está amaldiçoado. Ele tenta tratar as superstições locais como exagero coletivo, até descobrir que monstros, fenômenos sobrenaturais e forças demoníacas não costumam respeitar decisões administrativas.

A mistura de terror com humor permitiu que a produção concorresse como comédia, embora boa parte de sua identidade visual pareça saída de uma gaveta trancada da família Addams.

Esse equilíbrio ajudou a série a chegar à cerimônia principal depois de conquistar oito Creative Arts Emmys, entregues anteriormente às equipes técnicas. O terror já havia entrado no prédio pela porta dos efeitos. Faltava apenas descobrir quantas estatuetas carregaria pela saída.

Oito no porão, seis no palco

Na cerimônia principal, Widow’s Bay venceu todas as seis categorias que ainda disputava:

  • Melhor série de comédia;
  • Melhor ator de comédia para Matthew Rhys;
  • Melhor atriz coadjuvante para Kate O’Flynn;
  • Melhor ator coadjuvante para Stephen Root;
  • Melhor direção para Hiro Murai;
  • Melhor roteiro para Katie Dippold.

Somadas aos oito prêmios técnicos e criativos, as conquistas elevaram o total para 14. A relação completa pode ser consultada na página da Television Academy.

A vitória principal também confirmou que a Academia não premiou somente maquiagem, efeitos ou desenho de produção. A série foi reconhecida pela forma como contou sua história, conduziu os atores e transformou uma prefeitura insular no pior ambiente de trabalho desde a filial de O Iluminado.

Matthew Rhys completou a árvore de habilidades

Matthew Rhys saiu da cerimônia com dois Emmys de protagonista. Além da vitória por Widow’s Bay, o ator foi premiado como melhor ator de minissérie, antologia ou filme para televisão por O Monstro em Mim.

Segundo a Entertainment Weekly, ele se tornou o primeiro intérprete a ganhar duas categorias de atuação principal numa mesma edição.

O resultado ainda completou uma combinação inédita. Rhys já havia vencido como protagonista de drama por The Americans, em 2018. Agora, possui prêmios principais em drama, comédia e minissérie, como alguém que desbloqueou todas as classes antes da batalha final.

Kate O’Flynn e Stephen Root completaram o domínio do elenco nas categorias coadjuvantes. Com isso, a família disfuncional de uma ilha amaldiçoada levou mais troféus de atuação do que muita série perfeitamente saudável e localizada no continente.

O fantástico saiu do porão

Produções de terror costumam receber atenção nas categorias de maquiagem, som, fotografia e efeitos visuais. Quando chega o momento de premiar roteiro, direção, atuação ou melhor série, entretanto, os monstros frequentemente são convidados a aguardar do lado de fora.

Widow’s Bay atravessou essa barreira. A produção não precisou esconder o sobrenatural sob o rótulo de “drama psicológico” nem fingir que os demônios eram metáforas cuidadosamente vestidas para a temporada de premiações.

Essa talvez seja sua conquista mais interessante para o público geek. Uma obra assumidamente fantástica ocupou o centro do Emmy e venceu justamente nas categorias que costumam permanecer reservadas a comédias familiares, sátiras corporativas ou pessoas ricas sofrendo em hotéis caros.

Durante anos, o terror foi chamado à cerimônia principalmente para maquiar cadáveres e produzir barulhos no escuro. Desta vez, o monstro escreveu, dirigiu, atuou e ainda venceu como melhor comédia.

Enfim, a maldição de Widow’s Bay pode até ser difícil de quebrar. Depois de 14 Emmys, porém, ninguém na Apple parece interessado em chamar um exorcista.

 

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