Em cartaz nos cinemas, o documentário O Primeiro Beijo, da diretora baiana Urânia Munzanzu, chega como quem não pede licença.
Afinal, o filme não entra na sala escura para entreter: ele invade a tela como um grito, um manifesto pela vida de mulheres negras deixadas à margem, sobretudo aquelas atravessadas pela dependência química, pela violência e pela ausência absoluta de políticas públicas.
O que esperar
O documentário reúne entrevistas e relatos cheios de coragem, dor e humanidade, colocando no centro mulheres dependentes químicas, seus familiares e todas as contradições de um país que normaliza o abandono enquanto discursa em cadeia nacional sobre “cuidado”.
Além disso, nessa produção não tem romantização, pois Urânia mostra a dura realidade de mulheres que lidam com o crack como uma verdadeira “tecnologia de escravização moderna” — definição da própria cineasta.
| Título: O primeiro beijo |
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| Ano de Produção: 2025 |
| Dirigido Por: Urânia Munzanzu |
| Estreia: 20 de novembro de 2025 |
| Duração: 110 minutos |
| Classificação: 16 anos |
| Gênero: documentário |
| País de Origem: Brasil |
| Sinopse: O documentário aborda a realidade de mulheres negras no Brasil que enfrentam a dependência de crack. O filme explora as intersecções entre questões raciais, de gênero e desigualdade social, utilizando depoimentos diretos para contextualizar as histórias pessoais das participantes, com a participação de Elza Soares na trilha sonora. |
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“O primeiro beijo” — e a ironia amarga dessa expressão
Em Salvador, essa é a maneira como muitas mulheres nomeiam sua primeira experiência com a droga.
Tem poesia na frase? Tem. Mas é aquela poesia que corta.
A diretora explica que, para essas mulheres, até o afeto — que deveria ser leve — chega atravessado por violência, racismo, pobreza, e um Estado que sempre socorre tarde, mal, ou nunca.
Além disso, depois de 14 anos de pesquisa, o filme ganhou um reforço de peso: a voz imortal de Elza Soares, narrando o poema “Canarinhas da Vila”, de Landê Onawale.
Já a trilha sonora original é de Jarbas Bittencourt, e a equipe do filme é majoritariamente negra — uma escolha estética e política que faz toda a diferença.
Nada de explorar a dor: o cuidado vem antes da câmera
Urânia tomou uma decisão que muda tudo: tirou as mulheres da rua e as levou para um teatro. Camarim, banheiro limpo, comida boa, água fresca. Um ambiente seguro para existir — e não só sobreviver.
O filme nasceu lá atrás, em 2006, quando Urânia, ainda jornalista, cruzou com Rilda, uma mulher negra em dependência química severa, que fez um pedido urgente: “Eu vou morrer. Mas antes disso, quero falar dessa droga.”
A partir dali, esse encontro virou missão, pacto e roteiro.
Segundo seus idealizadores, o filme evidencia que o crack não é um capítulo isolado, mas parte de um ciclo alimentado pela necropolítica brasileira.
A coprodutora Susan Kalik reforça: entender o crack exige entender a estrutura que o produz — e que se beneficia de uma população vulnerável e descartada.
Equipe de peso e intenção maior ainda
Com produções associadas de Lázaro Ramos e Thiago Gomes, o documentário amplia o debate sobre como criamos e naturalizamos nossas “cracolândias”.
E, ao fim, o recado de Urânia é um só: “É pra meu povo. É pra gente não morrer.”
Se liga!
Por enquanto, a exibição do documentário é restrita a salas específicas, especialmente em Salvador (BA), onde segue em exibição em locais como o Saladearte CineMAM.
Para o público em geral, é necessário ficar atento e verificar a programação do cinema local, já que até o momento não há previsão de data de exibição. Já o streaming não possui a obra acessível… ainda.
No fim das contas, resta aguardar. Um fato é: O primeiro beijo não é só um filme, é aquele tapa que deixa a marca certinha da realidade em nossa cara. E você? Está ansioso para conhecer essas histórias?
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