RESENHA | Filme: O Homem Invisível

Detentora dos direitos dos monstros mais famosos do cinema (Drácula, Lobisomem, Múmia, etc…) a Universal revive nesse filme mais um dos seus monstros clássicos: O Homem Invisível, cuja versão original foi lançada em 1933 e foi baseada no conto clássico de H. G. Wells. Neste novo filme a história é diferente dos antecessores, mantendo apenas o título e a ideia de alguém que não pode ser visto. E após alguns lançamentos do gênero bem fracos nesse ano, eis que surge esse filme que mostra a que veio.

Ficha técnica
Título OriginalThe Invisible Man
Duração: 125 minutos
Ano produção2019
Estréia27 de fevereiro de 2020 (cinemas), 20 de março (on demand)
DistribuidoraUniversal Pictures
ElencoElisabeth Moss, Oliver Jackson-Cohen, Harriet Dyer
DireçãoLeigh Whannell
Classificação14 anos
GêneroSuspense/Terror
Países de OrigemEstados Unidos

 

      • Sinopse: Depois de fugir de seu namorado com quem mantinha uma relação abusiva, Cecilia começa a questionar sua própria sanidade quando desconfia que o seu ex conseguiu uma maneira de atormentá-la sem que ela possa fazer nada para se proteger ou revidar, pelo fato de não conseguir enxergar ele que aparentemente está invisível.

 

Um dos trunfos de O Homem Invisível, é abordar um tema pesado, mas muito atual e que assola milhares de mulheres ao redor do mundo: violência doméstica e relacionamentos abusivos. Esse tema torna a história muito mais crível e também muito mais angustiante a pavorosa, pois o fato de uma pessoa violenta conseguir tornar-se invisível para atormentar sua parceira poderia muito bem ser uma realidade caso a tecnologia para tal existisse, visto o número de casos de parceiros que não aceitam o fim de um relacionamento e fazem loucuras com suas ex.

O Homem Invisível

O longa já começa com uma sequência que dá aula em como gerar suspense no público. Vemos Cecília (Elisabeth Moss) acordando na calada da noite e levantando sorrateiramente para fugir da sua casa enquanto vemos um homem dormindo profundamente na cama ao seu lado. Esse início, apesar de não haver nenhum diálogo, consegue de forma acertada devido a atuação fenomenal da atriz, mostrar o inferno em que ela vivia com seu parceiro. As expressões de medo e pânico retratadas dão a entender que para ela estar tomando tal atitude, Cecília deve ter passado por maus bocados ao lado de Adrian (Olivier Jackson-Cohen). Avançando um pouco os acontecimentos, acompanhamos Cecília tentando tocar sua vida agora longe de seu algoz, porém cheia de traumas devido as suas experiências. A vida dela parece que vai começar a melhor quando ela é informada que Adrian se suicidou. Seria o fim de anos de terror e o início de uma vida tranquila, porém logo ela começa a sentir que algo não está certo e ela sente como se estivesse sendo vigiada por alguém…

Uma das grandes verdades dos filmes de terror/monstro é que “o que não é visto, é temido”. A maioria dos filmes com alguma espécie de monstro são mais efetivos em causar medo enquanto a criatura em questão não é vista e sim apenas sugerida. Tubarão de Spielberg tá aí pra comprovar isso. Então ao assistir um filme que se chama O Homem Invisível, o óbvio é que saberemos que ele estará presente ao longo da trama mesmo que não vejamos ele, e é aí que está o grande trunfo desse filme. Ao sabermos de todo o background da história de Cecilia com seu namorado psicopata Adrian (que por um acaso é um grande físico de renome), já ligamos os pontos e imaginamos o grande problema que ela poderá a vir ter que enfrentar se de fato ele descobriu como se tornar invisível.

A direção eficiente de Leigh Whannell (Jogos Mortais) brinca com os nervos do expectador. Primeiro ao não abordar o longa baseado no ponto de vista do “vilão” e sim da vítima, o que rapidamente gera uma ligação do expectador com a protagonista. Ao presenciarmos tudo o que ela vê (ou não vê) nos tornamos cúmplices e ao passo que as pessoas ao redor dela não acreditam nos seus relatos, isso torna a experiência muito mais angustiante para a gente. Segundo, ao criar longos planos em que a personagem encara algum cômodo vazio a procura de algo que indique a presença de alguém. Enquanto assistimos essas tomadas não paramos os olhos um segundo em busca de algum indicio de que ela não está de fato sozinha ali. Isso vai gerando um desconforto crescente e uma agonia real, raramente vista em um filme desse gênero.

Outro mérito é que apesar de ser um filme de terror/suspense, a fotografia do filme é relativamente clara com a maioria das cenas bem iluminadas para que possamos ver todos os detalhes do ambiente. O design de produção aposta em ambientes modernos e clean (casa do Adrien) para dar um ar moderno a trama, fugindo do que geralmente se vê nesse tipo de gênero. Os efeitos especiais quando usados são bem convincentes e impressionam pelo realismo.

E vale ressaltar que grande parte do êxito do filme se deve a incrível atuação de Elisabeth Moss, que usa o corpo de forma magnífica pra expressar todos os traumas sofridos pela personagem, seja na forma meio arcada ao caminhar como se estivesse sendo pressionada por uma mão gigante), as expressões faciais que dizem muito mais que qualquer palavra poderia dizer, desde um leve sorriso ao imaginar que talvez sua vida possa enfim melhorar, a total frustração quando ninguém acredita nos seus relatos que alguém invisível está perseguindo ela. Enfim, uma atuação digna de aplausos em pé.

O Homem Invisível

Então, sem falar muito mais sobre a trama afim de evitar spoilers e grandes surpresas (o filme tem uma cena que é um verdadeiro soco no estomago de quem assiste), fica a recomendação para conferir O Homem Invisível. Um excelente suspense que além de entreter de forma convincente, mostra os estragos que uma relação abusiva pode fazer com o psicológico de uma mulher, gerando debates sobre violência doméstica e formas de evita-la.

* Para denunciar violência contra a mulher, ligue 180. 

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