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O anime perde um de seus guias | Yūji Yanase morre aos 59 anos

Yūji Yanase passou mais de três décadas desenhando movimentos, organizando cenas e conduzindo personagens por mundos fantásticos. Sua carreira teve isekais, espíritos de fontes termais, vilãs ambiciosas e protagonistas com habilidades que fariam qualquer sistema de RPG pedir demissão.

Desta vez, entretanto, a jornada foi interrompida sem qualquer aviso nos créditos.

O diretor e animador japonês morreu em 22 de agosto de 2026, aos 59 anos, vítima de infarto agudo do miocárdio. A morte foi comunicada publicamente em 2 de setembro pela MAHO Film, estúdio ao qual estava ligado, e pelas equipes das duas séries que dirigia nesta temporada.

A notícia chegou enquanto o trabalho permanecia no ar

No momento da morte, Yanase dirigia simultaneamente The World’s Strongest Rearguard: Labyrinth Country’s Novice Seeker e The Insipid Prince’s Furtive Grab for the Throne, ambas atualmente em exibição no Japão.

Sendo assim, as respectivas equipes lamentaram a perda e agradeceram ao profissional pela paixão, dedicação e forma afetuosa com que conduzia as produções.

A causa da morte foi divulgada por sua esposa, a animadora Masami Koiwa. Segundo o Nikkan Sports, ela afirmou que a perda foi tão repentina que a família ainda tentava assimilar o ocorrido.

Apesar de Yanase estar envolvido em duas produções ao mesmo tempo, nenhuma fonte oficial relacionou sua morte à rotina profissional. Qualquer conclusão nesse sentido seria especulação, algo que não merece lugar numa despedida.

Do lápis à cadeira de diretor, sem abandonar nenhum dos dois

Nascido em 22 de julho de 1967, Yūji Yanase começou a carreira como animador. Antes disso, chegou a sonhar com os mangás e apresentou um trabalho à revista shōjo Ribon. A avaliação ficou próxima de uma premiação, porém ele decidiu buscar uma profissão mais estável dentro do desenho.

“Estável”, naturalmente, é uma palavra bastante otimista para descrever a indústria de anime.

Em entrevista concedida em 2017, Yanase contou que desejava ganhar a vida desenhando e entrou num estúdio ligado à Sunrise após encontrar um anúncio numa revista especializada. Ao longo dos anos, avançou da animação para a supervisão de desenhos, os storyboards e a direção de episódios.

Seu primeiro trabalho como diretor principal foi Himegoto, lançado em 2014. Mesmo depois de assumir produções inteiras, contudo, continuou participando diretamente de storyboards, direção de episódios e supervisão de animação. Yanase não apenas apontava para onde o barco deveria seguir, também descia ao convés para remar.

A partir de 2019, tornou-se um dos nomes mais recorrentes da MAHO Film, estúdio no qual passou a trabalhar oficialmente como funcionário em 2023. Sua filmografia recente ficou especialmente associada às fantasias e aos isekais, gêneros nos quais comandou várias adaptações de light novels.

Relembre sua trajetória

Sua carreira atravessou diferentes funções e gerações da animação japonesa. Entre seus principais trabalhos estão:

  • 1996, Saber Marionette J: trabalhou como diretor de animação, uma de suas primeiras funções de destaque na televisão.
  • 1997, Mashin Hero Wataru: participou como diretor de animação.
  • 2001, Hellsing e Shaman King: atuou na direção de animação das duas produções, ajudando a supervisionar a aparência e a movimentação dos episódios.
  • 2007, My Bride Is a Mermaid e Toward the Terra: assinou storyboards e dirigiu episódios, consolidando a transição do desenho para a condução narrativa.
  • 2010, Yu-Gi-Oh! ZEXAL: trabalhou na direção de episódios e, no caso de Yu-Gi-Oh! 5D’s, também na supervisão de animação.
  • 2014, Himegoto: realizou sua estreia como diretor principal. Além disso, assumiu storyboards, direção de episódios e supervisão de animação.
  • 2015, Onsen Yōsei Hakone-chan: dirigiu a comédia sobrenatural e participou do design dos personagens, dos storyboards e da supervisão geral da animação.
  • 2017, In Another World with My Smartphone: comandou a primeira temporada do isekai no qual o protagonista atravessa dimensões com um aparelho que aparentemente possui um plano de dados interplanetário.
  • 2019, If It’s for My Daughter, I’d Even Defeat a Demon Lord: dirigiu a fantasia sobre um aventureiro que adota uma menina demônio, além de participar diretamente dos storyboards e da animação.
  • 2020, By the Grace of the Gods: assumiu a direção da história de Ryoma, reencarnado num mundo fantástico e cercado por slimes mais produtivos do que muitos departamentos corporativos.
  • 2022, In the Land of Leadale: dirigiu a adaptação sobre uma jogadora que desperta dentro do universo de seu antigo MMORPG.
  • 2023, By the Grace of the Gods 2 e My Unique Skill Makes Me OP Even at Level 1: retornou à primeira franquia e comandou outro isekai construído em torno de níveis, recompensas e estatísticas quebradas.
  • 2024, I’ll Become a Villainess Who Goes Down in History: dirigiu a fantasia sobre uma jovem reencarnada como a antagonista de seu jogo favorito. Também participou de storyboards, episódios e supervisão de desenhos.
  • 2025, Apocalypse Bringer Mynoghra: comandou a adaptação sobre um jogador reencarnado como líder de uma civilização sombria.
  • 2026, The World’s Strongest Rearguard e The Insipid Prince’s Furtive Grab for the Throne: seus últimos trabalhos como diretor, lançados simultaneamente e ainda em exibição quando sua morte foi anunciada.

Pois é, a relação de créditos ajuda a dimensionar um profissional que não ficou restrito à cadeira de diretor. Seu nome apareceu em diferentes momentos como animador, supervisor, responsável por storyboards e diretor de episódios.

Era o tipo de currículo que precisaria de várias temporadas e pelo menos um OVA para caber inteiro.

Os episódios continuam, o crédito permanece

Até o momento, os estúdios não informaram quem assumirá a direção dos episódios restantes das duas produções atuais. Também não foram detalhadas quais etapas já haviam sido concluídas sob seu comando.

Ademais, a ausência dessas informações exige cautela. Embora as séries devam continuar sendo exibidas, qualquer mudança na direção dependerá dos respectivos comitês de produção e será divulgada oficialmente.

Pois é… Yūji Yanase construiu boa parte de sua carreira transportando personagens para outras vidas, universos e possibilidades. Fora da fantasia, não existe habilidade de ressurreição nem botão para carregar o último arquivo salvo.

Permanecem, contudo, os movimentos que desenhou, os episódios que conduziu e os mundos aos quais ajudou a dar forma. Enquanto essas histórias continuarem sendo assistidas, seu nome ainda encontrará um lugar nos créditos, exatamente onde os grandes profissionais da animação nunca deixam de trabalhar.

 

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