Odisseu levou anos para retornar a Ítaca. Christopher Nolan precisou de menos de dois meses para chegar lá, ocupar o trono da Universal e mandar os dinossauros procurarem outra ilha.
A Odisseia ultrapassou US$ 1,677 bilhão e superou Jurassic World, de 2015, como a maior bilheteria dos 114 anos da Universal Pictures. Após o fechamento do fim de semana, o total ficou na casa de US$ 1,68 bilhão.
Homero escreveu um poema épico. Nolan acrescentou câmeras IMAX e encontrou um novo significado para a palavra “fortuna”.
Os dinossauros perderam o trono

O recorde anterior pertencia a Jurassic World, que havia arrecadado aproximadamente US$ 1,67 bilhão. A ultrapassagem coloca a adaptação de Nolan na 12ª posição entre as maiores bilheterias da história, segundo o comunicado da NBCUniversal.
Desse total, cerca de US$ 601,2 milhões vieram dos Estados Unidos e do Canadá, enquanto os demais mercados contribuíram com aproximadamente US$ 1,083 bilhão.
O épico ainda retornou ao primeiro lugar mundial durante seu oitavo fim de semana, algo incomum numa indústria em que muitos lançamentos chegam aos cinemas com prazo de validade menor que o queijo esquecido na geladeira.
Homero entrou no clube do bilhão
O resultado chama atenção porque A Odisseia não pertence a uma franquia cinematográfica estabelecida, tampouco funciona como sequência ou refilmagem. Sua matéria-prima é um poema composto há aproximadamente três mil anos, época em que “universo compartilhado” significava vários deuses interferindo simultaneamente na vida do mesmo mortal.
A produção tornou-se o primeiro título que não é sequência nem remake a ultrapassar US$ 1 bilhão fora dos Estados Unidos e do Canadá desde 2009. Também ocupa a terceira posição entre os filmes sem vínculo com franquias mais lucrativos da história.
Nolan demonstrou que o público aceita enfrentar uma longa viagem marítima, monstros mitológicos e quase três horas de duração. Basta prometer que tudo ficará enorme na tela.
O IMAX virou cavalo de Troia
Filmado com tecnologia IMAX, o longa também se tornou a produção de maior arrecadação da história do formato. O desempenho confirma que a escala visual não serviu apenas como argumento publicitário, mas como parte central do interesse do público.
A Odisseia ainda é o maior sucesso da carreira de Christopher Nolan nos mercados doméstico, internacional e mundial. Além disso, quebrou o recorde de bilheteria para uma produção com classificação R nos Estados Unidos.
Dessa forma, o diretor deixou de precisar de Batman, sequências ou explosões nucleares para alcançar sua maior arrecadação. Desta vez, bastaram o Mediterrâneo, Matt Damon e um homem incapaz de encontrar o caminho de casa.
Nolan virou sua própria franquia
O sucesso consolida a parceria entre Nolan e a Universal, iniciada depois da saída do cineasta da Warner Bros. O primeiro resultado foi Oppenheimer, vencedor do Oscar de melhor filme; o segundo acaba de se tornar o lançamento mais lucrativo da história do estúdio.
Existe uma ironia especialmente saborosa no novo recorde. Uma companhia conhecida por transformar dinossauros em bilhões foi derrotada por uma obra escrita quando essas criaturas ainda nem haviam sido desenterradas.
Odisseu finalmente chegou a Ítaca, mas Nolan encontrou um destino ainda mais difícil de alcançar: o topo de uma bilheteria centenária. Agora, o maior monstro da Universal não possui dentes, garras ou rugido. Ele usa uma câmera IMAX e prefere efeitos práticos.
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