Com Bob Dylan incluso, e sendo uma grande surpresa, foram quatro mulheres e seis homens os últimos vencedores do prêmio Nobel de Literatura. A lista conta dos vencedores desde 2012 até o momento.

Na última quinta, 7, Abdulrazak Gurnah foi o romancista tanzaniano que ganhou o prêmio Nobel de Literatura 2021. O anuncio, feito pela Academia Sueca, o premiou com os dizeres:

“Por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes.”

Abdulrazak Gurnah

E disseram mais:

“Seus romances fogem de descrições estereotipadas e abrem nossos olhares para uma África Oriental culturalmente diversificada, desconhecida para muitos em outras partes do mundo.”

Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzibar. Logo, chegou à Inglaterra na década de 1960 como refugiado. Em síntese, o romancista começou a escrever aos 21 anos de idade e publicou dez livros e diversos contos ao longo da carreira. A temática de refugiados é a base de todo seu trabalho.

Prêmio Nobel Literatura 2021 Abdulrazak Gurnah

Ademais, o romancista é conhecido sobretudo pelo livro “Paradise”, de 1984, ambientado no leste da África durante a Primeira Guerra Mundial. A obra foi finalista na época do Booker Prize de ficção.

Por fim, Gurnah atuava como Professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais na Universidade de Kent, em Canterbury, aposentando-se recentemente.

Sobre o Nobel da Literatura


Desde 1901, foram 118 laureados em 114 premiações. Isso porque em quatro delas, dois nomes foram anunciados como vencedores no mesmo ano. Além disso, não houve premiação nos anos de 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942 e 1943. Aliás, até hoje, ninguém foi premiado mais de uma vez.

Rudyard Kipling foi o mais jovem vencedor do prêmio. Em 1907, quando foi nomeado, tinha 41 anos de idade.

Já a mais velha foi Doris Lessing, que estava com 88 anos quando foi premiada em 2007.

Premiação Geral


Em 2021, o prêmio para cada uma das categorias do Nobel é de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,1 milhões).

O mais aguardado, prêmio Nobel da paz, neste ano foi para os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov; divulgados nesta sexta, 08. Ambos foram nomeados por defesa da liberdade de expressão, “pela corajosa luta” nas Filipinas e na Rússia. O comitê norueguês do Nobel afirmou que a liberdade de expressão é “pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura”.

Ademais, a láurea em Medicina foi a primeira a ser anunciada, na segunda, 4, e entregue para David Julius e Ardem Patapoutian pela descoberta de como estímulos como o calor ou o frio eram detectados pelo corpo humano e transformados em impulsos elétricos.

Quanto ao prêmio em Física, divulgado na terça, 6, foi dado a Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi pelas contribuições inovadoras para a nossa compreensão de sistemas físicos complexos.

Na quarta, 6, foi entregue o Nobel de Química para Benjamin List e David MacMillan, por nova ferramenta de construção de moléculas.

Por fim, quanto ao prêmio de economia será divulgado na segunda-feira, 11.

Confira os vencedores mais recentes do Nobel da Literatura!


2020: Louise Glück (Estados Unidos)


Louise Glück

Louise Glück, poeta americana de 77 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2020. Em síntese, é considerada por muitos uma das poetas contemporâneas mais talentosas dos Estados Unidos. Além disso, Glück é conhecida pela precisão técnica, sensibilidade e uma obra sobre solidão, relações familiares, divórcio e morte.

Ademais, seus primeiros livros são centrados em casos de amor fracassados, encontros familiares desastrosos e desespero existencial. Nos trabalhos posteriores, ela continuou a tratar de temas como decepção, rejeição, bem como, perda e isolamento.


2019: Peter Handke (Áustria)


Peter Handke

O romancista e ensaísta Peter Handke – que é coautor do roteiro do premiado filme Asas do desejo” (1987) – foi escolhido ganhador do Nobel, pois, segundo a Academia Sueca:

“por um trabalho influente que, com engenhosidade linguística, explorou a periferia e a especificidade da experiência humana.”

Em suma, o romance de estreia dele, Die Hornissen, (“As vespas”, em tradução livre), foi publicado em 1966. Além disso, a obra, junto com a peça ‘”Ofendendo o público”, de 1969, são citadas como responsáveis por deixar a marca do escritor no cenário literário. Os trabalhos são reconhecidos pelas experimentações radicais.


2018: Olga Tokarczuk (Polônia)


Olga Tokarczuk

Sua estreia na ficção foi em 1993, com “Podróz ludzi Księgi” (“A jornada do povo do livro”, em tradução livre).

Segundo o Nobel, a verdadeira inovação de Olga veio com seu terceiro romance, “Prawiek i inne czasy” (“Primitivo e outros tempos”), de 1996. O comité do prêmio avalou assim:

“O volume é um excelente exemplo de nova literatura polonesa após 1989.”


2017: Kazuo Ishiguro (Reino Unido)


Kazuo Ishiguro

Considerado um dos mais importantes autores vivos da língua inglesa, ele é autor de oito livros (sendo sete romances e um volume de contos). Em suma, são de Ishiguro “Os vestígios do dia” (1989), que ganhou o Man Booker Prize, e “Não me abandone jamais” (2005), ambos adaptados ao cinema. Ademais, com obra versátil, já foi de registros de memória a ficção científica e fantasia.


2016: Bob Dylan (Estados Unidos)


Prêmio Nobel de Literatura Bob Dylan

O cantor e compositor americano Bob Dylan, de 75 anos, é considerado um dos maiores nomes da música do século XX.

A opção por um músico – e não por um escritor de ofício – soou incomum. Todavia, o nome do Dylan vinha sendo cotado havia muitos anos. Em suma, também poeta e com diversos livros lançados, o artista é aclamado sobretudo pelo lirismo de suas letras.


2015: Svetlana Alexievich (Belarus)


Prêmio Nobel de Literatura Svetlana Alexievich

Svetlana Alexiévitch é uma escritora e jornalista bielorrussa. Segundo o comitê da premiação, Alexiévitch foi escolhida porque sua “obra polifônica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo”. Em suma, considerada cronista implacável da União Soviética, ela é uma das raras autoras de não ficção premiadas com o Nobel.


2014: Patrick Modiano (França)


Patrick Modiano

O escritor francês foi escolhido por conta “da arte da memória com a qual evocou os destinos humanos mais inapreensíveis e jogou luz sobre a vida durante a ocupação”.

Em síntese, a Academia Sueca, que atribui o Nobel, se referia à ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial. As obras de Modiano são centradas em temas como a memória, o esquecimento, bem como, a identidade e o sentimento de culpa. Sobre os contos do autor, o perfil destaca que “são construídos sobre uma base autobiográfica” e que jornais e entrevistas servem como ponto de partida. Ademais, a cidade de Paris é cenário recorrente em seus romances, quase um personagem.


2013: Alice Munro (Canadá)


Alice Munro

Segundo o comitê da premiação, Munro é “mestre da narrativa breve contemporânea” e “aclamada por sua narrativa afinada, que é caracterizada pela clareza e pelo realismo psicológico”. Além disso, alguns críticos a consideram “a Chekhov canadense”, em referência ao escritor russo Anton Chekhov; por seus contos serem centrados nas fraquezas da condição humana.

Ademais, entre suas obras mais conhecidas estão “Fugitiva” (2006), “Felicidade demais” (2010) e “O amor de uma boa mulher” (2013).


2012: Mo Yan (China)


Mo Yan

Segundo o comitê da premiação do Nobel de Literatura, Yan é um escritor que, “com realismo alucinatório funde contos populares, a história e o lado contemporâneo”.

Em suma, ele é especialmente conhecido no Ocidente pela obra que serviu de base para o filme “Sorgo vermelho”, de 1987; dirigido por Yimou Zhang.

Fonte: G1.


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