Morreu nessa segunda-feira (27/4) aos 98 anos. Edith Eva Eger, sobrevivente do Holocausto e autora do livro A bailarina de Auschwitz.

O anúncio da morte foi feito pela família através do Instagram de Edith, a causa da morte não foi divulgada.

Edith Eger nasceu em Kosice, na então Tchecoslováquia, em 1927. É a filha mais nova de Lajos, um alfaiate, e de Ilona Elefánt.

Na juventude, Eger estudou em um ginásio para meninas e teve aulas de balé. Era também integrante da equipe olímpica húngara de ginástica.

No entanto, em 1942, após a implementação de novas leis antissemitas pelo governo da Hungria, foi expulsa da equipe por ser judia.

Sua irmã mais velha, Klara, era violinista e foi admitida no Conservatório de Budapeste. Durante a guerra, Klara conseguiu se esconder com a ajuda de seu professor de música. Já a irmã Magda era pianista.

“Ela escolheu perdoá-los e seguir vivendo com alegria”.

A jovem foi levada junto da família para o campo de concentração Auschwitz-Birkenau, na Polônia. Nos relatos, a sobrevivente conta que ela e a irmã (Magda) perderam a mãe ainda no primeiro dia e nunca chegaram a saber o que aconteceu com o pai.

Edith e a Magda sobreviveram, mas passaram a ser torturadas pessoalmente pelo médico oficial alemão Josef Mengele, que ficou conhecido como o “Anjo da morte”, devido aos experimentos brutais que eram realizados nos prisioneiros.

Ela conta inclusive que teve que dançar para Mengele enquanto estava presa, em troca, o oficial nazista dava pedaços de pão para que ela pudesse dividir com outras mulheres.

No dia 4 de maio de 1945, um soldado norte-americano viu a mão de Edith se movendo em meio a uma pilha de corpos e a resgatou.

Edthi se casou e teve três filhos formou-se em psicologia e virou referência pelo trabalho no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático.

Eu fazia de conta que, de alguma forma, eram eles que iam pagar com a consciência. Eles, os nazis, eram os prisioneiros e eu não. Não sei como criei esse mundo dentro de mim. Um mundo em que eles me podiam espancar e atirar para a câmara de gás, mas nunca poderiam matar o meu espírito.”

Legado

Li A Bailarina de Auschwitz pela primeira vez quando adolescente, na biblioteca da escola, onde eu passava os intervalos. Depois, reli a obra outras vezes e sempre fiquei impactada com a forma como ela escolheu perdoar seu algoz.

Ela cuidou de seus pacientes até os 90 anos, ressignificou toda a dor, perdoou e cuidou, deixando um legado que se perpetuará por meio de seus livros.

Obrigada, Edith, por tocar meu coração e o de tantos outros leitores que puderam aprender com você sobre o perdão.

Quer saber mais sobre Literatura? Então, clique!


Conheça nosso canal no YouTube: