Tom Cruise já saltou de prédios, pilotou caças e pendurou-se do lado de fora de um avião. Desta vez, porém, a missão mais difícil parece ser convencer o público norte-americano a comprar ingresso para Digger.

A comédia satírica dirigida por Alejandro G. Iñárritu arrecadou apenas US$ 3,4 milhões na sexta-feira, incluindo as prévias de quinta. O resultado veio apesar da exibição em 3.321 cinemas e do suporte de salas IMAX.

As projeções apontam uma abertura de aproximadamente US$ 7,5 milhões até hoje. Caso o número se confirme, será o pior lançamento de um filme protagonizado por Cruise desde Leões e Cordeiros, que abriu com US$ 6,7 milhões em 2007.

A concorrência encontrou a verdade

Enquanto Digger procurava público com uma pá, Verity encontrou uma mina. A adaptação do livro de Colleen Hoover, estrelada por Anne Hathaway e Dakota Johnson, faturou cerca de US$ 15 milhões na sexta-feira e caminha para fechar o fim de semana com US$ 33 milhões.

O contraste fica ainda mais doloroso quando os custos entram na conta. Verity teria consumido aproximadamente US$ 40 milhões, valor que permite ao longa buscar lucro mesmo sem sustentar uma corrida extraordinária nas semanas seguintes.

Já Digger chega aos cinemas carregando uma estrutura financeira muito mais pesada, além das expectativas geradas pela união entre um astro conhecido por sucessos comerciais e um diretor vencedor de quatro Oscars.

Prestígio não encheu a sessão

No filme, Cruise interpreta Digger Rockwell, um bilionário responsável por desencadear uma catástrofe ambiental de escala mundial. Em seguida, o magnata inicia uma tentativa desesperada de se apresentar como salvador da humanidade antes que as consequências de suas decisões destruam o planeta.

O elenco também reúne Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons. Além disso, a fotografia é assinada por Emmanuel Lubezki, colaborador de Iñárritu em Birdman e O Regresso.

O projeto representava uma rara incursão recente de Cruise fora das grandes franquias de ação. Entretanto, a mistura de humor ácido, alegoria política e espetáculo dividiu as primeiras reações. O público consultado pelo CinemaScore concedeu ao longa a nota C+, sinal pouco animador para uma produção que precisará permanecer em cartaz por bastante tempo.

Ficha Técnica
Título: Digger
Ano de Produção: 2026
Dirigido Por: Alejandro González Iñárritu
Estreia: 1º de outubro de 2026
Duração:  129 minutos (2h 09min)
Classificação: 14 anos
Gênero:  Comédia ácida, Sátira, Drama
País de Origem: Estados Unidos, Reino Unido e México
Sinopse: O homem mais poderoso do mundo, responsável por causar um desastre ecológico global, inicia uma missão frenética e egocêntrica para reverter a catástrofe e provar à humanidade que ele é o seu grande salvador.

 

Um buraco de pelo menos US$ 125 milhões

O orçamento não foi divulgado oficialmente pela Warner Bros. ou pela Legendary. Segundo informações da indústria, o filme teria sido aprovado inicialmente por aproximadamente US$ 125 milhões.

Relatos posteriores colocam o custo final acima de US$ 160 milhões, enquanto fontes ouvidas pela Variety estimam uma faixa entre US$ 160 milhões e US$ 180 milhões após a produção prolongada. Esses valores não incluem necessariamente toda a campanha mundial de publicidade.

Diante dessa escala, uma abertura doméstica inferior a US$ 10 milhões aumenta consideravelmente a dependência dos mercados internacionais. Cruise ainda possui enorme reconhecimento fora dos Estados Unidos, mas Digger precisará fazer mais do que encontrar algumas moedas enterradas para compensar a recepção inicial.

A Warner pode trocar de dono deixando uma cratera

O momento também possui peso simbólico. Digger é o último lançamento da Warner Bros. antes do fechamento previsto da aquisição do estúdio pela Paramount, marcado para 6 de outubro.

Caso as projeções se mantenham, a Warner chegará à mudança de controle com um caro fracasso comercial protagonizado por um dos maiores astros de Hollywood. É uma despedida pouco cerimoniosa para o período anterior da companhia, embora o resultado definitivo dependa da permanência em cartaz e do desempenho internacional.

Por enquanto, somente os US$ 3,4 milhões da sexta-feira estão consolidados. As estimativas do fim de semana podem sofrer alterações quando os números finais forem divulgados.

Ainda existe tempo para uma reviravolta, especialmente fora dos Estados Unidos. Entretanto, depois de passar décadas transformando missões impossíveis em sucessos de bilheteria, Tom Cruise finalmente encontrou um desafio que nem uma corrida desesperada consegue resolver facilmente: quando o público não aparece, a única saída é tentar cavar para cima.

 

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