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LumenTale: Memories of Trey | confira nossa review

LumenTale: Memories of Trey

Review: LumenTale: Memories of Trey

LumenTale: Memories of Trey é um RPG de captura de monstros desenvolvido pela Beehive Studios e publicado pela Team17. Com uma proposta que certamente vai chamar a atenção de quem cresceu jogando Pokémon e outros representantes do gênero, o título aposta em criaturas colecionáveis, combates por turnos e uma aventura repleta de exploração, mas tenta encontrar sua própria identidade ao apresentar um mundo colorido e um sistema de batalhas com até quatro Animon simultaneamente.

No controle de Trey, somos convidados a atravessar diferentes regiões de Talea enquanto tentamos recuperar as memórias perdidas do protagonista. Entre criaturas para capturar, personagens para conhecer e uma guerra que deixou marcas profundas nesse mundo, LumenTale tenta entregar uma aventura que vai além da tradicional jornada para se tornar o melhor treinador. E, apesar de algumas limitações, existe bastante coisa interessante aqui.

História

A história de LumenTale acontece em Talea, uma região que já viveu uma era de prosperidade durante o governo de um imperador. Após sua morte sem deixar um sucessor, seus dois filhos gêmeos entraram em conflito pelo trono, dando início a uma guerra civil que dividiu o território entre Logos e Mythos.

É nesse cenário que surgiram os Lumen, antigos membros do exército imperial que decidiram abandonar o conflito para proteger a população e os Animon. Esse passado ainda influencia diretamente o presente de Talea e ajuda a construir o universo explorado por Trey.

O protagonista, porém, começa sua jornada sem conseguir se lembrar do próprio passado. A busca por essas memórias acaba se tornando o principal objetivo da aventura, enquanto ele conhece novos personagens e cria novas lembranças ao lado dos Animon.

A narrativa funciona bem justamente por combinar o mistério pessoal de Trey com os conflitos maiores de Talea. Aos poucos, descobrimos mais sobre o protagonista, o mundo e os acontecimentos que levaram a região até sua situação atual.

Não espere uma história revolucionária dentro do gênero, mas existe uma quantidade interessante de lore e personagens capazes de sustentar a aventura durante suas muitas horas.

Jogabilidade

A captura e utilização dos Animon é, obviamente, o coração de LumenTale.

As criaturas podem ser encontradas durante a exploração e adicionadas à nossa coleção, sendo necessário observar suas características para montar uma equipe equilibrada. O jogo apresenta uma grande variedade de Animon, cada um com aparência, habilidades e possibilidades de evolução próprias.

Mas é nos combates que a experiência tenta se diferenciar.

As batalhas acontecem por turnos e permitem colocar até quatro Animon simultaneamente no campo. Isso muda bastante a dinâmica em comparação com os tradicionais confrontos individuais, já que precisamos considerar não apenas os ataques de cada criatura, mas também como elas funcionam em conjunto.

A composição da equipe ganha bastante importância. Algumas criaturas conseguem causar dano, enquanto outras possuem habilidades voltadas para suporte, proteção ou aplicação de efeitos. Saber combinar diferentes funções pode ser mais importante do que simplesmente escolher os Animon com os maiores números.

Outro detalhe interessante está no sistema baseado nas emoções das criaturas. As habilidades possuem diferentes características e podem criar situações específicas durante os confrontos, adicionando uma camada estratégica que vai além da simples escolha de golpes mais fortes.

As batalhas podem parecer simples inicialmente, mas ficam consideravelmente mais interessantes conforme novos Animon e habilidades são adicionados à equipe.

Além dos combates, a exploração também possui papel importante. Talea apresenta regiões diferentes entre si, com cidades, áreas naturais, cavernas e outros locais para visitar. Existem segredos espalhados pelo mapa e diferentes atividades opcionais que ajudam a quebrar o ritmo da campanha principal.

O jogo também possui PvP online, permitindo colocar nossas equipes à prova contra outros jogadores.

Progressão

A progressão funciona principalmente através da captura e evolução dos Animon.

Encontrar uma criatura nova naturalmente desperta aquela vontade de descobrir o que ela pode se tornar, e LumenTale apresenta diferentes métodos de evolução. Algumas são relativamente tradicionais, enquanto outras exigem condições específicas.

Esse sistema incentiva bastante a exploração, embora também possa gerar certa frustração quando não fica claro o que precisamos fazer para conseguir determinada evolução. Algumas condições são pouco explicadas pelo próprio jogo, obrigando o jogador a experimentar ou descobrir pistas espalhadas pelo mundo.

Além dos Animon, Trey também evolui ao longo da aventura, desbloqueando novas possibilidades e tornando a exploração cada vez mais interessante.

A quantidade de criaturas disponíveis também ajuda a manter a sensação de descoberta. Mesmo depois de montar uma equipe principal, sempre existe aquela curiosidade de encontrar um novo Animon e descobrir se ele pode ocupar o lugar de alguém no grupo.

Por outro lado, o sistema poderia explicar melhor algumas de suas mecânicas. Para quem gosta de descobrir tudo por conta própria, isso pode ser divertido, mas determinadas evoluções parecem depender mais de tentativa e erro do que de uma decisão consciente do jogador.

Gráficos e trilha sonora

Visualmente, LumenTale aposta em uma estética 2.5D com elementos de pixel art, criando um mundo que mistura personagens tridimensionais com ambientes que lembram RPGs clássicos.

A direção de arte é provavelmente um dos aspectos mais simpáticos do jogo. Talea possui regiões visualmente distintas e os Animon apresentam designs bastante variados, evitando que a coleção pareça composta apenas por variações da mesma ideia.

As criaturas são especialmente importantes nesse aspecto, já que boa parte da diversão está justamente em encontrar um Animon novo e descobrir sua aparência, habilidades e evolução.

A trilha sonora acompanha bem essa proposta de aventura fantástica, alternando músicas mais tranquilas durante a exploração com temas mais intensos nos momentos de combate.

Também vale destacar a presença de legendas em português do Brasil, algo que ajuda bastante em uma experiência com uma quantidade considerável de diálogos e informações sobre o mundo.

LumenTale: Memories of Trey: vale a pena?

LumenTale: Memories of Trey não reinventa o gênero de captura de monstros, mas consegue construir uma identidade própria ao redor de uma fórmula bastante conhecida.

A maior qualidade está no conjunto. A variedade de Animon, os combates 4v4, a exploração de Talea e a história envolvendo as memórias de Trey criam uma aventura agradável para quem gosta desse tipo de RPG. O sistema de batalhas também consegue oferecer mais possibilidades estratégicas do que simplesmente escolher uma criatura e atacar.

A história, embora não seja revolucionária, possui bons mistérios e um universo interessante, enquanto a direção de arte ajuda a dar personalidade ao mundo e às criaturas.

Por outro lado, algumas mecânicas poderiam ser melhor explicadas, principalmente os métodos especiais de evolução. Também existem momentos em que a experiência pode parecer um pouco irregular, especialmente para quem espera o mesmo nível de refinamento dos maiores representantes do gênero.

Ainda assim, LumenTale: Memories of Trey é uma boa alternativa para quem sente falta de um novo RPG de captura de monstros para mergulhar por várias horas. Ele pega uma fórmula conhecida, adiciona suas próprias ideias e consegue entregar uma aventura carismática, estratégica e cheia de criaturas para conhecer.

Talvez Trey não consiga recuperar todas as suas memórias sozinho, mas pelo menos ele encontrou uma boa maneira de criar algumas novas.

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