Ficha Técnica
Desenvolvido por: Monkey Craft studio
Publicado por: Bandai Namco
Gênero: Plataforma
Série: Klonoa
Lançamento: 07 de julho de 2022 (Japão) 08 de julho de 2022 (Mundo)
Classificação indicativa: 10 anos
Modos: Single-player, Multiplayer
Disponível para: PlayStation 4, PLayStation 5, Xbox One, Xbox Series S | X e Microsoft Windows

A década de 90 foi uma década povoada por mascostes, tais como Mario, Sonic e Crash. Enquanto alguns deles caíram no gosto popular, outros tantos ficaram apenas na lembrança de quem os conheceram naquela época. Klonoa foi um desses mascostes, que não tiveram seus 15 minutos de fama, mesmo com várias tentativas. Contudo, aqueles que o acompanharam em suas aventuras, sempre guardaram para ele um pedacinho em seus corações. A Bandai Namco, então, como forma de celebrar 25 anos do personagem, também mostrou que não esqueceu de Klonoa, e assim surge Phantasy Reverie Series.

Devaneios de fantasia

Klonoa: Phantasy Reverie Series trata-se de uma coletânea contendo os 2 primeiros games de plataforma da franquia, Klonoa: Door to Phantomile, lançado originalmente para PlayStation 1 em 1997, e Klonoa 2: Lunatea’s Veil, lançado para PlayStation 2 em 2000. É um compilado que basicamente traz uma versão modernizada de 2 games, sem muitos recursos adicionais. Em termos de adições, desde o início já encontra-se disponível um modo de dificuldade  fácil, onde os inimigos oferecem menos dano, Klonoa conta com mais corações e vidas ilimitadas; e um modo difícil, desbloqueado ao concluir os respectivos games. Você também pode jogar cooperativamente em ambos os games, embora o segundo jogador tenha controles mínimos. É possível também adquirir trajes alternativos para Klonoa, assim como trilha sonora completa e livro de arte digital, porém, apenas adquirindo a DLC paga. Um ponto a se criticar, visto que é um conteúdo que poderia estar presente no game base, como uma forma de enriquecer a coletânea, por se tratar de algo comemorativo.

Um pouco da história dos games

Na história do primeiro game, Klonoa, uma criatura mamífera antropomórfica parecida com um gato de orelhas grandes, é um habitante de Phantomile e possui um companheiro chamado Huepow, um “espírito” encapsulado em um anel. Klonoa vive em Breezegale e foi criado por seu avô, o atual ancião da aldeia. Os personagens de Door to Phantomile são fantasiosos e falam em uma linguagem fictícia estruturada. A história começa com a lenda de Phantomile, um lugar misterioso alimentado pelos sonhos que as pessoas têm à noite. Como resultado, ninguém consegue lembrar claramente dos sonhos que tiveram, mesmo que tenham ocorrido recentemente. No entanto, Klonoa sonha com uma misteriosa aeronave caindo em uma montanha próxima, e pode se lembrar de todos os detalhes dela. Um dia, o sonho de Klonoa acaba se concretizando, e Klonoa e seu amigo Huepow, decidem investigar. Apesar de seu visual bastante infantil, em certos momentos o game aborda questões bastante pesadas para o público alvo do game.

Já na segunda aventura, o jogo se passa no mundo dos sonhos de Lunatea, composto por cinco reinos. Cada reino contém um sino que abriga seu elemento. Lunatea tem outros locais também. A história começa com uma silhueta desconhecida, pedindo ajuda. Depois de ouvir isso, Klonoa de repente cai em um mar chamado Mar das Lágrimas. Klonoa acorda e é recebido por dois seres, Lolo e Popka. Eles dizem a ele que sua presença foi predita, e que eles deveriam ver a Alta Sacerdotisa, e mencionar que Klonoa está agora em Lunatea. Ao longo do caminho para encontrar a Sacerdotisa, Klonoa usa o anel, com Lolo nele, para tocar o sino espiritual, e aí tem início a jornada do segundo game.

Mecânicas e gameplay

Diferentemente do primeiro game para PS1, o remake não conta mais com elementos em sprites, sendo o game inteiramente renderizado em 3D, mas ainda assim o gameplay continua acontecendo em uma perspectiva 2.5D, assim como era nos games bases do remake. A interface dos games permanece basicamente a mesma, com os jogos sendo divididos por níveis, onde o jogador progride seguindo um caminho com inimigos e puzzles. No segundo game também há segmentos de boarding com uma prancha. Mecanicamente, os games contam com dois botões de ação: um de pulo e um de ataque. Ao segurar o botão de pulo, Klonoa flutua no ar por um curto período de tempo, batendo as orelhas, o que aumenta a distância do salto. Como recurso de ataque, Klonoa conta com o “Wind Ring”, um anel que dispara uma rajada de vento chamada “Wind Bullet”. Atingindo o inimigo, Klonoa pode segurar e arremessá-lo, na horizontal, em outro inimigo ou usá-lo, na vertical, para realizar um salto duplo, para alcançar lugares mais altos.

No segundo game já havia um recurso que permitia que um outro jogador usasse o segundo controle para fazer Klonoa ganhar um impulso extra nos pulos, porém, esta era a única forma de multiplayer no game. É interessante observar que esse recurso na coletânea foi acrescentado também no primeiro game. É ótimo para jogar junto de uma criança ou da(o) namorada(o), que não tenham muita familiaridade com videogames ou jogos de plataforma, enquanto os ajuda com os saltos mais altos ou para cortar caminho, pois esse recurso acaba agilizando a progressão pelo cenário em muitos momentos, até mesmo quebrando a forma de planejamento do game.

Mudanças aqui e acolá

Importante notar que em 2008, o game original já havia recebido um remake, para Wii, com dublagem em inglês e uma mudança de visual para o Klonoa com aspecto mais “cool”. E é com base nesse remake que o remake atual se baseia, em termos de estética e gameplay, tanto nos cenários e cutscenes, exceto o visual de Klonoa, que manteve-se fiel ao original. Aos mais puristas talvez a forma em que as cutscenes se apresentem, sendo fieis às da versão de Wii em vez das de PS1, pode ser que desagrade. Assim como algumas das modelagens de personagens e cenários, que por algum motivo optou-se por cores vibrantes e chapadas, sem muitas texturas nos modelos 3D, o que causa uma certa estranheza em quem era acostumado com o game original. Alguns efeitos também se perderam na transcrição, como exemplo a chuva nas primeira fases do primeiro game, ou alguns efeitos de partículas do segundo game. A quem estiver conhecendo os games pela primeira vez, são detalhes que passarão despercebidos.

Efeitos e trilha sonora

Da parte sonora, nesta coletânea, a dublagem da versão Wii foi substituída pelo diálogo de linguagem ficcional do original e do segundo game, muito mais adorável, e que combina mais com os personagens, dando uma uniformidade com o segundo game, que nunca recebeu dublagem em algum idioma real. Os clipes de voz da década de 90, durante as cutscenes, em um game de PS4 acabam soando um pouco abafados, até um pouco mais devido aos clipes de voz durante o gameplay em Klonoa 1 serem da versão de Wii, mas até que passam despercebidos. Quanto às músicas, permanecem as mesmas dos originais, tão marcantes quanto eram na época.

Klonoa: Phantasy Reverie Series: Vale a pena?

Klonoa: Phantasy Reverie Series renova o personagem e apresenta a franquia a uma nova geração de maneira satisfatória e respeitosa da forma que o personagem sempre mereceu. É um título dotado de muita inocência, que carece de maldade, extremamente indicado ao público infantil. Para o público mais velho, pode ser uma experiência um pouco decepcionante, devido à simplicidade visual adotada, apesar de moderna, e à carência de conteúdo histórico no jogo base. Ainda assim, é um título que vale a jogada a todos os públicos, servindo como uma forma de revigorar uma franquia dormente, e garantir uma possível nova aventura em algum futuro.

 

Agradecimentos à Bandai Namco Games, pelo fornecimento do game para review