Alguns filmes chegam cercados por tantas expectativas que parecem condenados a decepcionar alguém. Com Homem-Aranha: Um Novo Dia, a situação não era diferente.
Depois de meses de especulações, trailers analisados quadro a quadro e teorias tomando conta das redes sociais, finalmente chegou a hora de descobrir se o longa entregava apenas mais um capítulo do MCU… ou uma boa história do Homem-Aranha.
Um novo dia… e um velho amigo de volta

O título não poderia ser mais apropriado.
Depois dos acontecimentos de Sem Volta para Casa, Peter Parker finalmente precisa caminhar sozinho. Sem bilionários, sem magos, sem mentor milionário e, principalmente, sem alguém para resolver seus problemas.
É justamente aí que o filme encontra sua maior força.
Durante muito tempo, parte do público enxergou o Homem-Aranha do MCU como um herói “emprestado” para histórias maiores.
Agora não.
Pela primeira vez, sentimos que estamos acompanhando o filme do Peter Parker.
E isso faz toda a diferença.
Para mim, esse é o maior acerto do filme. Depois de tanto tempo dividindo os holofotes com ameaças gigantescas e personagens do MCU, ver Peter Parker voltar a ser o verdadeiro coração da história é extremamente recompensador.
Seu amigão da vizinhança voltou para casa
Existe uma frase que resume perfeitamente este filme: ele lembra que o Homem-Aranha nunca precisou salvar o universo para ser interessante.
Sempre foi sobre um garoto tentando equilibrar contas, responsabilidades, amizades, perdas e culpa.
E Um Novo Dia entende isso.
Tom Holland entrega, provavelmente, sua atuação mais madura desde que assumiu o personagem.
Seu Peter está mais cansado, solitário, humano.
As cenas dramáticas funcionam porque o roteiro finalmente permite que o personagem respire entre uma sequência de ação e outra.
É aquele Peter Parker que tropeça, sofre, faz piada para esconder o medo e continua levantando porque… bem… ele é o Homem-Aranha.
Nem só de fan service vive uma teia
Os fãs podem respirar tranquilos: o filme tem referências, tem homenagens e momentos que fazem qualquer apaixonado pelos quadrinhos abrir um sorriso.
Mas nada parece existir apenas para arrancar aplausos da plateia.
Ao contrário de vários filmes recentes da Marvel, aqui o fan service trabalha a favor da narrativa: ele ajuda Peter a crescer.
Não serve apenas para lembrar que outros filmes existiram e é uma diferença pequena no papel, porém gigante na tela.
A direção finalmente encontrou o tom certo
Destin Daniel Cretton acerta em cheio ao entender que o maior superpoder do Homem-Aranha nunca foram as teias, mas sim Peter Parker.
O diretor equilibra ação, humor e emoção com muito mais naturalidade do que vínhamos vendo na franquia.
As cenas de combate são criativas, dinâmicas e visualmente bonitas, mas nenhuma delas rouba o protagonismo da história. Elas existem para servir ao personagem, não o contrário.
Saí da sessão com a impressão de que este é, de longe, o filme mais pessoal e emocional do Homem-Aranha de Tom Holland. Pela primeira vez, senti que a história estava realmente interessada em explorar quem é Peter Parker, e não apenas o herói por trás da máscara.
Nem toda teia é perfeita
Isso significa que o filme é impecável? Não. Ele tem alguns problemas.
A duração, próxima de duas horas e meia, pesa em determinados momentos.
Se eu tivesse que apontar um defeito, seria justamente o ritmo. Em alguns momentos, tive a sensação de que o filme tentava abraçar histórias demais ao mesmo tempo. Isso acaba deixando a narrativa um pouco mais lenta do que precisava, mas está longe de comprometer a experiência.
Também existe uma sensação de que certas conexões com o MCU poderiam ter sido um pouco mais discretas.
Embora funcionem melhor do que em produções recentes, ainda há momentos em que o universo compartilhado ameaça roubar alguns minutos preciosos do verdadeiro protagonista.
Nada que estrague a experiência, mas o filme seria ainda melhor se confiasse totalmente na força de Peter Parker.
Vale o ingresso?
Sem pensar duas vezes. Homem-Aranha: Um Novo Dia não tenta superar Sem Volta para Casa em escala.
Nem precisava, afinal seu objetivo é outro: é lembrar que, antes de existir o multiverso, os Vingadores e as ameaças cósmicas, existia um garoto do Queens tentando fazer a coisa certa.
E talvez essa seja a maior qualidade do filme: ele entende que o maior poder do Homem-Aranha nunca foi lançar teias, foi fazer com que a gente se enxergasse por trás da máscara.
Enfim, depois de tantos anos dividindo espaço com heróis maiores, Peter Parker finalmente ganha um filme que pertence a ele do começo ao fim.
E, sinceramente?
Já estava mais do que na hora.
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