A frase de Tychus Findlay virou profecia. Depois de deixar StarCraft congelado por tempo suficiente para os Protoss desenvolverem mais três civilizações, a Blizzard finalmente retirou a franquia da geladeira. Contudo, ela voltou carregando um rifle, um mapa aberto e uma data perigosamente distante.
Apresentado durante a BlizzCon 2026, o novo jogo se chamará simplesmente StarCraft e chegará em algum momento de 2030. A estratégia em tempo real que ajudou a definir a identidade da Blizzard dará lugar a um shooter de mundo aberto.
Ou seja, os jogadores deixarão de mandar dezenas de soldados para a morte com um clique. Agora poderão acompanhar o desastre pessoalmente.
A base virou horizonte
A cinemática de apresentação acompanha um soldado humano aparentemente descartável, convocado por uma máquina de propaganda militar enquanto o Enxame Zerg volta a ameaçar o setor Koprulu.
Em vez de controlar exércitos do alto, o jogador estará no chão, cercado por criaturas que tratam armaduras espaciais como latas de sardinha. A proposta transforma a guerra de três raças num conflito visto pelos olhos de alguém muito distante dos grandes comandantes e perigosamente próximo das mandíbulas alienígenas.
Apesar da atmosfera cuidadosamente construída, a Blizzard ainda não mostrou gameplay. Portanto, elementos como exploração, progressão, veículos, companheiros e tamanho do mapa continuam trancados num bunker.
Far Cry atravessou o setor Koprulu
O projeto é liderado por Dan Hay, antigo produtor executivo da franquia Far Cry. O currículo ajuda a explicar a escolha pelo mundo aberto, embora não confirme que o setor Koprulu será preenchido por torres para escalar, acampamentos para invadir ou animais selvagens capazes de sabotar a missão.
Durante a apresentação da BlizzCon, Hay afirmou que chegou a hora de produzir novamente StarCraft. A declaração funciona tanto como celebração quanto como lembrete involuntário de que a Blizzard passou tempo demais fingindo não ouvir os fãs batendo na porta.
O título será a primeira experiência completamente inédita da franquia desde Nova Covert Ops, lançado em 2016. StarCraft: Remastered chegou no ano seguinte, mas apenas restaurou o clássico de 1998 com uma armadura gráfica mais brilhante.
O fantasma de StarCraft: Ghost voltou a assombrar
Esta não é a primeira vez que a Blizzard tenta colocar uma arma nas mãos dos jogadores. StarCraft: Ghost, aventura protagonizada por Nova, foi anunciado em 2002 para PlayStation 2, Xbox e GameCube, mas desapareceu no limbo após anos de desenvolvimento.
O novo projeto representa outra tentativa de provar que o universo comporta algo além do RTS. Desta vez, porém, a empresa trocou as limitações dos consoles da sexta geração por um desafio diferente: justificar por que uma das maiores franquias de estratégia do mundo precisou mudar de gênero para voltar.
Segundo a GamesRadar, o desenvolvimento ainda está numa fase inicial. Isso ajuda a explicar a ausência de jogabilidade, mas também transforma o anúncio numa promessa feita com mais de três anos de antecedência.
Três raças, zero plataformas confirmadas
A Blizzard ainda não revelou as plataformas, a data exata, a presença de multiplayer ou como funcionará concretamente o mundo aberto. Também não está claro se Protoss e Zerg poderão ser controlados ou se permanecerão como aliados, inimigos e possíveis motivos para apertar o botão de fuga.
A recepção dividida era praticamente inevitável. Parte do público comemora qualquer retorno ao universo, enquanto veteranos ainda esperam por um novo RTS capaz de empurrar StarCraft II para uma aposentadoria finalmente merecida.
Ainda assim, a mudança pode apresentar a franquia a uma geração que nunca precisou construir depósitos de suprimentos enquanto alguém gritava que não havia minerais suficientes.
O inimigo final agora é o calendário
StarCraft voltou, mas escolheu uma rota que ninguém havia marcado no minimapa. A Blizzard possui o universo, o diretor e uma premissa forte. Falta mostrar o jogo que sustentará tudo isso.
Até 2030, os fãs terão tempo para minerar recursos, erguer uma base e desenvolver a tecnologia mais importante de todas: paciência em nível máximo. Afinal, o Enxame Zerg pode estar chegando, mas aparentemente também ficou preso no trânsito.
Conheça nosso canal no YouTube:

