Teoria Geek

Ghost of Yōtei | Confira nossa review

Ficha Técnica
Desenvolvido por: Sucker Punch Productions
Publicado por: Sony Interactive Entertainment
Gênero: Ação
Série: Ghost
Lançamento: 02/10/2025
Classificação indicativa: 18 anos
Modos: Single-player
Disponível para: PlayStation 5

 

 

Embora tenha demorado a finalizar esta crítica, comecei a escrevê-la no momento em que pipocou o troféu de Platina de Ghost of Yōtei. Em meu rosto, um sorriso enorme de satisfação por tudo que “vivi” auxiliando Atsu em sua jornada nas 61 horas que precisei para concluir todas as atividades necessárias que levou para conquistar o troféu de platina, que convenientemente deixei como último troféu justamente a batalha final do jogo. Em minha cabeça, aquela sensação de nostalgia por ter tido essa mesma satisfação há 5 anos, ao finalizar a jornada de Jin Sakai em Ghost of Tsushima. Inicio este texto mencionando como me senti para tentar, de alguma forma, passar ao leitor uma tranquilidade: se você gostou de Ghost of Tsushima, não perca de forma alguma a oportunidade de jogar Ghost of Yōtei.

História

Em Ghost of Yōtei, acompanhamos Atsu, uma jovem que teve toda a sua família massacrada e foi deixada para morrer por Lorde Saito, líder dos temidos Seis de Yotei. Atsu consegue sobreviver e passa a trilhar um caminho como mercenária, aprimorando suas habilidades para retornar um dia a Yōtei e caçar cada um dos seis e se vingar pela covardia sofrida por sua família. Durante sua jornada, o jogo busca reconectar Atsu a Ezo através de memórias felizes e jogáveis de sua infância, que o jogador pode vivenciar a partir de um simples toque no touchpad. Ao mesmo tempo, as missões envolvendo os Seis de Yotei têm flashbacks que reforçam a crueldade cometida contra ela, gerando no jogador um sentimento de compreensão com seu ódio, pois o que ela sofreu causaria um trauma e um desejo de vingança tão forte quanto o dela em qualquer pessoa.

Enquanto em Tsushima o jogo seguia uma sequência de missões que transformariam Jin eventualmente no Fantasma de Tsushima, em Yōtei, Atsu já começa sua jornada com certa reputação, sendo referenciada em Ezo como a Onryo: o fantasma vingativo de Ezo. As missões de história inicialmente começam de forma não linear, dando ao jogador a oportunidade de escolher qual dos seis caçar primeiro. Embora essa falta de linearidade inicial seja legal, ela não gera uma conexão rápida com Atsu em termos narrativos. Dependendo do caminho que você escolher, a história pode te passar a impressão de que Atsu é uma força vingativa da natureza; porém, nesse mesmo percurso até o destino principal, você poderá fazer sidequests em que ela demonstra ser uma pessoa de ótimo coração, apesar de birrenta e reclamona.

Como nesse primeiro momento temos pouco tempo de convivência com ela, os jogadores inicialmente podem se incomodar com seu jeito mais marrento e debochado — afinal, muitos ainda têm o honrado e correto Jin como sua visão de protagonista na franquia. Porém essa dificuldade de conexão com Atsu dura bem pouco. Com o tempo, passei a achá-la uma ótima personagem com qualidades e defeitos: debochada, sarcástica, mortal (e com plena consciência de seu potencial letal), mas com um coração de ouro.

Atsu sabe que sua jornada contra os Seis provavelmente não vai acabar bem, mas seus caminhos pelos belos campos de Yōtei podem mostrar outras formas de enxergar sua própria história. No caminho, ela conhece personagens secundários muito bem desenvolvidos, que entregam quests que trabalham a história não só do personagem mas realça o impacto que o domínio de Lorde Saito tem sob aquela terra. Essas quests são tão bem trabalhadas que mesmo as que têm pouco combate conseguem trazer ensinamentos e reflexões para Atsu — como o auxílio à matriarca Ainu, por exemplo, em momento algum aparentando ser conteúdo para inflar as atividades do jogo.

Jogabilidade

Entrando no mérito da jogabilidade, é aqui que o jogador mais vai se sentir confortável (ou

incomodado) com as semelhanças entre Yōtei e Tsushima. O jogo não busca mudanças drásticas em relação ao antecessor, então essa sensação de familiaridade acompanha o jogador praticamente durante toda a jornada — para o bem ou para o mal. Como dito inicialmente, o jogador é lançado em Ezo com apenas seu cavalo, suas armas e a missão de caçar os Seis de Yōtei. Assim como no jogo anterior, o vento guia orienta Atsu até seus objetivos. No caminho, você encontrará NPCs que agem de forma natural. Ao visitar uma vila para repor itens, o jogador poderá ser chamado por algum NPC que te avisará sobre um ponto de interesse próximo, atualizando automaticamente o mapa.

Atsu também pode usar sua luneta para procurar pontos de interesse sempre que encontrar locais com bom campo de visão, como picos de montanhas. Graças à melhoria técnica no FOV do jogo, será possível identificar pontos a distâncias consideráveis e marcar diretamente no mapa, que então será usado pelo vento-guia. Ao explorar trilhas, o jogador encontrará oportunidades de trabalhos secundários, quests para adquirir novas armas ou armaduras e diversas atividades diferentes, todas sinalizadas com cards no mapa. Também é possível acampar para criar munição, consumir alimentos que fornecem buffs temporários, recuperar vida.

Em minha gameplay, cada nova área desbloqueada despertava minha vontade de explorá-la por completo e a dinâmica de informações obtidas com NPCs ou interrogatórios gera um forte sentimento de curiosidade. Sendo assim, não senti cansaço em relação às diversas atividades, por mais que algumas sejam as mesmas encontradas em Tsushima. Entre essas atividades estão:

É inevitável o pensamento de “mas quase tudo isso tinha em Tsushima”, e realmente tinha. Porém, o jogo cria formas mais interessantes de executar essas atividades. Ao concluir qualquer atividade, o ponto onde ela foi feita fica disponível para viagem rápida. E aqui entra outro destaque: a viagem rápida está ainda mais rápida graças ao SSD do console e consegue reforçar ainda mais a fluidez no andamento do jogo.

Combate

Novamente, o jogo não reinventa a base de Tsushima: com Atsu desferindo ataques leves e

pesados buscando a quebra de postura de seus adversários, podendo usar a defesa no momento certo para defletir os ataques. Mas a grande mudança é a substituição das posturas do jogo anterior por cinco armas diferentes, onde cada arma possui uma vantagem sobre outra arma, como por exemplo a Odachi que têm vantagem contra inimigos de grande estatura ou as katanas duplas que tem vantagem contra inimigos portando lanças. Essa dinâmica muda completamente o ritmo do combate que fica ágil, variado e visualmente estiloso.

Também é possível desarmar inimigos e usar a arma deles como projétil. Porém Atsu também pode ser desarmada, caso leve ataques com brilho dourado. Mesmo com armas de fogo e projéteis muitos parecidos com Tsushima, a combinação com as novas armas deixa o combate com ar de novidade e em momento algum fica cansativo enfrentar hordas e hordas de inimigos. Em certo ponto, eu estava tão envolvido que comecei a caçar acampamentos só pelo prazer de lutar — até que, sem perceber, desbloqueei o troféu de limpar todos os acampamentos, e não são poucos.

Também retorna a mecânica de confrontar inimigos ao chegar em acampamentos e o uso de stealth. Porém, achei que o jogo te incentiva mais ao combate direto do que ao stealth, talvez porque a IA no stealth seja fraca. Outra novidade é a possibilidade de receber a ajuda de uma loba, que pode aparecer em momentos específicos da história ou aleatórios, à medida que você avança nas quests das tocas de loba reforçando o vínculo de confiança entre Atsu e o animal. As batalhas contra chefes são um show à parte: visualmente lindas e com desafios na medida certa.

Gráficos e Som

É curioso comentar sobre os gráficos de Ghost of Yōtei. No primeiro gameplay divulgado, muitos diziam que não havia diferença significativa entre Yōtei e a versão Director’s Cut de Tsushima no PS5 (o que eu concordei). Mas estávamos enganados. A parte técnica é impressionante dentro da proposta. Apesar de alguns NPCs com visual mais simples ou a água parecer esquisita em certos trechos, a direção de arte compensa tudo com cada nova área parecendo um wallpaper ambulante.

A única região mais simples é onde buscamos por Kitsune. Por ser coberta por neve gera certa repetição visual. Mas ainda assim, há locais lindíssimos ali. O jogo possui três modos gráficos: Qualidade, Desempenho e Ray Tracing, os dois últimos travados em 30 fps. No PS5 Pro, há mais variações, incluindo a possibilidade de alcançar 60 fps com RT ligado. Joguei 98% do tempo no modo Desempenho e não tive quedas de frame rate, exceto em um momento extremamente caótico com dezenas de explosões simultâneas.

Também há filtros visuais como o “modo Kurosawa” que retorna, acompanhado do “Modo Miike” (visual mais sujo e brutal) e “Modo Watanabe” (cenas mais coloridas e trilhas Lo-Fi).

A trilha sonora, composta por Toma Otowa, é fantástica: mistura instrumentos orientais com uma pegada com toques de western. O shamisen é a alma da trilha, e Atsu pode tocá-lo para influenciar o vento-guia ou aumentar a chance de invocar a loba ao invadir acampamentos.

A dublagem também está excelente, tanto a brasileira quanto em inglês, com destaque para a interpretação de Erika Ishii que consegue passar bastante em sua voz o sentimento de trauma que Atsu carrega. Diferente de Tsushima, não notei problemas de sincronização labial ao jogar com dublagem em inglês porém, curti grande parte da campanha com a dublagem nacional.

Surpreendentemente, não enfrentei nenhum bug durante as 61 horas de jogo, apenas a queda na taxa de frames que mencionei antes.

 

Ghost of Yōtei: Vale a Pena?

Ghost of Yōtei pega praticamente tudo que o jogo anterior fez e melhora, trazendo uma jornada imersiva e um sistema de combate extremamente prazeroso. Acredito que todos que derem uma chance a Atsu ficarão surpresos ao perceber que o tempo simplesmente voa ao desbravar Ezo. Talvez o único ponto abaixo da média seja a história principal, que apesar de tentar surpreender, segue o caminho mais seguro (e previsível) das histórias de vingança, às vezes entregando mais profundidade nas missões secundárias do que na campanha central. Concordo que Tsushima terminou deixando a sensação de que ainda havia histórias para contar com Jin Sakai. Mas, ao assumir a tocha (ou melhor, a espada) da franquia, Atsu prova ser uma protagonista à altura do desafio e certamente deixará uma memória tão marcante quanto Jin deixou.
Cópia de PlayStation 5 adquirida pelo redator para a elaboração desta análise.

Depois de tudo o que passamos juntos. De tudo o que eu fiz. Não pode ser em vão. Permaneça conosco.

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