A maior cerimônia de premiação para cinema, o Oscar, acontecerá no próximo domingo dia 24 de fevereiro às 22:00 horas e será transmitido no Brasil pela TNT. Aqui, após finalmente ter assistido todos os indicados, faço o meu ranking pessoal dos filmes indicados na categoria de Melhor Filme.

8. Vice

Começando com o último colocado, Vice não é nem de longe um filme ruim, contando a história do vice-presidente americano no mandato de Bush filho, eleito em 2001, Dick Cheney. Baseado na história real do político, o filme consegue nos mostrar muito bem o poder e como ele o adquiriu passando por cima de seu próprio presidente várias vezes, dá para sentir o poder simplesmente como age Dick, que é interpretado por Christian Bale que faz uma atuação fortíssima com sua voz imponente, maneira de olhar e calma, assim como Amy Adams que intepreta sua esposa, Lynne, faz um ótimo trabalho com monólogos que mostram que a atriz está subindo seu nível a cada filme. O grande problema do filme seria sua montagem, que muitas vezes deixa confuso dando grandes saltos de um momento para o outro, ou simplesmente fazendo encaixes que pareceram fora de lugar.

Nome original: Vice

Direção: Adam Mckay

Roteirista: Adam Mckay

7. Pantera Negra

Primeiro filme de herói a ser indicado nessa categoria no Oscar, um marco. O filme é sim muito bom, uma história, não necessariamente original, mas muito bem aplicada, a famosa história de um membro da família real perdido aparecendo e tomando o trono. O detalhamento na produção desse filme é realmente algo que merece destaque, a construção de Wakanda como um todo foi ótimo, como a cidade funciona, o figurino é maravilhoso, planos sequência muito bem trabalhados, o que é característico do diretor. Com um destaque na atuação de Michael B. Jordan, fazendo um personagem muito forte com alguns momentos bem memoráveis.

Nome original: Black Panther

Direção: Ryan Coogler

Roteiristas: Joe Robert Cole e Ryan Coogler

6. Bohemian Rhapsody

Fazendo a biografia de Freddie Mercury, em um filme que decepcionou muita gente, mas admito que me foi muito prazeroso assisti-lo. O filme possui um problema no contar da história que é em alguns momentos fica bem monótono, acontece uma montagem da banda criando uma música e depois indo para o show, depois acontece a mesma coisa e depois também, o filme tem esse problema de repetição. Por outro lado, a montagem, que seria essencial considerando isso, é muito boa e dinâmica o que, apesar de ser redundante em vários momentos, a montagem permite com que o filme não canse a audiência, além de claro a ótima música de Queen, que é sempre um deleite de ouvir, coisa tal que me proporcionou uma das minhas melhores experiências no cinema, que foi durante o show final. E claro, não podendo deixar de lado, a atuação de Rami Malek que foi incrível em mostrar o sentimento de solidão, tristeza e em alguns momentos arrogância do personagem, assim como alegria.

Nome original: Bohemian Rhapsody

Direção: Bryan Singer

Roteirista: Anthony McCarten

5. Nasce Uma Estrela

A 4ª leitura dessa história, originalmente de 1937, mostra a ascensão de uma cantora para o topo do mundo e a queda do cantor que descobriu o seu talento. O filme tem uma jornada muito interessante, pesada e divertida de acompanhar. O filme apresenta muito bem seus protagonistas e nos entrega muito bem quem são eles e como funcionam mentalmente. Mostrando muito bem, de maneira bem pesada e pertinente a depressão e a solidão, nos fazendo perceber que mesmo com dinheiro, família, fama, relacionamentos e afins, nada disso é cura a depressão ou é a solução para um sentimento de estar sozinho, muito disso é graças a tremenda atuação de Bradley Cooper que me fez acreditar 100% que ele estava passando por esses problemas citados, na minha opinião, uma das melhores atuações da premiação, Lady Gaga também fazendo um ótimo trabalho e até mesmo uma sátira de sua própria carreira como cantora. Além de ter ótimas músicas e montagens de show muito bem feitas, eu não comprei algumas das ideias do filme, mas, de fato, baita filme.

Nome Original: A star is born

Direção: Bradley Cooper

Roteiristas: Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters

4. Infiltrado na Klan

Mais um filme baseado em uma história real. Conta a história de Ron Stallworth, um policial negro que conseguiu o feito de se infiltrar no Ku Klux Klan com a ajuda de seus colegas, incluindo um judeu. Antes de tudo é muito bom ver esse filme pelo simples prazer de ver a KKK sendo humilhada por quem eles mais odeiam, e feito de uma maneira brilhante por Spike Lee. O enredo é muito bem desenvolvido e você entende com precisão o que está acontecendo e quando, o “story telling” aqui é, talvez, um dos melhores da categoria, tudo fica bem claro. Ao mesmo tempo que o filme vai divertir em vários momentos, em outros ele choca, e quando ele choca mostrando racismo e afins, o filme dá um baita de um soco no estômago, mostrando quão terrível e triste é tais comportamentos. Atuações também de altíssimo nível, todos mantendo o mesmo nível, nunca caindo, possui algumas sequências que duram mais que o necessário. Em todos os momentos batendo em várias teclas, teclas reais, e com um final, que se o filme já foi um soco no estômago, o final foi algo ainda mais duro e emocionante.

Nome original: Blackkklansman

Direção: Spike Lee

Roteiristas: Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott

3. Roma

Sim, sim, eu sei. Imagino que vários imaginaram que esse estaria no topo, ou abaixo, da lista, mas vamos lá. Roma é sem sombra de dúvidas, um dos filmes, se não o que mais, me deixou imerso dentro da trama, o nível de detalhamento em mise-en-scene, edição de áudio, toda a calma em que o diretor Alfonso Cuarón cuida de seu enredo e localizações é absurdo, é real até demais, as coreografias simplesmente não parecem ser coreografias pois são perfeitamente executadas no filme. Porém, para que isso fosse perfeito da maneira que é, acredito que seria necessário ter essa lentidão que faz parte do filme, em vários momentos as cenas duram muito tempo sem estar acontecendo muita coisa, então possui esses dois lados. Além disso ainda tem a história que inicia completamente mundana e vai subindo para o massacre no México, sempre da perspectiva de sua personagem principal, passando por várias sequências que, com certeza, já estão marcadas na história dos filmes, por exemplo a da praia. Uma história com metáforas e uma lindeza de produção e direção que se torna, possivelmente, o filme mais imersivo que já assisti.

Nome original: Roma

Direção: Alfonso Cuarón

Roteirista: Alfonso Cuarón

2. A Favorita

Esse filme é com certeza um dos mais divertidos de toda essa categoria, mostra o embate entre duas moças que tentam ser a mais querida da rainha Anne. O filme, além de ensinar uma história real, um fato histórico grande, mostra de uma forma muito empolgante os acontecimentos dentro dos recintos da rainha, a personalidade dentre as três personagens principais é muito bem desenvolvida, o que é crucial para que o filme funcione, principalmente nesse caso. Se entende perfeitamente os benefícios de ser a mão direita da rainha no filme dada a vulnerabilidade dela, que é atuada por Olivia Colman de maneira ideal, Emma Stone e Rachel Weisz também tem uma atuação de ponta, não tendo raivinha uma da outra, mas em um jogo psicológico, mostrando até certa admiração entre as duas, nos dizendo perfeitamente os planos e a aplicação disso.

Nome original: The favourite

Direção: Yorgos Lanthimos

Roteiristas: Deborah Davis e Tony McNamara

1. Green Book: O Guia

E finalmente, o meu preferido. Filme fantástico, contém o crescimento de uma relação, duas pessoas se tornando grandes amigos, com pontos de vista individuais, mostrando o que cada um “vê” e percebe, calmamente exibindo a descoberta e a compreensão. O crescimento da amizade serve como uma metáfora para a sociedade, um filme que mostra muito sobre racismo e como pessoas podem vir a se entender com o tempo. Atuações fantásticas, para variar, Viggo Mortensen e Mahershala Ali com atuações perfeitas, monólogos muito bem feitos, com muita sabedoria e riqueza de detalhes com expressões, vozes e gestos. Falando sobre solidão e tristeza, com diálogos incríveis, profundos, momentos engraçados e dramáticos. Um filme que consegue abranger diferentes temas com riqueza, surpreender os próprios personagens entre si e trazer uma bela mensagem sobre dignidade, respeito e expectativa.

Nome original: Green Book

Direção: Peter Farrely

Roteiristas: Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly