O amor é algo muito forte no nosso mundo, e no mundo bruxo esse sentimento chega a ser mais poderoso que o próprio feitiço da morte. Na saga, o amor materno foi o que fez tudo acontecer na história, salvando Harry da morte, porém não foi o único. O trio: Harry, Rony e Hermione, mostraram que os amigos podem amar tanto quanto a família, eles cuidavam, guiavam, ensinavam, protegiam, enfim, amavam mais que os Dursley demonstraram amar. Hagrid e Dumbledore foram figuras que também demonstraram por meio do cuidado o amor que sentiam.

Infelizmente, não foi apenas sobre amor, que J.K. Rowling escreveu na saga. O Preconceito foi um tema muito importante abordado. As pessoas que mais sofriam com o preconceito eram os bruxos que não tinham descendência total bruxa, sendo parte ou completo nascido trouxa.  Eles eram pejorativamente chamados de Sangue-Ruim ou Mestiços, uma das personagens que sentiu na pele o preconceito foi Hermione, tendo que se esconder ao máximo e quando encontrada foi torturada. Os Puro-Sangue, pessoas com descendência toda bruxa, utilizavam a descriminação para se disser melhores e superiores aos outros bruxos. Voldemort usava essa “justificativa” para humilhar, torturar e matar os bruxos e os trouxas, o que era uma grande contradição, pois a mãe dele era bruxa e o pai era um trouxa.

Bellatriz torturando Hermione por ela ser uma Sangue-Ruim.

Rúbeo Hagrid foi outro personagem discriminado por suas origens, filho de um bruxo com uma giganta. Logo quando nasceu foi abandonado pela mãe e aos doze anos seu pai faleceu, ficando órfão. Por seu tamanho exagerado e sua descendência, sofreu desde pequeno com o preconceito em Hogwarts e quando cresceu sofreu com os olhares maldosos. Mesmo com toda a maldade das pessoas ao seu redor, o meio gigante era um mar de compaixão e se dedicou, entre todos seus afazeres, em cuidar de seu meio-irmão gigante, Grawp (Groupe).

Além dos Sangue-Ruins, há a possibilidade de acontecer o inverso, casais bruxos terem filhos sem poder mágicos, eles são chamados de Abortos. Eles são muito excluídos do mundo bruxo mesmo vivendo nele. Argo Filch é um deles, ele aparenta ter se tornado amargurado por conta dessa exclusão. Diferente dos trouxas um aborto pode ver e conviver com a magia, porém não realiza, se tornando um pouco frustrado.

Outro assunto abordado pela escritora foi o trabalho escravo, mais especificamente a servidão dos elfos domésticos, que eram tomados como propriedades pelas famílias bruxas, sofrendo humilhações e castigos físicos até a morte. Um primeiro contato com os elfos foi no segundo filme, Câmara Secreta, com a introdução do personagem Dobby, mostrando todo seu sofrimento passado na casa da família Malfoy. Hermione, após perceber todos esses maus-tratos e ver que na própria escola tinha esse tipo de serviço (partes que foram retiradas do filme), ela desenvolveu o F.A.L.E. (Fundo de Apoio a Liberdade dos Elfos). O movimento social tentava combater as injustiças causadas aos elfos domésticos, porém, infelizmente, o movimento não teve tanto sucesso, pois quase ninguém queria libertar seu escravo. Além de as próprias criaturas demonstravam não querer a liberdade, como já estavam manipulados a pensar que nasceram para ser escravos, como foi com Winky. Excluída dos filmes, ela entrou em depressão e vício alcoólico, após ter sido libertada. O único elfo que realmente foi feliz com sua liberdade foi Dobby, que se manteve fiel a Harry mesmo sem precisar, por agradecimento a ajuda que o menino deu para ele se livrar dos Malfoy.

Uma revelação feita por J.K. Rowling, na sessão de autógrafos do livro Harry Potter e as Relíquias da Morte, disse que Dumbledore era gay até hoje gera discursão entre leitores. Muitos não aceitam e outros já veem uma necessidade de aprofundar no personagem, tendo a representatividade homossexual. David Yates, diretor do primeiro filme da saga e do spin off Animais Fantásticos e Onde Habitam, em uma entrevista para Entertainment Weekly, disse que nos próximos filmes a sexualidade de Dumbledore não seria explicitada, a falta de foco na personagem pode ser entendida por ele não ser o protagonista da história, porém todos esperavam mais explicações sobre ele, que esteve sempre presente na vida de Harry Potter. A escritora sempre defende a sexualidade do personagem dos “fãs” que o atacam, dizendo que “não consegue vê-lo como gay”.

Alvo Dumbledore interpretada nesta cena por Richard Harris.

A revista, O Pasquim (The Quibbler), denunciava de forma excêntrica os abusos e a corrupção do governo bruxo, além das desumanidades realizadas pelos seguidores de Voldemorte e o mesmo. O editor, Xenophilius Lovegood, sofreu todo o tipo de repressão, tendo sua revista fechada e sua filha (Luna) sequestrada e ele foi forçado a entregar Harry, Rony e Hermione aos comensais da morte com a intenção de resgatar Luna. Outro jornal, o Profeta Diário, teve todo seu conteúdo controlado pelo ministro, Cornélio Fudge, e tornando todas as informações em descrédito, principalmente com a ascensão do Lord ao poder, encobrindo mortes e desaparecimentos.

Como todos sabem Harry Potter é um garoto órfão, que sofreu maus-tratos pelos tios Dursley. A escritora retratou um dos tipos de sofrimento que um órfão sente, a rejeição e a solidão foram companheiras de Harry todos os dias que ele passou na casa dos tios maternos, o que representa tanto os órfãos que estão nos abrigos de adoção, que mesmo sendo bem cuidados não recebem o amor dado por uma família, quanto por órfãos de família viva, que são as crianças rejeitadas pelos pais, com a falta da atenção e de amor.

Ministra da Magia em Animais Fantásticos e os Crimes de Gridewald.

Um ponto, que infelizmente, não foi muito abordado nos sete filmes da saga foi a representativa negra. Com poucos negros no elenco, sendo nenhum deles em personagens como professores, protagonistas ou até mesmo vilões, o que causou certo estranhamento, pois a escritora sempre tocou em temas como preconceito e repressão, como ditas anteriormente. Houve mais diversidade e criatividade para criar criaturas magicas e feitiços do que diversificar as pessoas presente na história. Na peça teatral, The Cursed Child (A Criança Amaldiçoada), a personagem Hermione Granger é interpretada pela atriz Noma Dumezweni, e desde a nomeação do elenco muitas pessoas não aceitaram a atriz, pois estavam “mudando a raça” da personagem, porém a própria escritora esclareceu pelo Twiter em nenhum momento especificou a etnia da personagem nos livros. “Canon: olhos castanhos, cabelo cacheado e muito esperta. Pele branca nunca foi especificada. Rowling ama Hermione negra.” O importante foi a reação dos verdadeiros fãs que apoiaram totalmente o novo elenco, recebendo anos depois, em Animais Fantásticos e Onde Habitam, uma ministra bruxa negra (interpretada por Carmen Ejogo). Parecendo um pedido de desculpas pela falta de representatividade por anos.

Aliás, Animais Fantásticos apresentou algo que não tinha sido apresentado na franquia Harry Potter, o autismo. Em uma entrevista a Digital Spy, Eddie Pedmayne, o ator que interpreta Newt Scamander, disse que as características do personagem descrita pela J.K. Rowling era de uma pessoa com espectro autista – Síndrome de Asperger. Além, da grande representatividade que o preconceito é, outra observação é a masculinidade do personagem, diferente da muitos protagonistas, Newt não é forte e um padrão como os outros, ele é sensível e quieto, e sua inteligência incomum em relação aos animais o faz ficar um pouco fora da vida normal, o que aparenta ser mais uma característica do autismo.

Newt Scamander.