Por Camila Couto, Nathália Sanches e Taís Wölfert

  Um assunto que gera muitas discussões entre fãs de filmes é o REMAKE. Tem quem ame, tem quem odeie. E vamos ser sinceros, não teria como não ser assim já que da mesma forma que tem casos incríveis que fizeram muito sucesso, tem outros que só nasceram para a gente querer esquecer o que viu, fazendo todo mundo se apegar ainda mais ao original.

O que é Remake?

  Se você está se perguntando “o que é um remake?”, calma que a gente explica. Um remake é uma ação muito conhecida em filmes e games, onde é feito uma nova produção com a mesma história, personagens, ambientação, localidades, nomes, gênero, enfim, tudo que se fez presente da obra original. Porém, pode ser aplicado de uma forma diferente. Por exemplo, um filme que se passa nos anos 60 sendo retratado em 2021. E isso pode implicar em algumas mudanças sobre o conteúdo original.

Quando é justificável e ou necessário?

  Produções reinventadas, ou refeitas, para mim só se justificam se o assunto pode contribuir com algo novo que faz sentido para a época em questão. 

  Sendo clássico ou não, acredito que uma boa história pode muito bem ser contada novamente se adequando à realidade atual. Uma perspectiva diferente também ampara uma nova produção. 

  Porém o que tem acontecido é que algumas produtoras apenas querem reproduzir um sucesso, sem nada de novo sob o mesmo Sol. Até filmes que mal deixaram os cinemas já tem gente de olho para realizar um remake. Um exemplo disso é o vencedor do Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro Druk – Mais uma Rodada, que após o sucesso despertou o interesse para uma nova produção. 

Cena do filme Druk: Mais uma rodada

  Outro detalhe é o tempo entre a produção original e a releitura. Não vejo motivos para refazer películas recentes já que dificilmente terá algo legal ou diferente para acrescentar, nem mesmo efeitos especiais – outro quesito que faz jus a uma nova versão do original. 

  Sendo assim, separamos alguns exemplos que deram certo, e que não deram, para vocês decidirem por si só. 

Confira alguns remakes que deram muito certo:   

Ghostbusters

  As Caça-Fantasmas de 2016 ou Ghostbusters é um remake de Os Caça-Fantasmas lá da década de 80. Sendo o primeiro de 1984 e o segundo de 1989. Nesse remake nós temos mulheres no papel de Caça-Fantasmas, mas algo que gostei é como a comédia continuou se fazendo presente no filme. E a temática se manteve a mesma, mas claro de maneira diferente.

Os Caça-Fantasmas de 1984

  Na minha opinião é um remake que deu muito certo e chegou em ótima hora. Trazendo um elenco maravilhoso e uma trilha sonora tão boa quanto. Volta e meia ouvia meus pais falando dos tais Caça-Fantasmas e passei muito tempo sem nem ter ideia do que era. Até que com o lançamento do Just Dance 2014 que continha a música tema dos originais, que diga-se de passagem é ótima, eu me interessei e fui atrás.

  Não muito tempo depois assisti aos filmes e gostei. Mas sabe quando você sente que falta algo a mais? Foi o que senti, talvez os efeitos que poderiam ser melhores ou até ter uma presença feminina melhor ao longo dos filmes. E por sorte em 2016 eu tive a honra de ter esses desejos realizados. Os Caça-Fantasmas passaram a ser AS e os efeitos melhoraram e muito.

Ghostbusters (2016) é um remake que deu certo

  Mas apesar das mudanças, o filme é cheio de referências aos filmes iniciais. Contando inclusive com os Caça-Fantasmas originais participando em algumas cenas do filme. Então, além de tudo, dá para matar a saudade. E mesmo com uma aprovação boa da crítica, 74% no Rotten Tomatoes, uma parte do público não gostou. Mas sinceramente, acho que eles não gostaram por serem mulheres no papel de homens. E se você não assistiu ainda, As Caça-Fantasmas é um remake que definitivamente vale a pena, exatamente por trazer algo novo, uma nova versão que se encaixa mais com os dias atuais.

Mad Max

  Sofrendo do mesmo problema do filme anterior com mulheres tendo mais focos, temos o exemplo de Mad Max: Estrada da Fúria de 2015. Lembro que na época de seu lançamento o filme sofreu com campanhas de boicote por parte da ala masculina que não aceitou uma mulher como protagonista em um filme desse tipo.

  Mas sejamos sinceros, a história de Estrada da Fúria é extremamente envolvente e maravilhosa. Além de ter ótimas críticas sociais, talvez esse seja outro motivo que gerou boicote ao filme. É um remake bem feito que traz uma versão diferente dos seus antecessores. Dá uma atualizada na história e também no seu estilo. Além de chamar uma nova geração e mostrar que mulheres podem sim ser poderosas e dominar as telas de cinemas.

Primeira versão de Mad Max contou com Mel Gibson como protagonista

  Apesar da tentativa de boicote por uma parte do público, as mulheres fizeram campanhas para que ele fosse sim assistido. E afirmo, que estava bem com o pé atrás para assistir, e só dei a chance porque vi que irritou nossos queridos nerds quarentões e porque tinha mulher dizendo que valia a pena assim. E eu como mulher que passei a infância assistindo Barbie e aprendendo que não preciso de homem algum e posso ser tudo que quiser sempre senti falta disso em filmes com atores reais. Por isso sempre que pintava um bom protagonismo feminino na área eu estava dentro.

Mad Max: Estrada da Fúria é exemplo de remake que deu certo

  E fiquei muito feliz em ver que essa nova versão de Mad Max é simplesmente maravilhosa e funciona super bem. O elenco é maravilhoso. E a presença feminina vem com bastante peso. Esse filme está nessa lista porque é sim um remake muito bem feito e que definitivamente compensa ser assistido. Essa nova versão surpreendeu positivamente os espectadores.

Nasce uma Estrela

  Se é um peso muito grande ser a protagonista de um remake, pense como Lady Gaga se sentiu quando foi convidada para interpretar Ally em Nasce Uma Estrela, que já tinha recebido três filmes no passado. O filme chegou pela primeira vez aos cinemas em 1937, com Janet Gaynor no papel da jovem que se apaixona por um complicado homem famoso. O original ganhou o primeiro remake em 1954, com Judy Garland, e o segundo em 1976, com Barbra Streisand

  Mas para sobreviver ao longo de tantas gerações, a história e seus personagens passaram por algumas mudanças. Uma das principais alterações é o comportamento do galã. No primeiro filme o homem apresenta uma postura agressiva quando alcoolizado e se comporta como um típico playboy de Hollywood. Agora, Bradley Cooper incorporou um personagem muito mais centrado em sua música e luta contra o alcoolismo, apresentado como uma doença e não como parte da cultura do show business.

Nasce um Estrela - Filme com Lady Gaga é mais um remake do filme de 1937

  Na trama de 1937, Norman Maine (Fredric March) se encanta pela jovem Esther Blodgett (Janet), que trabalha como garçonete em uma festa. Antes mesmo de vê-la atuar, ele já a convida para uma audição no estúdio em que trabalha. Os dois chegam a se casar em um tribunal de uma pequena cidade da Califórnia para fugir dos paparazzi. Norman se envolve em vários escândalos envolvendo o abuso de álcool, até chegar no final trágico da história que impactou os espectadores na época.

Nasce uma Estrela (1937)

  O primeiro remake veio em 1954 e trouxe a história de Judy Garland como Esther. A personagem, dessa vez, faz pequenos musicais em clubes de Hollywood. Onde ela é surpreendida pela entrada de Norman Maine (James Mason) bêbado no palco. Norman convence Esther a desistir de uma turnê musical que ela iniciaria no dia seguinte para tentar a carreira em Hollywood. Quando ela finalmente consegue um trabalho em um estúdio, ela começa um relacionamento com o ator. A produção, então, repete os passos da primeira com o casamento às escondidas e o fim trágico.

Nasce uma Estrela de 1954 contou com Judy Garland no papel principal

  O segundo remake é de 1976 e é o mais parecido com a versão estrelada por Cooper e Gaga, o filme de 1976 acompanha a história de um roqueiro problemático (Kris Kristofferson), que se apaixona por uma aspirante a cantora, interpretada por Barbra Streisand. O futuro casal se conhece em um bar e eles partem juntos para um grande show do cantor, mais tarde se apaixonam, e quando Norman é substituído por Esther em sua participação num evento, começa a ascensão da moça, na mesma velocidade da queda do rockstar. Mantendo o triste fim da obra.

Barbra Streisand também já protagonizou uma das versões de Nasce uma Estrela

  Infelizmente nem todos os remakes possuem tanto sucesso assim, na verdade alguns chegam a ser quase um fracasso. 

Um remake que “não” deu certo

  Em 2016 o filme Grease ganhou um remake. O elenco é ótimo, e apesar da boa aprovação, o filme é literalmente a mesma coisa de seu antecessor. E como Grease se passa nos tempos da brilhantina, até a década em que o remake se passa é a mesma do primeiro filme. Claro que não há problema em se manter como a obra original, o problema está em não ter absolutamente nada de novo. A história é literalmente a mesma, só que com novos atores e uma imagem melhor.

  Porém, me pergunto quão necessário era fazer um remake de Grease já que o filme original com John Travolta e Olivia Newton-John passou por uma remasterização e tem uma ótima imagem. Essa versão está disponível na Netflix, e se é para ver uma exata cópia do original eu vou preferir ver o original.

Olivia Newton-John e John Travolta em Grease: Nos tempos da brilhantina

  Lembro que quando saiu a notícia de um remake de Grease eu coloquei a expectativa lá em cima. Eu sabia que teríamos novamente os mesmos personagens, mas acreditava que talvez o foco mudasse um pouco. Que houvesse pelo menos mais inovação. Mas não, o filme é literalmente uma cópia. Muito bem feita, mas ainda assim uma cópia. E acredito que parte do seu sucesso se deva também a isso, porque os fãs da obra original provavelmente não gostariam de algo novo.

Juliane Hough e Aaron Tveit no remake de Grease

  Por outro lado, eu já não vejo motivos para se investir tempo em dinheiro para fazer algo exatamente igual ao que já existe Sim, as atuações são ótimas e as músicas também. Mas gente, até hoje eu me pergunto por quê? Qual é o sentido de se produzir um filme igualzinho a outro? Por sorte o filme não foi um fracasso. Mas ao mesmo tempo ele é só mais do mesmo. Assim, eu não acho que compense dar play nessa versão de 2016. Já o original lá de 1978 super compensa. 

Apoiamos ou desaprovamos?

Taís Wölfert: Eu apoio um Remake desde que ele traga algo de novo para o enredo. Claro que não precisa ser super inovador. Mas precisa sim ter algo a mais na história, se não não têm motivos para se fazer. Vejo como o objetivo do remake fazer um público novo conhecer aquela mesma história. Porém, quando se faz um remake, os espectadores que não conheciam o original vão atrás, e muitas vezes até assistem. Por isso, é bom inovar, colocar coisas novas, em alguns casos é possível até atualizar a história como foi o caso das Caça-Fantasmas.

Os remakes sempre vão sofrer comparações com seus originais. Isso é natural de acontecer. E sabendo que isso vai ocorrer, por que não inovar? Grease não inovou, a história é idêntica ao original então as pessoas vão preferir o original. Já Mad Max deu uma ótima atualizada e é bem possível achar pessoas que preferem essa nova versão, eu sou uma delas, inclusive.

Vejo um Remake como uma espécie de homenagem à obra original e por isso é legal de se fazer. Então eu aprovo com duas condições: uma delas já falei bastante que é a de não ser uma cópia, e a outra estar em um momento propício para que ele ocorra. Por exemplo, há algum tempo foi confirmado um remake de Piratas do Caribe. Pelo que soube, cumpriria com meu primeiro requisito, ser diferente do original, mas será que é o caso de fazer isso agora?

Kaya Scodelario participou do último filme de Piratas do Caribe

O último filme foi lançado em 2017, e todo mundo sabe que a história já tinha decaído um pouco antes disso. Mas além disso ele conta com uma mísera aprovação de 29% por parte da crítica no Rotten Tomatoes. Assim, com base nesse insucesso e no fato de que o filme nem completou cinco anos de lançamento. Não é o melhor momento para isso. Primeiro tem que deixar esfriar e quem sabe até fazer as pessoas esquecerem deste último filme. Mas isso ainda vai levar tempo. Então não há necessidade de ser feito agora. Mas com certeza daqui a alguns anos seria bem legal ver uma nova versão dos Piratas do Caribe.

Nathália Sanches: Eu aprovo, desde que haja sentido, propósito, algo novo a acrescentar, uma homenagem a fazer e  um tempo considerável entre as duas obras para justificar o Remake. Caso contrário não concordo com a realização. 

Camila Couto: Eu concordo com os remakes desde que não perca a essencial e respeite o legado do anterior. Diferente disso, pode ser uma adaptação ou reboot, mas sendo bem sincera, geralmente não gosto dos remakes. Tenho medo do que pode ser feito, ou pior do que pode ser estragado do filme original.

Agora queremos ouvir a sua opinião. Deixe aqui nos comentários se você gosta da ideia dos remakes e qual o seu favorito. 

Teoria Geek – O importante é se divertir