Desenvolvido por: Game Freak
Publicado por: Nintendo
Série: Pokémon
Lançamento: Red e Green – 27 de fevereiro de 1996, no Japão; Blue (versão exclusiva do Japão) – 15 de outubro de 1996; Red e Blue – 28 de setembro de 1998, nos EUA; 23 de outubro de 1998, na Austrália; 5 de outubro de 1999, na Europa; Yellow – 12 de setembro de 1998, no Japão; 3 de setembro de 1999, na Austrália; 19 de outubro de 1999, nos EUA; 16 de junho de 2000, na Europa.
Gênero: RPG
Modos: Singleplayer, Multiplayer
Versões: Game Boy, Game Boy Color (original); Nintendo 3DS (ports/Virtual Console).

Pocket Monsters, ou abreviada como Pokémon, é uma das mais populares franquias da cultura pop/nerd dos últimos 20 anos. O fenômeno começou através de uma das ideias mais revolucionárias e lucrativas da indústria do entretenimento. Quando criança, Satoshi Tajiri adorava colecionar e catalogar insetos, tendo recebido até mesmo o apelido de “Doctor Bug” de seus amigos por conta disso. Conforme cresceu, seu hobby mudou para os fliperamas, sendo Space Invaders um de seus favoritos, o que acabou o motivando a trabalhar na indústria de games.

Sete anos antes do lançamento de Pokémon Red e Green, Tajiri se uniu ao artista Ken Sugimori e ao compositor Junichi Masuda para criarem a Game Freak, em 26 de abril de 1989. Ainda em 1989, Tajiri lançou seu primeiro jogo pela Fame Freak, Quinty, que ficou conhecido no ocidente como Mendel Palace, publicado pela finada Hudson (de Bomberman) para o Famicom/NES, garantindo por meio do game certa notoriedade ao estúdio. Em seguida, o estúdio desenvolveu alguns títulos para algumas das maiores empresas da época, tais como Mario & Wario, Yoshi e Smart Ball, para Nintendo, e Pulseman, para Sega.

A grande ideia sugiu quando um dia enquanto observava dois garotinhos ao brincarem com seus Game Boy usando o cabo Link, Taijiri, começou a imaginar insetos saindo de um portátil ao outro. Melhorou a ideia junto da equipe da Game Freak, apresentando-a à Nintendo, a qual não agradou o bastante, contudo, o lendário mestre Shigeru Miyamoto viu potencial na ideia, e até acabou contribuindo para o sucesso desta, sendo ele quem sugeriu o lançamento em duas versões do game, para aumentar a interatividade entre os jogadores.

Em 27/02/1996 foram então lançados Pokémon Red e Green, para Game Boy, no Japão, conferindo assim a oportunidade de milhares de jogadores capturarem os 150 Pokémon, além de treiná-los e trocá-los. No começo, as vendas do game foram modestas, porém, após o anúncio da revista japonesa CoroCoro de que seriam dadas em um concurso 20 unidades da última criatura da Pokédex, o lendário pokémon #151, Mew, o sucesso do game explodiu de vez! Foram mais de 78.000 inscrições no concurso, na tentativa de completar a Pokédex. A partir daí, a popularidade da franquia foi só ascendendo aos céus, aumentando ainda mais a partir da estreia do anime e da criação do TCG, surgindo ainda diversos brinquedos, álbuns de figurinhas, discos, brindes em salgadinhos, refrigerantes etc.

Pocket Monsters Red e Pocket Monsters Green foram os role-playing games que começaram tudo. Você joga como um garoto tentando coletar os 150 pokemon na região de Kanto. Ao longo do caminho, você compete em uma série de ginásios Pokémon para receber as oito insígnias necessárias para entrar na Liga Pokémon. Com uma jogabilidade profunda que era inédita em um jogo portátil na época, os jogos vendiam milhões de cópias em todo o mundo. Foram necessários seis anos para o criador de Pocket Monsters, Satoshi Tajiri, completar o jogo. Durante esse período, a Game Freak quase faliu e cinco funcionários se demitiram quando descobriram a seriedade das finanças da empresa. Tajiri não se pagou durante os últimos meses de desenvolvimento.

Pocket Monsters Blue era o mesmo jogo que Pocket Monsters Red e Pocket Monsters Green, com algumas diferenças. Os sprites usados para os personagens em batalha foram completamente redesenhados, e os textos da Pokédex foram reescritos. Além disso, havia também um novo layout para a dungeon final do jogo. Este jogo nunca foi lançado nos Estados Unidos. O jogo lançado nos Estados Unidos como Pokémon Blue era na verdade o japonês Pocket Monsters Green.


Para o lançamento americano,
foi optado pelas versões Red e pela versão Blue em vez da Green, contudo, o Pokémon Blue era o mesmo Pokémon Green japonês, apenas lançado com o título Pokémon Blue, e com os sprites completamente descartados e substituídos pelos do japonês Pocket Monsters Blue. O layout da dungeon final (a caverna onde você encontra Mewtwo) no Green japonês também foi substituído pelo layout usado no jogo japonês Blue, para o lançamento americano.

Pocket Monsters Pikachu é a terceira versão do RPG original. O jogo segue as mesmas histórias de todos os outros anteriores, mas adiciona elementos introduzidos pelo anime. Pikachu é o seu primeiro pokémon, e você é capaz de obter também os outros 3 iniciais das versões anteriores ao longo do jogo. Além disso, os sprites foram novamente redesenhados e os textos da Pokédex novamente reescritos. Vários personagens do anime aparecem, e um mini-game “Pikachu surfista” foi adicionado. O jogo foi lançado nos Estados Unidos como Pokémon Special Pikachu Edition, mas geralmente é referido pelos fãs como Pokémon Yellow.

Lembro como se fosse hoje, possuí meu primeiro Game Boy do modelo original em meados de 1998, quando tinha entre 7 e 8 anos. Na época, nem conhecia Pokémon. Como não trabalhava na época, meus pais foi quem me deram de presente e a meu irmão o aparelho, que havia custado R$50, comprado do fliperama em que frequentávamos rotineiramente, usado. Sabe-se lá por quantas mãos aquilo havia passado. O aparelho consumia 4 pilhas AA, durando somente cerca de 10 horas. Fiquei com o aparelho por menos de 1 mês, tendo oportunidade de conhecer pouquíssimos games, entre eles Super Mario Land, Super Mario Land 3 Wario Land e Mega Man World IV, além de muitos outros games genéricos. Como havia feito a transição do SNES para o PS1, acabei aceitando um escambo do dono da locadora, por impulso, retrocando meu Game Boy tijolão por míseros 5 CDs piratas de títulos quaisquer de PS1.

Fui ter meu primeiro contato com Pokémon somente meses ou pelo menos 1 ano depois, enquanto fazia uma visita a meus primos em 1998, que me mostraram uma revista Recreio, em que a animação era a matéria principal da revista, que já passava na TV a cabo e ainda estrearia na TV Record. Lembro até hoje deles me explicando como funcionava a evolução, exemplificando com o Caterpie. Assim que estreou em TV aberta, virou meu anime preferido da época. Colecionava de tudo, desde figurinhas do álbum da Panini até os cards que vinham nos salgadinhos da Elma Chips. Sem contar ter presenciado um dos momentos mais tristes da história do cinema, em 2000, quando Ash virou pedra e os Pokémon começaram a chorar.

Contudo, só fui ter contato de fato com os games de Pokémon anos depois, em 2002, quando a febre da franquia já tinha defevercido em mim e eu já tinha outro anime de predileção, já com 11 anos (assim como o protagonista e o antagonista, Red and Blue), quando, já com o Game Boy Advance no mercado, decidi adquirir um Game Boy Color, da edição limitada de Gold & Silver. Como ainda não trabalhava, pois o governo da época (diferente do atual) não legalizava o trabalho infantil, tive que recorrer novamente a meus pais. Lembro até hoje que minha mãe comprou o aparelho escondido de meu pai, dividido em 12x, tudo para fazer o filho feliz. Acabei comprando o game Pokémon Yellow em uma feirinha perto de casa, por cerca de R$25, falsificado, obviamente.

Lembro que fiquei abismado com tamanha engenhosidade daquele game rodando em uma engine de míseros 8-bits, onde tudo naquele mundinho pequenino despertava minha curiosidade e de meu irmão. O problema é que, toda vez que salvávamos o game e desligávamos o console, nada era salvo e tínhamos que recomeçar tudo. E TODA SANTA VEZ que recomeçava o game, por querer reproduzir EXATAMENTE a jornada do Ash, igual no anime, ficava HORAS procurando um pidgeotto na floresta de Viridian, sendo que a criatura tinha chances de surgir de 1 em cada 100 encontros. Ou seja, às vezes o encontrava nos primeiros 10 minutos, outras vezes levava duas horas e não o encontrava. Até hoje, sempre quando rejogo os games, SEMPRE, só sigo adiante quando capturo o pidgeotto de Viridian. Só fui descobrir semanas depois que, para salvar o game, era necessário instalar uma bateria de R$5 no cartucho. Cheguei até mesmo a quase devolver o game, por achar ser defeito do cartucho.

Na época, não tinha um domínio muito aprofundado de inglês e por também não ter acesso tão fácil à internet e a detonados como hoje em dia, por diversas vezes, ficava travado em alguns seguimentos do game, como por exemplo nas rochas das Seafom Islands, chegando a torrar 1 par de pilhas só naquela parte, desistir e só retomar a jornada semanas depois. Lembro que também tomava uma surra da Elite Four por não ter Pokémon suficientemente fortes, mas depois de aprender bem as estratégias de cada um, pude vencê-los finalmente. Qualquer sujeito que tenha jogado o game quando criança, assim como eu na época, com certeza sente calafrios na espinha só de lembrar da música horripilante de Lavender Town e do fantasma da mamãe Marowak, antes de ter usado o Silph Scope.

Para mim, Pokémon era como um mini GTA portátil, antes de ter existido um ou estivesse sequer perto de vir a existir. Transitava de uma cidade à outra, voava, viajava a navio, pescava. Àquela altura, era uma liberdade portátil sem precedentes. Ver no Hall da Fama os monstrinhos que estiveram comigo ao longo de toda a jornada durante meses DE VERDADE (pelos inúmeros travamentos e saves sem bateria) foi um sentimento indescritível. Porém, ainda restava o desafio final: capturar Mewtwo! Algo que foi bem trabalhoso, visto que sem entender inglês, acabei desperdiçando minha master ball em um rattata qualquer.

Tive pouquíssimo contato com o multiplayer, pois como eu morava em uma região muito pobre, meus poucos amigos não tinham a condição de ter um brinquedo caro que era um Game Boy Color, considerando os valores da época, ou vai ver a mãe deles não queriam comprar escondido de seus pais, para não pôr o casamento em risco. Independente disso, só fui encontrar alguém para batalhar contra em outra cidade, um amigo, que tinha um time repleto de Pkmn lv. 99 enquanto eu só tinha um charizard lv. 97 e meu Mewtwo lv. 88, além de os outros 4 membros de meu time terem menos de lv. 20. Na base de muita estratégia, investidas sísmicas de meu charizard e metrônomo e struggle do M2, ainda assim, consegui vencer. De fato, uma batalha ainda memorável, mesmo mais de 15 anos passados.

Em 2004, os games da primeira geração ganharam um remake para Game Boy Advance, em duas versões, Pokémon Firered e Pokémon Leafgreen, que contavam com visual completamente renovado, uma área adicional para o pós-game, Pokémon de gerações seguintes (até a 3ª na época), multiplayer sem fios (graças ao Wi-fi adapter que vinha com as cópias do game) e a opção de jogar com uma protagonista feminina (algo que já era planejado desde o original, mas não foi implementado), além de todas as adaptações de status e mecânicas de combate que a série sofreu até ali.

Hoje em dia não sou mais fanboy pela franquia como já fui um dia, também não estou nem um pouco ansioso para Sword and Shield, mas reconheço a importância da série para o mundo dos games e com toda a certeza, guardo um carinho especial por ela em meu coração e a tenho como um dos meus TOP 10 games de todos os tempos.

E você, animado para Pokémon Sword and Shield?

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Referências: Bulbapedia, Nintendo World Collection #3, Dogasu’s Backpack.