Dreamcatcher é o girl group sul-coreano que me chamou atenção desde o primeiro music video assistido. E é o único que conseguiu essa ‘proeza’ até hoje. Apesar de gostar de todos os comebacks, e perceber a progressão das meninas,-nunca me inspirei a escrever sobre, já porque não é um grupo convencional – e sua base, pode ser um tanto polêmica – além disso, sempre senti o receio dos fãs de k-pop, por ser um grupo “reciclado”. Porém, após o comeback do dia  de setembro de 2019, com o music video de Deja Vu, do mini-álbum , ficou impossível não falar: essa meninas tem talento para dar e vender, e MERECEM ser reconhecidas. 

O videoclipe/música de Deja Vu teve uma GRANDE aceitação, tanto que as meninas chegaram a ficar em segundo lugar no M! Countdown na semana de estréia, e o álbum Raid of Dreams ficou no topo da lista do iTunes em noves países diferentes; No Brasil, ficou no top 10.

Criado pela Happy Face Entertainment, Dreamcatcher nasceu em 2017, após o grupo MINX anunciar que dariam uma repaginada: trocaram de nome,conceito e adicionaram duas integrantes. Aqui, muitos dizem que MINX fracassou como girl group, mas eu particularmente não acredito nisso. O que eu percebi da primeira formação, é que ela seriam apenas mais do mesmo,com altas chances de não obterem sucesso perante a grupos de empresas maiores,como SM, JYP, YG e Cube. Os motivos reais não foram ditos, e nem precisam. Com as cinco integrantes talentosas do antigo grupo, JiU, SuA, Dami, Siyeon e Yoohyeon juntando com os vocais incríveis de Gahyeon e Handong, o time estava completo para um novo começo, e um conceito ousado.

Jiu           Handong      Siyeon    SuA

Dami  Gahyeon  Yoohyeon

O debut ocorreu em janeiro de 2017, uma sexta-feira 13. Propositalmente,claro. Contando uma estória, o music video mistura elementos de terror conhecidos (altas referências de O Iluminado), com pitadas clássicas de bruxaria, fantasma, possessão e todos os estereótipos possíveis, o videoclipe possui um conceito nada comum para grupos femininos de k-pop. Em conjunto, a música possui tons de rock. Chase Me, faixa do single album Nightmare, não é nada comum. Aqui é inevitável dizer: sim, por um momento você vai achar que está assistindo algum grupo japonês; influência de j-rock é forte, e os figurinos lembram muito o estereótipo de anime. De fato,os próprios representantes admitem essas influências e ainda afirmam o gosto das integrantes pelo rock, principalmente Siyeon, que foi vocalista em uma banda na época de escola e super fã de ONE OK ROCK (a banda de j-rock mundialmente conhecida) e além disso, dizem que, se querem entender um pouco de Dreamcatcher, podem olhar para Babymetal (!!!!!) e ver as semelhanças.

Good Night foi lançado em abril do mesmo ano, também em formato de single album intitulado de Fall Asleep In the Mirror, sendo a continuação de Chase Me e mantendo as mesmas características do primeiro, finalizando a estória. Porém, mais estava por vir; ainda em 2017, em junho, o grupo lançou mais um single, intitulado Fly High, lançando seu primeiro mini-álbum Prequel. Com uma estética diferente dos anteriores, o clipe, inicialmente, parece começar a contar uma estória nova, todavia percebemos a familiaridade com os mvs passados, além de introduzir novos detalhes. Além disso, a música tem ritmo pop-rock, muito presente em temas e trilha sonoras de anime. Até a realização do próximo mini-album, o single especial Full Moon foi lançado em comemoração de aniversário de 1 ano, em 2018. Em 10 maio de 2018, saiu o comeback, com a faixa-single You And I (carinho especial por esse aqui, já que foi na data do meu aniversário <3), para o segundo mini-album do grupo, Escape The ERA – e trazendo as meninas para o spotlight pela primeira vez, apesar de não terem ganhado nenhum prêmio. You and I possui mais sobre a estória contada em Fly High, possui referência clara ao filme A Origem, apesar de manter a mesma textura dos music video de Chase Me e Good Night – mantendo toques obscuros. Mais um mini-álbum lançado em 2018, chamado Alone in the City, com o single What. Apesar de manter a palheta de cores similar a Fly High, aqui Dreamcatcher apresenta um estilo diferente. O “horror” desse clipe está no desespero o qual as integrantes parecem estar passando, sem mostrar qualquer indício de qual seria o motivo para tanta agonia. A impressão de que os temores agora são muito mais reais do que fantasiosos. What ganhou uma versão japonesa, marcando o debut japonês das meninas em novembro de 2018, com a parceria da empresa coreana e a gravadora Ponycanyon. Em 2019, na data de aniversário, as meninas disponibilizaram um single especial Over the Sky , em comemoração ao aniversário de dois anos. Mas, sem demoras, no final de fevereiro , tivemos o comeback , o qual marcou o final da era “Nightmare” (título do primeiro single album), com o quarto mini-album The End of Nightmare, como o single PIRI. Aqui o grupo retorna ao estilo de horror, mas de forma mais madura, mostrando que nós criamos grande parte dos nossos medos, os tornando irreais quando temos a capacidade de olhar claramente. Além de encerrar um capítulo, notamos a presença forte do vocal e menor uso de recursos estéticos – apesar da estética em si, principalmente o figurino, estarem cada vez mais autênticos e refinados. De verdade, o álbum em si é deslumbrante! E não é toa, as posições da nos chart, incluindo Billboard, foram excepcionais. Disponibilizado um pouco antes de Deja Vu, Breaking Out, single japonês fala exatamente como quebrar a noite escura tanto na letra contêm a frase “bye bye, to this nightmare”. É o primeiro álbum japonês do Dreamcatcher, intitulado de The Beginning Of The End.

Deixarei aqui o link para o canal do grupo, o qual além de conter todas músicas, music videos e teasers, ainda contêm as práticas de danças e clipes especiais os quais valem MUITO A PENA. Recomendo também as danças covers, como o de Tik Tak feito pela SuA e Love Shot – do EXO – muito bem apresentado pelas meninas.

Até aqui, os videos clipes, apesar de terem suas diferenças, sempre falava muito sobre ocultismo, sobrenatural, magia, portais para outras dimensões, mundo paralelos…tudo com um toque escuridão. E esse toque se mantêm, até porque, Dreamcatcher significa apanhador de sonhos, e como vamos sonhar de fato se não fecharmos os olhos e entrarmos na escuridão? Tudo em volta do grupo gira em torno de sonhos…pesadelos, previsões, vivência em outras dimensões, em outros passados e outros futuros. Na verdade, toda a temática de terror, horror, leve sci-fic e forte presença do arquétipo da lua é para apresentar, de forma mais clara possível, a intenção do grupo: a existência do mistério em nossas vidas.

 A nova era do grupo começou, e primeiro marco é o single Deja Vu, lançado em 18 de setembro de 2019, faixa do do mini-album especial Raid Of Dream.

A música em si é o que fez meu queixo cair. Os vocais das meninas chegaram a um patamar incrível. Siyeon (não superei, falar bem a verdade) e Gahyeon sempre superam as minhas expectativas, mas ver as JiU, Yoohyeon, SuA (nossa !!!!!) cantando se superando também, é prazeroso demais. Todavia, o vocal de Handong quando ela canta “oh now holding this pain…” seguida pela parte em coreano “…like the day abandoned everthing” fez meu coração perder o ar; agora, a Dami, a responsável pelo rap, que pela primeira vez mostrou sua voz de canto a qual é….incrível. Na verdade, não tenho palavras para descrever o quanto os vocais me impressionaram em Deja Vu. De fato, comparado a todos os outros singles, cujos o rock/metal se unia a um leve pop, este apresenta a uma sonoridade bem mais orquestrada, um som de piano que alimenta sozinho a maior parte da música, até se encontrar com elementos de pop, rock e metal. A legítima impressão é:o volume aumenta e abaixa por conta própria. A letra fala sobre dores passadas, desejos de reencontro e um toque de desejo de vingança, ou de se retratar, banho no sentimento de culpa e remorso. “And now I’m in a Deja Vu”.

O sobre o MV: A paleta de cores apesar de bem variada, os tons se encaixam perfeitamente, deixando fluir a percepção entre a dia/claro/branco com noite/escuro/preto. Isso é extremamente claro pelo fato das meninas dançarem com roupas brancas, na sala do palácio completamente iluminado; enquanto elas também dançam de preto, na mesma sala completamente destruída. Apesar de parecer claro, não conseguimos dizer com certeza qual é o final da estória…melhor dizendo qual dos finais são reais. 

Temos a apresentação de dois reinados: do JiU, e o do Yoohyeon. Enquanto o salão, onde está o trono, no momento que Yoohyeon governa, aparenta ser cru e frio, vemos o mesmo salão florido, quando governado por JiU; sendo que a mesa usa uma coroa flores e um vestido rosa claro,enquanto Yoohyeon utiliza uma coroa de cristal e um vestido branco com cristais. Podemos aqui interpretar a diferença de reinados. E vale ressaltar, a energia escura o qual envolve Yoohyeon no início do clipe, dando indícios que ela é a “vilã”. Nas cenas de “xeque-mate”, notamos mais distinções: quando JiU rende Yoohyeon, os pedaços do teto começa a cair e as janelas estão fechadas, (ou são de textura leitosa, a qual não nos permite ver a paisagem) e apenas notamos a luz da lua penetrando pelo salão; enquanto, no momento em que Yoohyeon confronta JiU, além do salão bagunçada, notamos a tempestade ao fundo, no céu laranja rosado, com nuvens e raios, pelas janelas do palácio. Claramente, vemos que Yoohyeon apunhala JiU pelas costas, e a morte é confirmada pela cena em que JiU está deitada na mesa de jantar, de roupa branca, na toalha de mesa vermelha cheia de flores, representando o tapete do palácio no momento do acontecimento; além das cenas das borboletas saindo de seu corpo, dos shots em preto e branco, da cena dela caindo com flores brancas. As cenas do velório são um pouco mais confusas. Apesar de termos as cenas das demais meninas em volta do caixão de JiU, ela abre os olhos em um momento; e tem a cena em que JiU está no caixão e Yoohyeon aponta a espada para ela…só que antes dela,temos a mesma cena, só que quem aponta a espada é JiU para Yoohyeon no caixão. 

Em paralelo a isso, temos a cenas das meninas unidas na mesa jantar do castelo, felizes, como se todas fossem amigas; até a cena em que Yoohyeon está rindo, e percebe que está sozinha. Além disso, temos a cena de confronto na mesma mesa, onde JiU e Yoohyeon, cada um em uma ponta, parecem se confrontar, até JiU sumir. Unindo a cena na qual todas as meninas fazem um círculo em volta de Yoohyeon, confirma que ela obteve o poder desejado, mas acabou sem ninguém do seu lado – afinal, ela conspirou contra, foi pega no flagra, poupada e utilizou de uma oportunidade covarde para chegar a ser objetivo. 

Detalhes importantes: 

  • a espada é a mesma em ambos os casos; 
  • talvez, o fato delas estarem vestidas de preto nas cenas de xeque-mate tenha alguma relação com os soldados de preto; 
  • as rosas azuis (simbolismo clássico, não é mesmo), bem presente nos clipes de Dreamcatcher, representam o mistério, o que não se pode ver; também representa a busca pelo amor, associando assim a fidelidade, confiança, sutileza – uma demonstração de afeto. Por isso, as meninas encheram de rosas azuis o caixão de JiU.
  • os panos azuis sendo queimados na cenas de Siyeon, e SuA jogando as rosas azuis fora, quando está sentada em cima do caixão, representam o fim deste afeta, a quebra da confiança. No fim, as chamas se encontram com a rosa.
  • As cenas finais, vemos Yoohyeon no trono. Temos as cenas dela senta lá, logo após matar JiU, e notamos as nuvens e os raios se dissipando, e a presença de duas luas; confirmada pela cena em que a mesma está no trono, sozinha, no meio do nada -em um lugar completamente destruído e escuro, isolada no pequeno espaço de rocha, com espadas de fogo pairando no céu, na frente de ambas as luas – uma envolta de uma energia  avermelhada e outra envolta por um violeta.

P.S. Diante da teoria da Terra ter duas luas, eu suspeito que o significado no music video, seja mostrar o outro lado da mesma pessoa, a qual ela vive no interior do ser, ocultando algum traço de personalidade oculto.

Aliás, tem algo muito especial sobre esse álbum – afinal,ele é um special album! Raid no nome não é coincidência, pois o fato deste álbum ser especial, é por ser uma parceria com os produtores do jogo de RPG King’s Raid. Além disso, Deja Vu possui um MV exclusivo de ilustração em movimento, marcando essa collab única.

 

Além de bela, essa versão abre as portas da minha imaginação, onde o Dreamcatcher possa participar de trilha sonora de animes (!!!!!!).

~ Especial para os inSomia (fãs do Dreamcatcher) ~

Eu acredito sim na conexão entre os videoclipes e Deja Vu não é uma exceção: 

1) Ver a Gahyeon cercada de flores, assim como em Fly High. 

2) Borboletas douradas em volta da JiU, semelhante às borboletas azuis, em Fly High – as quais se autodestroem em chamas ao final, me lembrando muito as espadas em chamas nesse MV. 

3) Muito azul, assim como em Fly High, You and I e What. 

4) A energia negra (espírito maligno?) em volta da Yooheyon, que apareceu a primeira vez em You and I. 

5) As meninas sempre formam o círculo o qual Yoohyeon está no meio, vide You and I e Deja Vu. 

5.1) TEM A EXCESSÃO que era a Dami deitada em Chase Me, mas elas também não estavam em círculo.

5.2) E é a JiU a qual tapa os olhos de Yoohyeon em You ad I.. 

5.3) Incentivando, talvez a rixa entre ambas, como percebemos na posição final do videoclipe de You and I, ou o fato de JiU olhar para cima e ver Yoohyeon em cima de um prédio, e as duas se encaram na noite de lua cheia. 

5.4) a lua. 

5.5) a lua cheia. 

5.6) As duas luas COM CERTEZA tem algo relacionado.

5.7) Tem a ver com a aranha da JiU que Yoohyeon tentou matar em Fly High?;

5.8) Aranha que por sinal apareceu em You and I para Yoohyeon, e ela desmaiou.

5.9) Por isso que o espírito (energia) em volta da Yoohyeon You and I, perseguiu JiU no mesmo videoclipe?

5.10) Lembrando que,no final do mv de Breaking Out, todas elas se dão a mão e formam o circulo. Porque esse é o clipe oficial do final, mesmo sendo japonês.

6) As flores azuis (!!) de Deja Vu, lembrando a flor azul, espetada no livro, em What.

6.2) Mesmo livro perdido em Good Night?

7) As coroas de princesa queimando em What, remetendo ao fato de JiU e Yoohyeon terem sido princesas, em Deja Vu.

7.2) O fato das coroas serem diferentes, pode ser relacionado ao cristal dentro da bola de vidro, que Yoohyeon possuía em What. E JiU sempre aparentou estar cerca borboletas, o que faz sentido ela possuir uma coroa de flores.

8) A possibilidade de Yoohyeon ter ficado presa em outra dimensão What; 

8.2) parece fazer sentido com as mudanças de expressões dela em What, possuída quem sabe? dupla personalidade? desejo e remorso? Possibilidades.

9) Aparentemente, tem algum significado nos lenços que elas utilizam em You and I e PIRI.

10) Afinal, as meninas estão mortas? elas são bruxas? Elas realmente atravessam era em conjunto? INFINITAS possibilidades; e não vou mentir, eu fico [email protected]

Espero que com esse pequeno guia sobre o grupo, incluindo review de Deja Vu e indagações sobre a suposta estória do Dreamcatcher tenha atraídos vocês a conhecerem esse grupo maravilhoso.

 

~ LuísaEU ♥ DORAMAS

links de apoio:  link 1 (referente ao Dreamcatcher) link 2 e link 3 (referente a Deja Vu)