3DO

ESPECIAL TG | Console: 3DO – A eterna promessa

No inicio da década de 90 a inovação era a maior chamada para as fabricantes de console. da NEC até a veterana Atari, todos tinham a formula inovadora do sucesso. Alguma promessas nunca passearam de meras promessas…


A era 32-Bits

Muitos consoles, ou até todos eles, tiveram como inicio e motivação a ideia de serem sempre inovadores, e trazerem aos jogadores, a sensação de estar diante de algo único, e que seus concorrentes não podem lhe oferecer. Com essa ideia o 3DO começou a ser desenvolvido, como um console de vanguarda, o verdadeiro representante de uma 5° geração de consoles, e traria a todas as residenciais que tivessem dinheiro suficiente, uma verdadeira central de entretenimento, com filmes, jogos e fotos digitais.

O 3DO desde sua concepção inicial teve como maior incentivador Trip Hawkins, celebre por ser um dos fundadores da Eletronic Arts, e o console, em termos técnicos sempre esteve a sua frente e realmente tinha uma boa tecnologia embarcada em seu hardware. Mas esse era um dos seus problemas, o console já chegava rodando jogos no novíssimo (e caríssimo) formato de CD, tecnologia ainda muito cara, e se comparado aos consoles que estavam a disposição no momento, o console passava a ter um custo absurdo até para a classe média americana da época.

Abaixo vamos dar uma breve conferida nos componentes que configuravam o 3DO, e como você vai poder conferir, o console realmente tinha ótimas configurações para o momento em que foi lançado,

Geração de Consoles:
Lançamento: 04/10/1993
Descontinuado: 1996
Desenvolvedor: 3DO Company
CPU: RISC 32-bit, 12.5 MHz (ARM60) + coprocessador matemático
Resolução: 640 x 480 ou 320 x 240 a 60 Hz na versão NTSC, e 768 x 576 ou 384 x 288 a 50 Hz na versão PAL, tanto com paleta ajustada para 16 bits (vinda de 24 bits) ou 24 bit truecolor.
Memória RAM: 2 MB de RAM principal, 1 MB de VRAM
Mídia Nativa: CD-ROM 300 Kbps com 32KB de buffer RAM
Venda Estimada: +- 2 milhões
Jogo mais vendido: Return Fire (650 mil)

As configurações do console eram muito boas, e realmente o 3DO tinha fôlego para ser o melhor console, mas como dissemos, o preço do console era muito proibitivo, e isso foi um dos fatores (não foi o único), principais que levaram o console a vender muito pouco, e como sabemos bem, esse é um ciclo muito perigoso para a vida de um vídeo game, Se o console não consegue emplacar boas vendas, fica claro para o desenvolvedor que seu jogo pode não vender muito bem, e isso restringe os jogos, e sem jogos, o consumidor pensa duas vezes em comprar o aparelho, já que a disponibilidade e variedades de jogos é pouca, sendo assim o console entra num loop muito difícil de sobreviver.


Uma Central de Entretenimento em sua Casa

O 3DO foi idealizado e projetado sobre a fiscalização rígida de Hawkins e trabalhos de RJ Mical e Dave Needle, a 3DO Company (fundada em parceria de Panasonic, LG, Time Warner, AT&T, Electronic Arts e MCA), idealizaram e projetaram o console para ser uma central de entretenimento de alta qualidade para toda a família, deixando o estigma de que vídeo game era coisa para crianças ou adolescentes.

O console seria um aparelho de vídeo game de última geração, também poderia rodar os Photos CD’s Cds com fotos digitalizadas), VCDs ( seria o formato pré DVD), e o console também não possuia trava de região, algo sempre muito usado pelas fabricantes para tentar limitar a pirataria, entre outras coisas. Além disso, também tinha capacidade de rodar conversões fieis dos jogos de PC e mais features.

Ainda falando sobre a falta da tão usada pela indústria, trava de região, o 3DO era um console que não vinha ligado a nenhuma fabricante de de consoles, o que era algo inédito em uma indústria que se importava tanto com direitos autorais. O 3DO era um console que poderia ser produzido por qualquer fabricante, a além disso, podiam até fazer upgrades no console de maneira independente, como por exemplo dar um upgrade na memória RAM do console, que inicialmente era de 2 RAM.

Outro ponto bem interessante era o Esse era um plano muito usado nos jogos de PC por exemplo, pois nesse caso, o produtor de jogo não era obrigado a pagar licenciamento para lançar seus jogos, lembrando que essa ideia de serviço, é inicialmente imaginada em 1988, quando a Nintendo praticava um licenciamento quase escravagista de seus produtores de jogos.

Até os dias de hoje com raras exceções, todas as fabricantes de consoles, lançam seus aparelhos com a ídeia de absolver algum prejuízo, para que nos softwares (Jogos), ela consiga reaver os prejuízos e agregar lucros. O 3DO vinha com uma proposta totalmente diferente, aonde a empresa ia ganhar apenas no licenciamento para fabricação do console, e nada mais, os lucros que provinham das vendas de jogos, seriam absolvidos apenas pela produtoras. Uma ideia inovadora, que não daria certo.

Uma plataforma completa, que iria fazer o usuário ficar ligado apenas ao 3DO, aliás vamos falar um pouco do nome do console. O nome do console é uma referencia ao que de mais avançado estava acontecendo no inicio da década de 90. 3DO é uma alusão as  letras ‘O’ que aparecem em Vídeo e a sigla 3D, ao geração de gráficos tridimensionais, que era o que de mais avançado havia em 1990, sendo assim nascia o nome 3DO.

Voltando ao 3DO, vamos falar do seu hardware, que se mostrava bem a frente de seu tempo, fazendo sim seus concorrentes olharem para a plataforma, com um certo receio. A versão lançada primeiramente tinha processador RISC 32-bit, 2 coprocessadores de vídeo, um DSP 16-bit e um processador matemático. Contava com 2 MB de memória DRAM, 1 MB de VRAM, 32KB para salvar jogos e leitor de disco 2x, que para ser ter uma ideia, era o dobro do neo Geo CD da SNK. Esse leitor tinha a versatilidade de ler games, Photo CD, CD+G e, com um periférico para MPEG, Video CDs, algo muito completo para um console.

Um detalhe muito bizarro no 3DO era seu controle, na verdade não o controle em si, que na verdade era até muito confortável, e mantinha o padrão dos concorrentes. O curioso era a conexão do controle com o console, pois no hardware há apenas uma porta de entrada para controles, e ai você se pergunta, não da pra jogar em dois players no console? Sim amigo, da pra jogar em até 8 jogadores simultâneos, e a conexão entre esses jogadores acontece entre os próprios controles.

No 3DO o segundo controle é ligado no primeiro, e o terceiro controle no segundo, podendo dessa forma, se conectar até 8 jogadores. Essa forma curiosa de se jogar um multiplayer local, só foi vista no 3DO, e até aonde sei, nunca mais foi usada. De alguma maneira, a 3DO Company fez como a Atari e inovou de alguma maneira no seu controle, ainda bem que foi apenas na conexão, e nâo como aquele design bizarro do controle do Jaguar 64.


O Lançamento do 3DO

O 3DO teve uma grande campanha de marketing para promover o que seria o console definitivo. A empresa apostou em comerciais de TV e anúncios pomposos em revistas, o que, como vamos ver abaixo, não ajudou muito o console, pois a 3DO Company havia criado um planejamento de vendas para o console, que como ficamos sabendo com o passar dos anos, nunca poderia ter dado certo.

O console chegou ao mercado americano no natal de 1993, que era a data padrão para os fabricantes de consoles colocarem suas maquinas no mercado, sempre a fim de aproveitar a época de presentear as pessoas. O console chegou ao mercado com 15 títulos disponíveis, o que não era um numero ruim, ainda mais se comparado a alguns lançamentos de consoles que não tinham nem a metade disso na sua estreia.

O grande problema do console, foi o seu preço no lançamento, US$ 699. Exatamente esse preço, ao comprovar um 3DO, voce poderia comprar o SNES, o Genesis (Mega Drive) e ainda ficava com um trocado no bolso para poder compra algum jogo ou acessório. Lembra quando falamos acima sobre uma estratégia de mercado ousada, e sobre o Loop mortal para um console? o 3DO tinha a formula perfeita para não dar certo.

Na ocasião a empresa alegou, que o seu valor tão alto seria uma forma de  controlar o “nível” dos usuários, mantendo assim só entusiastas com as mãos sobre ele até terminar a fase de avaliação do mercado e aclimatação dos programadores, o que convenhamos, não faz o menor sentido.

Limitar as vendas do seu console para manter uma avaliação na mão de algumas seletas pessoas, apenas iria fazer com que o aparelho demorasse mais a ser absorvido pelo consumidor, dando margem para os concorrentes trabalhar em seus jogos, e demorando mais ainda para o 3DO conseguir abaixar seu preço para o consumidor, sem falar nos desenvolvedores… lançar jogos para uma plataforma que não vende não faz sentido.

A base não cresceu como esperado, e com a soma preço alto mais poucos jogos, acabou recebendo o “prêmio” de “Pior Lançamento de Videogame em 1993” da revista EGM, revista que era referencia para o publico gamer americano. Mais um ponto negativo para o 3DO. O console não tinha concorrentes a altura de seu hardware na época, mas mesmo assim as dificuldades eram reais e cada vez mais difíceis de serem transpostas.

O 3DO pois disputou espaço com os brigões dos 16-bit, Mega Drive e SNES, que muito mais baratos e com bibliotecas fantásticas, nem tomaram conhecimento do primo rico, sendo assim já de cara o 3DO saiu de promessa de uma super maquina (o que realmente era) para um coadjuvante da briga que Nintendo e SEGA travavam, no que seria uma geração anterior ao 3DO.


Bits – Quando 32 não é melhor que 16

O 3DO teve sim bons jogo, foram poucos, mas alguns poucos jogos tiveram suas melhores versões no console de 32-Bits, principalmente jogos que eram dos arcades e do PC, pois o hardware robusto do aparelho, trazia muita diversidade aos desenvolvedores na hora de fazer as conversões.

Quem na ocasião, dispunha da pequena riqueza para comprar o console, pode usufruir de jogos como:  Street Fighter II Turbo e Samurai Shodown que eram versões fiéis aos arcades, além de poucos jogos em versões exclusivamente caseiras como, Return Fire, Gex e The Need for Speed conseguiram algum destaque.

Com o tempo passando, e o 3DO sendo simplesmente ignorado pelo mercado, a empresa começou seu ciclo que a levaria a um melancólico fim. As desenvolvedoras que trabalhavam para o console, começaram a lançar jogos ruins, ou versões de jogos, que na concorrência de 16-bits, eram melhores.

O console começou a ganhar muitos jogos em FMV (Full Motion Video), fazendo uso da possibilidade de gravar pequenos vídeos e inserindo opções dentro deles, alguns bons jogos surgiram em FMV, mas em contra partida, coisas desprezíveis apareceram em maior numero. Jogos como  “Plumbers Don’t Wear Ties”  foram considerados um dos piores games da história. Isso se olharmos para o jogo como tal, porque está mais pra slideshow, apelando furiosamente às curvas da loira Jeanne Basone.

Outro jogo que foi extremamente massacrado pela mídia foi Way of the Warrior. O jogo até tinha um certo apelo visual, com bons  gráficos razoavelmente bonitos (o jogo era 100% inspirado de Mortal Kombat), mas quando chegava na animação a coisa ficava terrível e com uma jogabilidade desastrosa, o jogo foi mais uma piada no currículo do 3DO.

Ademais, já em 1994 o 3DO era um console esquecido, em parte por mal conseguir se manter vivo entre Super Nintendo e Sega Genesis, isso sem contar com consoles como Neo Geo AES/CD, Amiga 32, e Sega CD.

Mas quando a Sony começou mostrar o seu PlayStation, junto com a SEGA que também começava a mostrar o seu futuro SEGA Saturn, o 3DO simplesmente não tinha mais como se manter na briga, e era uma questão de tempo até o fim.


Chegando a hora de dizer adeus

Já em 1994 o interesse no 3DO estava baixo, tudo devido ao seu alto preço, mas esse desinteresse abrangia vários fatores, como os excelentes jogos que estavam saindo para os concorrentes de 16-bits, e com os jogos do 3DO, cada vez mais mostrando a sua limitação. E tudo isso piorava, com o passar dos dias em 1994, quando Sony e Sega começavam a mostra os seus novos Hardwares.

Como dissemos anteriormente, os erros da 3DO Company para a estratégia do seu console, começaram cedo, na estratégia de ganhos. A licença para desenvolver jogos era baixa, bem inferior ao que empresas pagavam, por exemplo, à Sega e Nintendo. Isso deveria incentivar a criação de software, e assim logo teriam a sonhada biblioteca, enquanto desenvolvedores lucrariam criando e vendendo games para o 3DO. Na teoria, nada mal, mas isso não aconteceu, e em 1994, o console ainda não tinha jogos de peso, e isso em meio a uma nova geração de consoles batendo a porta.

Até então, na historia dos vídeo games, nunca um console tinha sido vendido com um preço tão elevado, assim partindo de 3 fatores principais da queda rápida do console, podemos supor, que seu valor de U$ 699, foi o fator primordial, que já fez o console, mesmo em seu lançamento, sair tropeçando em sua própria estratégia de marketing, como já bem retratado por nós um pouco mais acima.

Outro ponto determinante na queda do console, foi o o tempo que o console foi lançado, uma época em que estava muito dificil para quem estava colocando novos aparelhos no mercado. Além de ter de brigar com o poderoso SNES, e o SEGA Genesis, que vinha com uma campanha de marketing matadora, através das mão de Tom Kalinsk, ainda havia os rumores de que a Sony estaria pronta para colocar seu PlayStaion no mercado ainda em 1994.

A Sony estava de braços abertos para receber toda e qualquer produtora de jogos, com u valor de lisenciamento muito baixo, a perspectiva de lançar uma maquina estupidamente avançada, com isso em mente ficava claro, que desenvolver naquele momento para o 3DO, era no mínimo, equivocado, pois na concorrência os jogos poderiam rodar melhor, vender melhor, serem mais lucrativos, e com isso mais uma vez o 3DO saia perdendo.

Outro fator, que não é muito divulgado, mas sim, fez com que toda a mídia especializada, olhasse com certa desconfiança para o 3DO, foi a sua soberba, exatamente isso. Poucas vezes na indústria de vídeo games, um console ousou tanto de se auto denominar como algo único, e a frente de seu tempo, praticamente abrindo mão de toda e qualquer simpatia da mídia especializada e até mesmo de desenvolvedores.

O 3DO sempre foi um console que maximizou a soberba, isso vindo muito de seu próprio idealizador, pois como bem sabemos, Hawkins nunca foi um amor de pessoa, e já desde esse tempo, sua políticas de trabalho e parcerias eram muito mal vistas, sendo até, muito processado por seus funcionários, que alardeavam sua grosseria, e modos quase que escravagistas de trabalho. Com isso, muita dessa imagem estava atrelada ao console, sua propaganda, o que mais uma vez era um problema dentro mídia especializada que via Hawkins como um belo C***ão.

Abaixo você assiste a uma das propagandas do 3DO, repare que o comercial rotula o SNES e Genesis, como brinquedos e seus consumidores como pessoas infantis. Isso até não deveria ser um problema, se o 3DO fosse um console sendo produzido por uma empresa já conhecida, ou ao menos com algum console lançado que lhe desse credibilidade para essas palavras, mas não é o caso.

Ao abordar o consumidor dessa forma, o 3DO, logo de cara era visto como um console com muito orgulho, quando você olhava o preço, você tinha certeza que era o console para pessoas seletas, e mesmo que você se esforçasse para ter o aparelho, quando você olhava para seus jogos e sua biblioteca de games, você percebia o quanto o 3DO era soberbo, e nada mais que isso.

Todos tinham certeza que o 3DO é uma maquina da sua época, mas ao final, todos preferiram compra o Super Nintendo, SEGA GEnesis ou até mesmo o NES. O console mais uma vez errava ao mirar em um publíco, que não tinha como comprar o console, mas também parecia soberbo demais para que alguém que tinha U$699 no bolso, desse credibilidade a ele. Enquanto a 3DO Company usava seu pouco tempo de vida de maneira errada, a Sony usava esse mesmo tempo, planejando um console que iria simplesmente passar por cima do 3DO como se o PlayStation fosse um trator, e o 3DO um indefesa, insensata, e primitiva formiga.


M2 o sucessor do fracasso e o fim melancólico

Em 1992, diante de uma catástrofe eminente, a 3DO Company decide lançar uma nova versão do seu console que quase não vendeu, quase não tinha jogos, e em menos de 2 anos era um aparelho que saiu de revolucionário para esquecido, de assunto primordial sobre consoles, para um esquecimento quase que total.

O M2 seria um acessório que iria transformar o 3DO em um novo console, e isso já estava sendo planejado desde um bom tempo após o lançamento do 3DO, ou seja, pouco tempo antes, ou até mesmo no momento do lançamento do 3DO, a empresa já planejava lançar o M2.

Segundo o que se especulava sobre o M2, o acessório iria transformar o 3DO, em um aparelho mais poderoso, que o Nintendo 64, podendo trabalhar com texturas que nenhum console era capaz de produzir na época. Hoje, se fossemos imaginar o que seria o M2 em questão de jogos, podemos imaginar já em 1996, quando o M2 entraria no mercado, jogos que foram feitos inicialmente para o também falecido Dreamcast da SEGA.

O pensamento era manter o 3DO vivo através do M2, que inclusive teria total compatibilidade com todos(???) os jogos lançados para o 3DO, o que já deixaria o M2, com uns 30 jogos no lançamento(…). Lembrando que de qualquer maneira, você teria de ter o 3DO, pois o M2 seria apenas um acessório. O aparelho até chegou a circular de alguma maneira, podemos citar como pré M2 o FZ-35S, que foi usado por algumas empresas para apresentações pontuais, também houveram outros modelos, mas cada um deles mais raro que o outro

O FZ35-S conta com um drive de DVD, um HD de 40 MB, mas de qualquer forma nada foi lançado para o aparelho, e até aonde eu sei, depois de longos anos, surgiram algumas isos para rodar no console, mas novamente ressaltando que tudo isso não passa de algo experimental. Abaixo você fica com algumas imagens do aparelho.

As revistas da época alardeavam novamente que o M2, seria o novo console mais poderos, o realmente, ao que se via na época, o aparelho rivalizava diretamente com o principal console da época, o PlayStation. Jogos como D2,  Road Rash, Return Fire 2 e Realms of Valor faziam as expectativas sobre o aparelho aumentarem.

Mas o aparelho nunca chegou a ver a luz do dia oficialmente, na época foi ventilado que a matsushita havia pagado um fortuna para ter os direitos sobre o M2, o que de fato pode ser verdade, já que o nome da empresa estava no aparelho. Mas o console nunca chegou, independente dos valores pagos.

A Konami usou o hardware do M2 em arcades no fim dos anos 90, mas o longo tempo de carregamento dos CDs foi impedimento para uma maior sequência de jogos. Como curiosidade vale lembrar que a placa do console ainda é empregada até hoje no Japão em máquinas de auto-serviço como de venda de café, por exemplo.

Contudo, em 1996, massacrado pela concorrência e por seus próprios erros, o console chegava ao fim, um fim melancolico que sequer foi lamentado pela mídia especializada, pois assim como outros consoles da mesma época, o aparelho não conseguiu emplacar boas vendas, jogos, sequer razoáveis eram poucos e a perspectiva de se manter no mercado não existia, pois em uma perspectiva de vendas 100% maiores que as do 3DO, um novo console ainda não faria frente a seus concorrentes.


As Varias Caras do 3DO

Como a política de fabricação do aparelho era por licenciamento de Hardware, algumas empresas se aventuraram e fabricar sua própria versão do console. A mais famosa de todas são as versões da Matsushita, ou Panasonic, para nós que vivemos nesse lado do globo terrestre (terraplanismo (?!!?). Abaixo vamos mostrar algumas dessas versões, inclusive as versões não lançadas do M2.

  • 3DO FZ1 (Panasonic)

Modelo inicial do console, como podemos perceber tem muito do que os aparelhos tocadores de CD tinham, um formato mais robusto e sóbrio, totalmente afastado do conceito dos consoles mais comercializados, pois a 3DO Company queria passar a imagem de um aparelho, moderno e projetado para um publico mais adulto.

Pra mim um dos conceitos mais bonitos em termos de vídeo game.

3DO-FZ1


  • 3DO – FZ10

Segundo modelo mais comercializado do console, essa versão teria um custo mais reduzido, mas de qualquer maneira ainda mantinha o console em um preço impraticável. Ainda mantém relativa beleza, mas já podemos ver o console se aproximando de um conceito de vídeo game, se distanciando do padrão totalmente inovador.

3DO-FZ10


  • 3DO – Goldstar TRY (Sanyo)

Versão da Sanyo para o 3DO, como dissemos anteriormente sobre as licenças de produção do hardware, a Sanyo acabou fazendo uma versão mais enxuta do console, ainda mantém uma certa afinidade com o original, mas nem de longe a mesma sofisticação marcante do FZ1.

3DO-Sanyo-TRY


  • 3DO – Goldstar (Sanyo)

Outro modelo da Sanyo, esse muito mais bonito, funcionalmente, nada mudou.

3DO-GDO-101M


  • 3DO AT&T (Protótipo)

Modelo da gigante AT&T, nunca foi lançado, e particularmente não encontrei sequer uma imagem além desta.

att3do


  • 3DO Goldstar Alive II (Sanyo)

Este é o mais raro dos sistemas 3DO e foi lançado apenas na Coréia do Sul. Tem uma forma mais arredondada na moda PlayStation e é o Santo Graal dos colecionadores da 3DO. Se você tem um troço desses no seu porão, saiba que ele esta valendo cerca de €1.921,97 (R$ 12.275,00)

goldstar-alive-3do


  • 3DO – Samsung (Protótipo)

Outro modelo que nunca viu a luz do dia.

samsung 3do


  • Modelos M2

Depois de ter sido demonstrado em vários shows até 1996, a Matsushita cancelou o console em 1997 – pouco antes do lançamento. Segundo a empresa, eles estavam com medo de não poder competir com a Sony e Nintendo e seus respectivos PlayStation e Nintendo 64

Contudo, muitos exemplares do M2 de pré-produção ainda entraram em circulação, juntamente com o único jogo completo, o ISMA Racing. O hardware não foi desperdiçado e acabou sendo usado em vários outros sistemas interativos, incluindo vários jogos arcade da Konami.

  • 3DO – FZ35S

M2

  • 3DO – FZ21 SL (Black / White)M2-1 M2-3

O legado do 3DO – Jogos

O 3DO não foi um console com muitos jogos, ficando com um pouco mesmos de 25 títulos lançados em toda a sua vida. Alguns jogos foram lançados depois da sua morte pela cena Homebrew, até por que se você procurar com um pouco de dedicação por ai, você consegue até encontrar estações de desenvolvimento do console.

Abaixo vamos falar de alguns dos melhores jogos do console, lembrando apenas que é uma resenha curta de cada jogo, e todos os jogos que estão logo abaixo, eu recomendo fortemente, que você, se tiver oportunidade ou for um gamer hardcore, os jogue ao menos uma vez, pois são ótimos jogos, ou tem no 3DO, sua melhor versão na época. Os jogos também não estão qualificados por qualquer critério, pois como disse, todos são ótimos jogos.

  • Another World – 1001

Another World é um jogo  projetado por Éric Chahi para a Delphine Software e Interplay. O jogo conta a história de Lester, um jovem cientista que, como resultado de um experimento seu que deu errado, se encontra em um perigoso mundo alienígena, onde é forçado a lutar por sua sobrevivência.  O Jogo recebeu uma versão de aniversário para os consoles da geração atual.


  • Street Fighter II Turbo

Street Fighter II Turbo introduziu várias novas mecânicas de jogo que não estão presentes nas versões anteriores do Street Fighter II, incluindo a adição de movimentos de combinação chamados super combos e combos aéreos. Ele também introduziu o personagem secreto Akuma, que se tornaria um personagem recorrente nas versões posteriores de Street Fighter e em outros jogos de luta da Capcom. Essa é uma das melhores versões do jogo.


  • Myst – 1993

Myst foi um dos grandes jogos do 3DO, um dos poucos que faziam as pessoas pensarem a desembolsar uma pequena fortuna para ter o console. Myst foi projetado e dirigido pelos irmãos Robyn e Rand Miller. Ele foi desenvolvido pela Cyan, e publicado pela Brøderbund. Os Miller começaram o trabalho em Myst em 1991, lançando-o para Mac OS em 24 de setembro de 1993; foi o maior projeto da história do estúdio.


  • Road Rash – 1991

Desenvolvido originalmente para o Sega Genesis (mega Drive), Road Rash foi outro jogo que valia a pena no 3DO. Em Road Rash você assume o  controle de um piloto de moto-velocidade que deve terminar em terceiro ou quarto lugar (dependendo da versão) ou superior em uma série de cinco corridas para avançar ao longo dos cinco níveis do jogo. Durante uma corrida, o jogador pode frear, acelerar e atacar os competidores vizinhos. No 3DO, devido a qualidade do jogo, os longos loadings eram inevitáveis.


  • Alone in the Dark – 1992

Alone in the Dark foi outro bom jogo, que portado para o 3DO ficou muito bom. Alone In The Dark saiu em1992 para PC do estilo survival horror projetado por Frédérick Raynal e desenvolvido pela Infogrames. O Jogo também teve uma versão para PlayStation 3, cujo qual esse que voz fala, jogou e platinou.


  • Samurai Shodown – 1994

Samurai Shodown é um dos jogos mais famosos da SNK/NEO GEO e foi portado para o 3DO com maestria pela Crystal Dynamics. Lançado no console em 1994, tem todos os personagens, movimentos, zoom de câmera e sangue do original. Uma conversão perfeita.


  • Doom – 1996

Doom saiu para quase todos os consoles que, de alguma maneira puderam suportar o jogo, isso fez versão supremas do jogo, mas também versões impraticáveis. A versão 3DO do Doom foi publicada pela Logicware e Art Data Interactive em 1996. O nível definido é idêntico ao da versão do Atari Jaguar, embora, ao contrário da versão do Jaguar, os espectros estejam incluídos. Esta versão é apenas para um jogador.

Muitos fãs consideram essa a pior porta de console do Doom, pois é executada em uma tela pequena a uma taxa de quadros baixa. O jogo oferece 6 tamanhos de tela, os 2 maiores disponíveis apenas através de truques. A vantagem de selecionar tamanhos de tela menores é que o jogo corre mais rápido e com uma taxa de quadros mais alta.


  • Crash n’ Burn – 1993

Um dos melhores jogos de corrida do console. O jogo mostra toda a qualidade do console, com gráficos e músicas muito boas. O Jogo foi um dos primeiros a chegar ao console, mas mesmo assim conseguiu explorar bem todos os recursos que o aparelho fornecia.


  • Gex – 1994

Pra mim um dos melhores jogos da franquia Gex, o jogo lançado em 1995 oferecia gráficos lindos e efeitos sonoros muito bons, assim com a sua jogabeilidade. O jogo é todo renderizado e Gex se tornou o mascote do console.


Resumo

O 3DO foi um grande projeto, e sim, era o console mais poderoso da sua época, mas infelizmente isso não foi o suficiente. ma série de decisões precipitadas, e uma politica de mercado muito diferente afundaram o console em um abismo sem fim. Mas para os fãs nem tudo foi em vão.

O console tem uma cena Homebrew bem fanatica, o que faz com algumas novidades sempre apareçam. Outro detalhe que ajuda bastante, é que o console não tem nenum tipo do bloqueio para seus jogos, sendo assim é só gravar seu jogo, por no console e jogar.

Caso queira conecer um pouco mais dos jogos do console, recomendo usar um emulador, ou se estiver realmente a fim de conhecer o aparelho, você pode estar garimpando seu exemplar nos sites de vendas e leilões da vida.

Um forte abraço a todos, e não deixe de conferir nossa seção de games retrô, aonde você~e vai encontrar mais historias de jogos, consoles e empresas.  Até a próxima amigos.

Marcelo Souza
Gamer Hardcore desde 1991, adorador de café desde sempre. Acompanhe minhas jogatinas no PlayStation. PSN ID: Pagan_race_