Oh, Hey! Como estão?

Aconteceu, nesta sexta-feira dia 05/11, uma coletiva de imprensa com o lendário guitarrista Garry Holt, para divulgar o novo trabalho do Exodus: Persona Non Grata. Nós, do Teoria  Geek, fomos convidados pela Nuclear Blast para cobrir esse evento.

Persona Non Grata

Com extrema simpatia, o músico respondeu diversas perguntas ao longo de mais de uma hora. Sempre com um sorriso no rosto, às vezes respondendo com algumas brincadeiras, revelou várias informações sobre esse álbum.

Gary Holt Coletiva de imprensa

Mas chega de enrolação, bora para as informações?

A primeira pergunta foi se ele achava que esse é um dos maiores álbuns do Exodus. Gary respondeu que sim, com certeza! “Particularmente posso dizer que o Exodus só tem feito álbuns bons desde Tempo of the Damned. Eu amo todos, todos têm músicas clássicas. Mas esse álbum está em outro nível, é muito pesado. Colocamos tudo nesse.” Afirmou que a música favorita dele do álbum é Persona Non Grata, pois ela chega do nada e já te dá um soco na cara.

Segundo ele, o álbum cobre toda a carreira deles, trazendo um pouquinho de tudo. “Só queríamos fazer boas músicas e que elas fossem pesadas pra caralho (risos).” Com relação ao processo criativo durante a pandemia, Gary disse ter muitos riffs, e quando se reuniram em julho de 2020 para juntar tudo, fizeram como fazem desde criança. A pandemia só garantiu mais tempo a eles, pois a única coisa que podiam fazer naquele tempo era tocar. “Eu componho riffs até quando estou dormindo (risos).”

Uma das perguntas mais legais foi com relação à música Clickbait, que versa sobre Fake News. Quando questionado sobre o assunto, ele disse que a música não é só sobre isso. Ela aborda a mídia mais no geral, todo o dinheiro envolvido e como eles fazem você clicar nos artigos. Eles espalham armadilhas para que a gente caia, pois a fake news de um é a verdade de outro. “Por exemplo, uma situação hipotética. Se eu der uma entrevista, falando que Metallica é a maior banda de todos os tempos (que é o que eu acredito). Que Master of Puppets é o maior álbum de todos os tempos, mas Lulu é ruim. A manchete vai ser: Gary disse que Metallica é ruim (risos).”

Em um cunho mais pessoal, quando questionado se o câncer de Tom Hunting trouxe algo para a produção nova, disse que quando gravaram ele ainda não sabia que o tinha. Sabia que algo estava errado, pois perdeu muito peso. Agora está bem, a vida dele mudou e é um sobrevivente, que também está ansioso para voltar aos palcos.

Gary foi infectado pelo covid, porém garante que as músicas não são diretamente sobre o  vírus, mas as coisas que vem ocorrendo ao redor do mundo. “Logo vão ter milhares de músicas chamadas Covid ou sei lá, Morte Pandêmica.” Sobre o covid, disse que nunca se sentiu tão doente na vida. O álbum é influenciado indiretamente pela pandemia, mas não é só sobre isso, mas sim pelas situações que as pessoas se encontram nesse período.

Em determinado momento, um dos entrevistadores perguntou qual foi o motivo de ele ter demorado tanto tempo para lançar um álbum novo com o Exodus. Com muito bom humor, Gary respondeu que só um pequeno problema impediu ele de lançar antes, uma coisinha chamada Slayer. Mas que agora, está de volta para sua família, e pronto para voltar à estrada.

Sobre a parceria com Tom, disse que ele é seu melhor amigo, tocam juntos desde crianças. Tem uma ligação muito forte, e que mesmo quando está compondo um riff sem Tom, ele já consegue ouvir a bateria dele o acompanhando. “Estamos fazendo aquilo que amamos.”

Quando perguntado sobre as diferenças políticas que tem com alguns outros membros da banda, e até mesmo com Tom Araya, respondeu que parece que as pessoas não sabem mais conviver com pensamentos diferentes. No Exodus, existem muitas ideologias diferentes, e o mundo é muito chato se você só vive e conversa com pessoas que pensam o mesmo que você.

Sobre o significado do título do álbum, Gary contou que não saberia dizer quem seria essa Persona non Grata, pois odeia poucas pessoas. As pessoas podem colocar o significado que quiserem nessa música: pode ser sobre um político, seu chefe ou mesmo um ex. “A lista de pessoas que eu odeio é bem pequena. Sou um cara muito feliz.”

Gary disse que o álbum seguiu um caminho natural, não forçaram nenhum atalho, só foram compondo e fazendo como sempre. Não traçam uma linha para tal estilo ou coisas assim. “Nosso próximo álbum pode ser de Doom Metal, eu não sei, eu posso começar a fumar muita maconha e o álbum ir parar nisso (risos).” Segundo ele, o riff é sempre o mestre, ele conduz a jornada.

Quando questionado sobre o que é sucesso, o guitarrista afirma que para ele é pagar as contas e tocar música. “Com 57 anos e uma mentalidade de 16, tocar metal para viver é incrível!” Completou ainda dizendo que não é só sobre quantos milhões pode ter, é sobre poder viver fazendo aquilo que ama.

Em determinado momento, foi questionado sobre o pensamento antivacina de Zetro. O guitarrista garantiu que o vocalista tomou a vacina, e disse que ele mesmo tomou assim que pode. Reforçou que acredita em vacinas e que elas nos salvaram várias vezes. “Eu acredito na ciência, não em idiotas na internet”.

Sobre o que anda ouvindo fora do metal, Gary disse que sobre isso é fácil falar, pois ama Hendrix e gosta muito de ouvir Funk e Soul Music.

A respeito do que mudou desde o último álbum, disse que nunca estiveram tão próximos como banda, e ainda não estão com vontade de parar. Lembrou de quando começaram, que se comportavam como animais, fazendo coisas absurdas. Hoje em dia, falou que quer se cuidar mais e poder viver uma boa vida, quer ser um bom avô.

O músico não considera Persona Non Grata como uma continuação de Blood in Blood Out, cada álbum é um só e tem sua importância. Cada produção leva à uma evolução da banda. Disse que aprendeu muito com Slayer e está trazendo isso para o Exodus.

Afirmou constantemente que está ansioso para voltar aos palcos, principalmente na América Latina, pois o público é incrível! Só quer sobreviver a essa pandemia e voltar à normalidade.

O álbum novo da banda Exodus será lançado dia 19 de novembro. O título “Persona Non Grata” literalmente significa uma pessoa “que não é bem-vinda” ou “inaceitável”. PERSONA NON GRATA toca em temas que revoltam  e enojam a sociedade moderna. A banda se juntou na casa de Tom Hunting nas montanhas, onde produziram e gravaram “Persona Non Grata” de três estúdios construídos em sua casa. Steve Lagudi foi o homem responsável pela engenharia enquanto a banda encarregou Andy Sneap do Backstage Studio para a mixagem do álbum. Pela terceira vez na história da banda, eles voltaram a trabalhar com o artista sueco Par Olofsson, que ficou encarregado pela arte da capa.

Abaixo a tracklist do álbum “PERSONA NON GRATA”:

Persona Non Grata

R.E.M.F

Slipping Into Madness

Elitist

Prescribing Horror

The Beatings Will Continue (Until Morale Improves)

The Years Of Death And Dying

Clickbait

Cosa Del Pantano

Lunatic-Liar-Lord

The Fires Of Division

Antiseed

Gary Holt Coletiva de imprensa

Gary Holt é um guitarrista e principal compositor da banda Exodus,  também participou da banda Slayer no período de 2011 a 2019.