Foto rosto Mauricio - (crédito - Lailson dos Santos)

ENTREVISTA | Maurício de Sousa

Desde já um agradecimento ao Maurício por ter essa atenção com o Teoria Geek, somos fãs do seu trabalho e de seu legado.

Teoria Geek (TG): Os gibis são uma porta de entrada para o universo literário? Podem ser determinantes no gosto pela leitura?


Maurício de Sousa (MS): Com certeza. Aconteceu comigo aos quatro aninhos. Eu nem sabia ler e um dia encontrei na rua um gibi jogado na calçada. Estava até sem capa. mas gostei de ver aquelas historinhas. Pedi para minha mãe ler pra mim. Assim meus pais começaram a me trazer gibis. Mas eu não queria depender da leitura deles. E assim minha mãe me ensinou a ler em três meses. E nunca mais parei. Depois dos quadrinhos fui para os livros. Comecei com Monteiro Lobato e cheguei a ler um livro por dia em minha juventude. Isso acontece até hoje com as crianças em geral. O estímulo dos quadrinhos é essencial para a alfabetização e a leitura.


TG: As histórias em quadrinhos servem para divertir ou ensinar?


MS: Embora nosso primeiro compromisso com os leitores seja levar diversão com criatividade e humor também há espaço para ensinamentos de solidariedade, amizade, saúde, etc. Repare que nossos personagens interagem quase sem utilizar celular. A criança precisa saber que relacionamento não se constrói apenas por aparelho eletrônico. O contato direto é primordial.


TG: Mais de 60 anos produzindo quadrinhos e ainda nessa profissão. Qual o segredo para manter a criatividade e continuar apaixonado pelo seu trabalho depois de tanto tempo?


MS: O desafio de buscar novas ideias é o melhor elixir da juventude. Quando comecei tive apenas  uma crise de criatividade. Como enfrentei e venci, nunca mais tive receio de perder essa fonte sem fundo que é a criatividade. E como não ficar apaixonado por um trabalho que me aproximou de tantas gerações de crianças que adoram nossos personagens.


TG: A Turma da Mônica agora está também lançando personagens inclusivas, certo? Qual importância desse trabalho?


MS: Como nossos personagens estão no imaginário de tantas crianças sempre emprestamos essa empatia para campanhas importantes de saúde, educativas e informativas sobre a inclusão. Assim nasceu o Luca, cadeirante, a Dorinha, cega, o Humberto, deficiente auditivo, André, autista, Tati, sindrome de Down e um dos últimos criados foi o Edu com distrofia muscular de Duchenne. 

A inclusão passa pela empatia e muita informação correta. Cada um desses personagens são estudados cuidadosamente antes de serem lançados. Com isso as crianças começam a perceber que aceitar as diferenças de cada um é uma das coisas mais importantes da vida.


TG: Maurício, você tem mais de 400 personagens criados só na Turma da Mônica. Qual deles foi o mais difícil de criar?”


MS: Acho que o primeiro personagem, o Bidu, que começou com o seu dono, Franjinha, que foi criado  em um momento de transição de minha profissão de repórter policial para a de desenhista. Como repórter eu tinha um ordenado maior, mas larguei essa profissão para tentar viver do que eu mais gostava; desenhar. Joguei tudo naquelas primeiras tiras de quadrinhos. Fui criando novos personagens, conseguindo novos contratos e aí tudo se realizou. 


TG: Década após década, novas gerações descobrem seus personagens. Como você enxerga esse legado?


MS: Realmente passamos por cerca de cinco gerações diferentes e mantivemos o mesmo sucesso de quando começamos. Mas a maior vitória e manter meus leitores até hoje. Quando vem um pai, em minhas sessões de autógrafos ou eventos e me diz que aprendeu a ler com meus gibis quando criança e agora é seu filho quem está aprendendo a ler da mesma forma, eu me derreto. E sinto a responsabilidade porque mais que fazer sucesso o importante é manter o sucesso por anos e anos.


TG: Teria, por mais difícil que seja, um personagem que você tenha um carinho a mais?


MS: Essa pergunta é a mesma coisa que dizer de que filho eu gosto mais. Claro que é de todos porque foram criados com amor. Mas meu alter-ego pode ser o Horácio. Ele tem  uma filosofia de vida que bate com a minha. E às vezes me sinto um dinossauro também! (risos).


TG: Uma mensagem para os seus fãs e dessa turma que nos fez e faz muito felizes.


MS: Para todos que nos acompanham e gostam da Turma da Mônica: podem ter certeza de que sempre estaremos fazendo o melhor para agradar a todos vocês.

Sempre com alguma ideia nova para que nunca fiquemos acomodados.

E obrigado pela permanente companhia...

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