Olá leitores do Teoria Geek, hoje trazendo para vocês uma entrevista com Lucas Steinmetz, “ditador” rs criador do Heavy Talk.

 

Teoria Geek: Se apresente para os nossos leitores por favor.


Lucas Steinmetz: Me chamo Lucas Steinmetz, meu apelido desde os 12 anos é Moita e eu tenho um canal chamado Heavy Talk, que produz conteúdo para fãs de rock e metal.

Teoria Geek: Como surgiu a ideia do canal?


Lucas Steinmetz: Eu comecei a escrever para sites de rock em 2007 e fazer amigos nesse meio. Em 2008 eu comecei a faculdade de jornalismo. No final de 2009 eu tive a ideia de fazer um programa no YouTube onde eu seria um âncora e diferentes sites teriam blocos com matérias. Como tecnologicamente na época isso era muito inviável, não deu certo. Em 2010 decidi fazer sozinho de uma maneira despretensiosa e fui achando a maneira certa. Em 2015 eu percebi que esse canal era muito informal e tinham vários vídeos pessoais lá também. Então criei o Heavy Talk com o objetivo de ser algo mais profissional e com o projeto de ser uma carreira, de fato.

Teoria Geek: Quais as maiores dificuldades no início do canal? E tais dificuldades persistem?


Lucas Steinmetz: A maior dificuldade é ser desconhecido e ter que correr MUITO atrás para conseguir algumas entrevistas. Hoje essas dificuldades persistem com bandas internacionais. Com bandas brasileiras é tudo muito mais fácil. O canal ganhou uma repercussão de fazer algo muito bom para os artistas. Então diversas bandas, grandes inclusive, já entraram em contato pedindo para eu entrevistar. Inclusive, essa repercussão ajudou para que o Heavy Talk fosse o único canal para o qual o Shaman aceitou conceder uma entrevista com todos os integrantes na turnê de reunião.

Teoria Geek: Esse ano tivemos uma enorme perda, André Matos, você inclusive chegou a entrevistá-lo, o que pode dizer sobre ele?


Lucas Steinmetz: Eu entrevistei o Andre seis vezes, mas nosso contato ia além disso. O Andre era o meu maior ídolo na música e eu comecei o canal por causa dele. Ele foi a primeira entrevista e foi quem despertou a ideia de que o canal deveria focar em entrevistas. Mais da metade dos nossos quase 50 mil inscritos vieram através de vídeos com ele, então eu devo demais ao cara. E o ídolo se tornou um amigo. Ele era muito reservado, e nas entrevistas comigo ele se abria bastante. Nunca entendi direito o motivo, mas ele gostava bastante do que eu fazia e sempre fazia questão de conversar pelo tempo que fosse necessário. Diversas vezes produtores apressavam nossa conversa, eu tentava acelerar para liberar ele e ele mesmo dizia para ter calma, que ele não estava com pressa. E eu tive a honra de conversar com ele diversas vezes, na frente e fora das câmeras, sobre os assuntos mais diversos. Futebol, cinema, tecnologia, filosofia, música (claro), animais de estimação, e por aí vai. Ele era um gênio e sempre me tratou com muita gentileza.

Teoria Geek: Como analisa o cenário atual do metal no Brasil?


Lucas Steinmetz: Com excelentes bandas e péssimas oportunidades. O Brasil nunca teve uma forte adesão à música pesada, mas já foi melhor. Hoje, independe da qualidade da banda, não existe a mínima garantia que dará certo. Ainda é possível fazer uma banda de rock ou metal HOJE e ter sucesso com ela. Mas será um sucesso diferente do que fez o Legião Urbana e Sepultura nos anos 80, ou o Raimundos e Angra nos anos 90, ou Pitty e Shaman no início dos anos 2000. Aliás, até para essas mencionadas o mercado é mais restrito hoje. Uma banda que começa hoje pode ser considerada de sucesso se fizer um show por mês com 70% de lotação. O trabalho tem que ser pensado considerando um público menor e que sai menos de casa. E também é necessário ter múltiplas funções. É possível viver da música, mas dificilmente apenas com uma banda. Se quiser manter as contas em dia, precisará trabalhar em mais de uma, dar aula, produzir, trampar em estúdio, apostar as fichas em mais de uma estratégia.

Teoria Geek: Sendo um entrevistador, com diversas entrevistas, quais as maiores dificuldades?


Lucas Steinmetz: A maior dificuldade é organizar agenda para conseguir a entrevista. De resto, se tornou algo natural.

Teoria Geek: Tem algum momento marcante? Alguma entrevista especial que de certa forma mudou algo para você?


Lucas Steinmetz – A entrevista com o Andre Matos em 2018. Foi a mais divertida que eu já fiz, a mais aprofundada em assuntos que os fãs estavam ansiosos para saber. Na noite anterior eu havia viajado com o Andre. Ficamos na estrada por mais de 3 horas. Então já tinha rolado uma pré-entrevista grande. Eu sabia o que perguntar pra fazer a entrevista render. Essa entrevista está num patamar inalcançável. O sucesso dela se deve a uma série de elementos que dificilmente se repetirão novamente.

Teoria Geek: E teria algum momento mais engraçado? Aquele que precisou se virar nos 30 para conseguir sua entrevista?


Lucas Steinmetz: As entrevistas em si costumam ter momentos engraçados, porque são pensadas com essa finalidade. Mas imprevistos já tiveram vários. A entrevista com o Luis Mariutti foi um soco no estômago. É uma entrevista excelente, mas eu falei do período em que ele teve depressão. Achei que seria algo já superado por completo, que ele falaria sem problemas. Mas ele se emocionou muito e foi um momento de comoção para todos nós que estávamos no estúdio. Felizmente eu consegui pensar em um alívio cômico que se adequou e a gente conseguiu seguir. Houve também um artista internacional que começou a se sentir ofendido porque eu perguntava muitas coisas sobre o passado da banda e ele queria falar de projetos futuros. Precisei interromper a entrevista, explicar para ele que as perguntas eram em ordem cronológica da banda e que a gente ia chegar lá. Claro que cortei isso na edição e a entrevista ficou bacana.

Teoria Geek: Tem um quadro no seu canal, respondendo perguntas e ofensas, muito bom por sinal, como surgiu a ideia?

Lucas Steinmetz: Muitos canais fazem playlists de FAQ, respondendo comentários. Eu só pensei em um nome diferente que instigasse as pessoas. Então ficou “Respondendo perguntas e Ofensas”, porque todo mundo que se expõe na internet recebe ofensas. Felizmente, há mais elogios do que xingamentos para responder. Mas com o crescimento do canal, algumas pessoas passam a ter curiosidade sobre a minha vida e as minhas opiniões, e não apenas sobre os artistas. Então eu criei esse quadro pra sanar essa curiosidade.

Teoria Geek: As vezes penso que os fãs do Heavy Metal, nem todos claro, tem uma certa resistência em ouvir outros gêneros musicais? O que pensa sobre isso?


Lucas Steinmetz: Eu acho bobagem, mas entendo o pensamento. Principalmente na adolescência é comum você se restringir à sua “tribo”. O problema é quando se passa dos 20 sem evoluir isso. Como o rock e o metal é muito injustiçado, tem pouca oportunidade e pouca visibilidade na mídia tradicional, alguns fãs acham que vão trair o rock se ouvirem coisas diferentes. E isso não é verdade. O que importa não é o que você escuta, mas o que Você FAZ. Eu, por exemplo, amo música pop e ouço vários outros gêneros. Tanto quanto eu ouço rock, ás vezes até mais. Mas o trabalho que eu FAÇO no canal tem, cada dia mais, se tornado algo muito importante para os fãs, para as bandas, para os produtores, para a cena acontecer. Então quando alguém me menospreza por ouvir música pop, a minha resposta é “Beleza, mas esse aqui é o trabalho que eu faço pelo rock. Você está fazendo o que?”. Normalmente, são pessoas que não fazem nada. Ou pior, ficam em casa criticando quem faz. As pessoas não podem ser medidas pelo que gostam, mas sim pela qualidade daquilo que se propõem.

Teoria Geek: Mudando um pouco de assunto, joga vídeo game?


Lucas Steinmetz: Já joguei muito. Hoje me falta tempo. Jogo muita coisa em mobile. Meu console eu não encosto há mais de um ano, infelizmente. Na verdade cheguei a jogar o remake de Resident Evil 2, porque foi a primeira paixão por videogame da minha vida. O jogo que mais joguei no Playstation um. Esse remake ficou brilhante e eu zerei ele umas quatro ou seis vezes, mas faz meses que não jogo. E eu gosto de coisas nessa linha. Antes de aposentar o Playstation 3, eu não conseguia jogar outra coisa que não fosse Last Of Us. Com o lançamento da sequência, quero achar tempo pra pegar ele de novo.

Teoria Geek: Vi que tem a manopla do Thanos, o que achou de Vingadores Ultimato?


Lucas Steinmetz: Esse filme foi a realização de um sonho. Eu  aprendi a ler com quadrinhos do Maurício de Souza. Quadrinhos de heróis eu comecei a ler com 13 e não parei mais. Hoje tenho 30. Então para alguém que consome esse tipo de cultura a 17 anos, esse filme foi um presente. Merecedor do meu dinheiro e dos recordes de bilheteria. Minha única tristeza é que o Stan Lee não tenha conseguido assistir.

Teoria Geek: Qual ou quais seus gêneros de filmes preferidos?


Lucas Steinmetz: Gosto dos filmes do universo da Marvel, obviamente. Mas eu não tenho gênero favorito. Na adolescência fui fã de sagas de horror como Hellraiser e O Massacre da Serra Elétrica. Recentemente resgatei isso com Atividade Paranormal. Mas sempre gostei de filme bom. Da comédia ao drama. Hoje eu já sou um pouco mais pautado por diretores. Assisto tudo do Tarantino e gosto muito. Lars von Trier é um cara que me deixa bolado sempre. Gosto de alguns filmes do Kucrick. E adoro o David Lynch. Nunca entendo os filmes dele, sempre preciso pesquisar mil coisas pra entender o que ele quis dizer, e esse é um exercício intelectual que poucas pessoas fazem no cinema atual.

Teoria Geek: Assistindo alguma série/anime no momento?


Lucas Steinmetz: Nunca fui adepto de animes. As últimas duas séries que eu concluí foram Atlanta e Mindhunter. No momento estou continuando Dark e Grey’s Anatomy.

Teoria Geek: E pra finalizar: bate-bola, jogo rápido!


TG: O melhor vocalista em sua opinião?


LS: Mencionaria o Andre, claro, mas ele não está mais conosco. Então nacional Alírio Netto e internacional Hansi Kürsch.


TG: Seu guitarrista favorito?


LS: Um homem e uma mulher, ambos com carreira instrumental… Andy James e Nita Strauss.


TG: Banda favorita?


LS: Impossível definir uma… Nacional de metal é o Shaman. Internacional de rock é Queens Of The Stone Age. Poderia mencionar uma de cada gênero, talvez. Nightwish, Angra, In This Moment, Alice In Chains… É difícil!


TG: Melhor Show?


LS: Eu já fui em mais de 300, então é difícil responder. Há alguns destacáveis, como Rammstein no Maximus, Slipknot no Rock in Rio e Megadeth com Kiko Loureiro. Recentemente vi um do far From Alaska que foi de cair o queixo também.


TG: Melhor vocalista feminina?


LS: Nacional Daísa Munhoz, internacional Floor Jansen.


TG: Um album?


LS: São muitos, mas dessa vez vou conseguir mencionar só um.. Era Vulgaris, do Queens Of The Stone Age.


TG: No estúdio a banda é 10 mas ao vivo deixou a desejar?


LS: Cradle of Filth. O pior show que eu fui na vida, em 2010. Mas estou disposto a dar uma segunda chance. Talvez tenha sido um dia ruim.

Teoria Geek: Mensagem final para os leitores:


Lucas Steinmetz: Obrigado pelo espaço. Sempre é bom mostrar mais dos bastidores do trabalho que eu faço. No vídeo está só o glamour. O backstage sempre tem muito suor. E obrigado a todos que acompanham o Heavy Talk!

 

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