ENTREVISTA | Fábio Lucindo

Fábio Pinheiro Freme Faria Lopes Lucindo é um ator, dublador, diretor de dublagem, escritor e apresentador. E nos deu a oportunidade de conversar um pouco sobre sua carreira.

Ash - Pokémon

TG: Não adianta falar sobre quaisquer personagens sem antes conhecer um pouco de sua trajetória pessoal. Como começou sua carreira de dublador?


Fábio: Minha carreira de dublador começou em função de trabalhos anteriores em campanhas publicitárias e teatro, a dublagem apareceu meio que por inércia. As pessoas com as quais convivi nestes outros dois ramos de atuação invariavelmente diziam para minha mãe me levar aos estúdios de dublagem pois eu era jovem, lia e interpretava bem. Era um momento de transição na dublagem em que as emissoras e distribuidoras estavam pedindo que crianças fossem dubladas por crianças e não mais por adultos mulheres em sua maioria. Por coincidência,  a Álamo, maior estúdio de dublagem do estado de S Paulo durante toda a sua existência, era bem próximo da casa dos meus pais. Certo dia acabei indo lá com minha mãe, fomos muito bem recebidos pelo próprio Alan Stoll e fiz um estágio durante uma semana. Depois disso fiz um teste e nunca mais parei.


TG: Você tem algum tipo de preparação antes de entrar em ação?


Fábio: Nada muito pre definido, depende do horário e do tipo de trabalho que será realizado.

Se eu tenho a informação de que vou ter que cantar logo de manhã, por exemplo, eu procuro aquecer, claro, mas nada absurdo, aliás, Isso é raro. Normalmente faço apenas alguns exercícios de relaxamento entre a gravação de uma fala e outra ou quando erro bastante, mas isso é meio que automático e eu nem penso muito pra fazer.


TG: Alguns dubladores dizem que dublar animação, seja ela de qualquer tipo, é mais complicado de acertar o tempo da fala. Realmente é mais difícil do que dublar conteúdos com pessoas reais mesmo? Ou você tem outro ponto de vista sobre o assunto?


Fábio: Depende.

Cada produção é muito particular.

Generalizar com “dublar animação , qualquer que seja, é mais complicado” eu acho exagero.

Existem atores reais dificílimos de serem dublados e desenhos muito fáceis, e o contrário também é verdade.

Não se trata da mídia em si, mas de suas qualidades.


TG: Fábio, no Japão, a profissão de dublador é a mais cobiçada. Tanto que lá, os “Seiyuu” que dublam os personagens de animes, são os mais bem remunerados durante o ano nesse meio da animação. A dublagem no Brasil vem, a cada ano, sendo mais reconhecida. Do seu ponto de vista, acha que em algum momento chegaremos a uma situação próxima a do Japão? Qual a sua avaliação do cenário atual da dublagem nacional?


Fábio: Dadas as devidas proporções acho que já estamos com algo similar no campo do reconhecimento. Tanto que nomes  como Wendel Bezerra e Mabel César, por exemplo, hoje já transcendem a dublagem e conseguem incrementar seus orçamentos com outros produtos agregados. Mas eles são exceção. A regra é de negociação  constante entre o empresariado e o sindicato dos artistas para que se cumpra o acordo coletivo que regula o setor. Vejo o cenário atual com certa preocupação. Há grande demanda de todos os lados e dessa forma fica difícil estabelecer e fiscalizar práticas.


TG: Falando de uma dublagem em especial, O Ash personagem de Pokémon, o representou para você? E como foi ter que parar de dublar o personagem?


Fábio: Ash é sem dúvidas o personagem mais popular de minha carreira na dublagem. Não é pouca coisa. É algo que está muito presente em minha vida e que provavelmente a transcenderá.

Deixar de fazer-lo é triste em diversos aspectos. Existe apego, existe o fato de ficar pelo meio do caminho, e mostra certa indiferença por da parte dos responsáveis. Eu parei de dublar, mas nunca vou deixar de ter dublado. Eu fico bem com isso.


TG: Você fez carreira dublando diversos animes (Kuririn de Dragon Ball, Killua de Hunter x Hunter, Ichigo de Bleach, Shinji de Evangelion, Kiba de Naruto…), foi você quem decidiu partir para o lado dos animes ou as circunstâncias da vida te levaram aos personagens? Aproveitando já dublou algo em games?


Fábio: Foram as circunstâncias da vida que me levaram aos personagens e acho isso maravilhoso e agradeço ]as circunstâncias das vida.

Fiz os primeiros jogos da franquia Harry Potter, Grand Chase, LOL, Call of Duty Modern Warfare entre outros


TG: Sabemos que os fãs de animes são exigentes demais. Você recebe mensagens? Elas são carinhosas ou são de haters?


Fábio: Sim, recebo algumas mensagens!

A grande maioria é carinhosa e tento responde-las com atenção. As vezes eu demoro, confesso.

Nunca recebi um hate direto, embora tenha existido a comunidade “eu odeio o Fábio Lucindo” no Orkut.

Obviamente já li e me incomodei com críticas por mais estapafúrdias que fossem.


TG: Tem assistido algum anime atualmente, indicaria algum para os nossos leitores?


Fábio: Acabei de rever Beastars, agora dublado 😉

Gostei bastande de The Promised Neverland

Yuri!!! on Ice me pegou médio, mas em tempos de quarentena vale.

Run with the Wind é perigosa pois da vontade de correr, melhor evitar.


TG: E vídeo game? Você gosta, joga?


Fábio: Tenho um Switch.

Gosto, mas não sou doente.

Comprei Tókio 2020 e ate agora não consegui desfrutar como gostaria, mas já pirei um pouco nele sim.

Nunca perdi no Mário Kart


TG: E cinema, o que assistiu pela última vez que tenha gostado muito?


Fábio: O filme de 2019 é sem dúvidas Parasita

Gostei muito de Vida Invisível,  Bacurau, Democracia em Vertigem

Este ano to fraco.

Acabei de ver Leaving Neverland e to mals.


TG: Você também fez o Doug e o Arnold de Hey Arnold!, qual é a sensação de saber que você faz parte da infância de várias gerações, com animações marcantes?


Fábio: Quanto mais o tempo passa mais interessante é pensar sobre isso e se continuar assim eu acho ótimo.

Me sinto algo entre velho, eterno, jovem, porém um pouco cansado mas empolgado.

Doug eu acho que estraguei. Eu gostava muito do desenho e obvio que achei o máximo dublar, mas minha própria referencia do personagem era com a voz do Sérgio Rufino. Causou ruído ate pra mim. Gostei de fazer, mas achei um equívoco.

Arnold é um dos meus maiores xodós. Tenho tatuado. Gosto de absolutamente tudo nesse desenho.


TG: Agora o nosso modo turbo, faço perguntas e você responde de forma mais rápida


TG: Personagem que mais deu trabalho?


Fábio: Viewtifull Joe na época e atualmente refazer Shinji


TG: Personagem que não fez, mas gostaria de fazer?


Fábio: Bart Simpson


TG: Um filme?


Fábio: Paterson


TG: Uma banda?


Fábio: The Strokes


TG: Um livro?


Fábio: Kokoro de Natsume Soseki


TG: Desde já muito obrigado pela entrevista, por gentileza uma mensagem final para os nossos leitores


Fábio: Eu que agradeço o convite! Espero que tenha sido satisfatório.

Muito obrigado pela atenção e interesse, qualquer coisa é só chamar em @fabiolucindo

Abraços!

Avante!

Espero que tenha gostado da nossa entrevista com o Fábio Lúcindo, um dos melhores dubladores do cenário nacional.

Alexander Luthor
Geógrafo por formação e nerd por vocação