O Teoria Geek trás uma entrevista com Lord, responsável  pelo canal Jovem Espartano, um canal de opinião crítica, voltado para humor, informação e debate sobre o mercado de entretenimento eletrônico. Independente da sua plataforma, você será bem vindo, contanto que seja respeitoso.


TG: Lord, primeiramente obrigado por nos atender e dedicar um pouco do seu tempo para conversar com o Teoria Geek.


Lord: Agradeço o convite, obrigado pelo reconhecimento.


TG: Lord, conta pra gente como e quando começou a sua experiência com os games.


Lord: Acredito que como com a maioria de nós. Você é criança, tem sempre um amigo ou primo lazarento que sempre tem um videogame legal (e você não). Nos anos 90, era muito comum a maioria ter PlayStation, Megadrive e Nintendo. Tive contato com todos os consoles desde os meus 4 / 5 anos de idade.


TG: Quais foram seus consoles e jogos mais marcantes durante sua vida como gamer?


Lord: Tony Hawks do PS1, Fifa 98 (meus inscritos vão querer me matar por isso), a saga MGS (especialmente o 4), Need For Speed (desde o primeiro), Spider Man, Sonic, Mario, MDK (esse era só pros fortes), Cyber Gladiators, Hunter-Hunted, Iznogoud… Provavelmente você me questionaria sobre Street Fighter, mas eu preferia Bloody Roar naquela época, rsrs.

A Sony teve um papel fundamental entre os consoles mais marcantes para mim, sendo eles o PS2 e PS3 os que definiram minhas melhores memórias, pois o PS1 eu acabei jogando muitos anos com emuladores no PC, quando criança.


Lord Jovem Espartano 2


TG: Quando você começou essa afinidade com a marca PlayStation?


Lord: Desde os anos 90. Minha infância foi recheada pelo desejo de ter um console, mas meus pais eram bastante preconceituosos com relação a isso. Só fui ter meu primeiro videogame em 2004, um PSOne.


TG: Você é criador de conteúdo do antigo PlayStation Mil Grau e atual Jovem Espartano, como foi esse processo de se tornar um YouTuber?


Lord: Acredito que foi uma oportunidade expressar meus pensamentos usando a comunicação, que é uma das minhas especialidades profissionais mais usadas no decorrer da minha vida. Comecei no YouTube oficialmente em 2009, mas não tive maturidade pra lidar com aquilo e parei por volta de 2012.

Em 2017, após um fim de relacionamento bastante doloroso, eu busquei uma maneira de me distrair e o YouTube retornou à minha vida por coincidência do “destino”. Desde então, tenho buscado expressar e criar conteúdos diversos, todos focados no bom humor com informação.


TG: O que fez você perceber que era hora de mudar o nome do canal?


Lord: No geral, minha imagem na comunidade sempre foi muito boa, de acordo com alguns YouTubers de grande relevância que conheço, mas com o tempo, o nome “Mil Grau” acabou se tornando sinônimo de baixaria e ignorância no mundo dos games.

Em uma BGS, conheci grandes nomes como Beloto, Reviews de Games, Gigaton Games e outros… Muitos deles me surpreenderam quando me contaram que assistiam ou já viram meu canal e gostaram do conteúdo, especialmente as paródias musicais (ACHO até que fui o primeiro canal brasileiro a criar esse tipo de conteúdo em games, profissionalmente), mas não podiam compartilhar meus vídeos porque seus seguidores rejeitavam a proposta assim que liam “Mil Grau” no nome.


TG: O Jovem Espartano é um dos canais mais populares se tratando de PlayStation no Brasil, como você encara isso?


Lord: Com gratidão. Sei que não me comparo aos grandes criadores em termos de números e sou um pouco limitado quanto ao tipo de conteúdo que posso produzir. Não uso palavrões ou outros artifícios que colaboram para uma assimilação mais rápida de público, mas procuro compensar isso dando meu máximo naquilo que sei fazer.

É uma comparação engraçada, mas me sinto como o ninja “Rock Lee” – não disponho de nenhuma genialidade – tentando compensar isso com muita garra. Se você ama algo e tem um sonho, precisa tentar, ainda que falhe.

Por menor ou maior que o Jovem Espartano seja, é um trabalho em conjunto de persistência + pessoas que acreditam em mim.


TG: Estamos chegando perto do fim da atual geração de consoles, o que fica pra você como lembrança, até esse momento?


Lord: Inevitavelmente, a nostalgia. Similar a uma virada de ano, você fica pensando em tudo o que vivenciou: amigos que conheceu, todas as histórias que viveu… É como uma despedida onde você deixa de vivenciar esses fatos para deixar que eles se tornem uma história da qual você revisitará alguns anos depois jogando em alguma retro por ai, rsrs.


Lord Jovem Espartano


TG: Quem o Lord acompanha no YouTube, existe alguma relação com outros criadores de conteúdo?


Lord: Embora eu não disponha de muito tempo por causa das horas de edição e criação de vídeos, quando posso, gosto muito de assistir aos canais do Peter Jordan. É uma pessoa que tenho muito respeito, da qual me espelho bastante, pois temos um perfil bastante parecido, hahaha.

Também gosto muito do engenheiro Leonardo da Consoles e Jogos Brasil. Poucas pessoas sabem, mas foi ele quem me deu a oportunidade de começar no YouTube com relevância 10 anos atrás.

Também há outros canais que assisto eventualmente, como Arnaldo DK, Mastar Media, Digital Foundry, Games Eduu, Gigaton, Relaxingend, Metaforando, e canais de ciência como Because Science e Ridddle.


TG: O que vc espera do Xbox Series X e PlayStation 5? Você acredita em um salto muito grande tecnologicamente falando.


Lord: Acredito que a maior revolução dessa vez será justamente no level design dos jogos que virão. A inovação dos sistemas de I/O desses consoles permitirá que ANOS de atraso em storage finalmente tirem essas amarras dos desenvolvedores para que possam dar vida a projetos ambiciosos que nunca foram possíveis em geração alguma.

O sistema de armazenamento é uma das tecnologias que mais demoraram em evoluir. Até aqui, a maior revolução que presenciamos foi visual, mas o verdadeiro salto dessa vez não será melhoria gráfica. Vocês entenderão melhor ao que me refiro quando perceberem o tamanho da imersão que os próximos títulos trarão.

Quanto ao PS5, espero apenas que a Sony mantenha o padrão de que tanto se destacou na atual geração. Tenho orgulho em ver a potência que a Sony se tornou e o como seus jogos são referência mundial de criação e qualidade. Já no Series X, vejo um imenso potencial no qual dependerá exclusivamente da boa vontade da Microsoft em explorar.
O Xbox One X pra mim foi como um PS Vita. Extremamente injustiçado e com pouquíssimos jogos first party que tiraram seu proveito.


TG: Quais seus planos para o futuro, com relação ao seu trabalho no YouTube?


Lord: Crescer ainda mais. A pandemia permitiu que me dedicasse como nunca ao YouTube esse ano e tenho como alvo tornar meu trabalho na plataforma mais profissionalmente sustentável. Não tenho a ambição de me tornar o próximo BRKsEdu, mas se puder manter minha união entre o trabalho e amor pelo mundo de entretenimento, será o suficiente para mim.


TG: Lord, mais uma vez obrigado por conversar com o Teoria Geek, pode ficar a vontade sobre qualquer assunto.


Lord: O prazer foi todo meu. Obrigado.


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