Blues, misticismo e preconceito:  Netflix lança Devil at crossroads (O diabo na encruzilhada), documentário sobre o músico Robert L. Johnson.

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Lenda do blues norte-americano, Robert L. Johnson ficou famoso pelo susposto “pacto com o diabo” para tocar sua guitarra tão belamente. O documentário da Netflix traz à tona o histórico curto e nebuloso deste músico negro que influenciou vários artistas dos EUA.  Contendo depoimentos e análises sobre sua obra, há aqui uma investigação bastante interessante que mistura o preconceito contra o negro, drama e como a linguagem universal da música pode causar uma catarse em qualquer ser humano.

Ficha técnica

Título: ReMastered: Devil at the Crossroads (Original)
Ano produção: 2019
Dirigido por: Brian Oakes
Estreia: 24 de Abril de 2019 (Brasil)
Duração: 48 minutos
Classificação: Não informada
Gênero: Documentário Música
Países de Origem: Estados Unidos da América

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Atenção: contém spoilers a respeito da obra.

Bem detalhado, escrito e roteirizado: o documentário “O diabo na encruzilhada” é uma proposta bastante interessante em relação ao histórico do blues, do preconceito em relação aos negros no começo do séc. XX e como nasceu a lenda em torno de Robert L. Johnson.

Filho de Júlia e Charles Doddes, Robert L. Johnson teve uma infância muito sofrida e um histórico de vida breve, porém intenso. Após ter sido abandonado pelo pai biológico e criado pela mãe solteira, Robert sofria abusos físicos de seu padastro e fugiu ainda jovem das terras de sua mãe. Ainda adolescente, viu no blues uma oportunidade de esquecer as mazelas que sofria nas ruas do Mississipi.  O blues, na época, era considerado um estilo menor da música devido ao fanatismo religioso dos brancos que consideravam uma música do demônio. Além do racismo predominante na época, já que o blues era tocado majoritariamente por negros.

Com 18 anos engravidou uma jovem de 15 chamada Virgínia Travis. Ambos casaram-se, entretanto sua esposa e filho faleceram durante o parto do bebê.

Discípulo de Son House (músico), Robert para melhorar suas habilidades no violão teve aulas com Son em um cemitério à noite. Fato que fez crescer a lenda em relação à técnica que adquira para dedilhar, fazendo com que o “disse me disse popular” o tornasse famoso por alegarem que ele fez um pacto com o diabo em uma encruzilhada, trocando sua alma pelo dom de tocar com habilidade magistral.  As atitudes de Robert Johnson ajudavam a espalhar sua fama de sinistro e adorador de forças ocultas. Uma delas era o seu hábito de tocar de costas para o público durante seus shows. As pessoas então diziam que ele fazia isto para esconder o olhar do diabo que surgia para auxiliá-lo. Na verdade, a versão mais coerente supõe que ele tocava de costas para esconder os acordes que ele inventava sozinho e não queria que algum músico que estivesse na platéia o copiasse.

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Foto: Robert L. Johnson (raro registro)

Canções como “Me and the devil blues” aumentam o misticismo em relação a lenda:

“Me and the Devil
Was walkin’ side-by-side
Me and the Devil, ooh
Was walking side-by-side”

Tradução: Eu e o Diabo / Estava andando lado a lado”.

Falecido com supostamente 27 anos (os registros são imprecisos), o músico compôs aproximadamente 29 músicas; o suficiente para deixar um espólio musical tão respeitado que influenciou diversos artistas e bandas como Led Zepellin, Eric Clapton, Cream, Rolling Stones, Jack White entre outros. Considerado o maior de seu século, é frequentemente citado como o maior cantor de blues de todos os tempos.

Durante o documentário, vários depoimentos de artistas e fãs são mostrados para comprovar o seu legado. Se tem alguma parte ruim, talvez apenas a quantidade de entrevistas com músicos e fãs envolvidos sabedores ou influenciados por sua carreira. Há aqui um pouco de enrolação. Apesar disso, pra quem gosta de música, biografias e gosta de saber um pouco de história americana “Devil at crossroads” nada deve. Recomendo. Vale à pena.

Vale citar o filme “A encruzilhada” com o ator que faz o Daniel Sam na franquia Karatê Kid, que é baseado justamente na carreira e vida de Robert L. Jonhson.

//www.youtube.com/watch?v=E1cIgRy7hUE