É minha gente, Stranger Things acabou, mas desde o primeiro episódio, a série deixou pistas claras de que suas referências vão muito além do terror oitentista.
No meio de bicicletas, monstros interdimensionais e crianças traumatizadas, existe um DNA bem específico pulsando: os X-Men.
E não estamos falando só de easter eggs jogados ao acaso. A relação entre Stranger Things e os quadrinhos da X-Men passa por conceitos, estruturas narrativas, metáforas e até decisões dramáticas centrais.
Por isso, atenção jovem gafanhoto: vêm spoilers de todas as temporadas à frente; leia por sua conta e risco.
O gibi que começa tudo: X-Men #134

Logo nos primeiros minutos do episódio piloto, Will e Dustin disputam uma corrida de bicicleta. O prêmio? Nada menos que o quadrinho X-Men #134.
Pois é… Não é um detalhe inocente.
Essa edição faz parte da Saga da Fênix Negra, arco em que Jean Grey é manipulada, corrompida e dominada por uma entidade cósmica de poder absurdo.
Stranger Things planta essa semente cedo, quase como quem avisa: essa história aqui também vai falar de poder sem controle.
Eleven não é só uma garota com poderes, ela é uma mutante
Telepatia, telecinese, acesso à mente alheia. Os poderes de Eleven não lembram Jean Grey por acaso. Nos quadrinhos, esses dons são exatamente as habilidades centrais da mutante.
No início da série, ninguém sabe a origem real dos poderes de Eleven, nem onde está o limite deles. Além disso, ela é controlada por militares, submetida a testes e constantemente empurrada ao extremo (o cenário perfeito para algo sair do controle).
Sim, exatamente como aconteceu com Jean.
A Fênix, o Devorador de Mentes e a mesma aura de destruição
Nos quadrinhos, a Fênix amplifica os poderes de Jean Grey até o ponto da ruptura, levando-a a matar inocentes e perder completamente o controle.
Já em Stranger Things, o Devorador de Mentes cumpre função semelhante: uma entidade maior, opressiva, que corrompe, domina e usa indivíduos como peças descartáveis.
Dessa forma, a ameaça não é só física: é psicológica, coletiva e impossível de conter com métodos tradicionais.
O Cérebro: tecnologia que conecta universos
Na terceira temporada, Dustin apresenta o Cérebro, uma torre de rádio desmontável criada para comunicação a longa distância.
Parece só uma invenção nerd… até você lembrar que, nos quadrinhos, Professor Xavier criou o Cérebro, máquina capaz de localizar mutantes em qualquer lugar do planeta.
A função é praticamente a mesma… E a referência, impossível de ignorar.
Clube do Inferno: coincidência ou piscadela?
Na Saga da Fênix Negra, o Clube do Inferno (Hellfire Club) é o grupo de elite responsável por manipular Jean Grey e acelerar sua queda.
Em Stranger Things, o Hellfire Club aparece como o grupo de RPG liderado por Eddie na quarta temporada. Aqui, vale o esclarecimento honesto: o nome funciona como easter egg, sem ligação direta de enredo.
Ainda assim, a escolha não é aleatória, é mais uma camada de homenagem.
Eleven vs Demogorgon: a cena que replica os quadrinhos
No final da primeira temporada, Eleven enfrenta o Demogorgon. Para isso, ela usa telecinese para arremessá-lo contra a parede, prendê-lo e impedir sua fuga.
Essa sequência ecoa diretamente uma cena de X-Men #134, onde Jean Grey faz exatamente o mesmo com o Mestre Mental, vilão do Clube do Inferno. Se liga:
Portanto, a composição, o gesto e a intenção são praticamente espelhados.
Os párias, os Morlocks e o orgulho de ser diferente
Na segunda temporada, Eleven foge de Hawkins e encontra Kali, vivendo escondida com um grupo à margem da sociedade.
A comparação com os Morlocks (mutantes que vivem nos esgotos, afastados do mundo) é inevitável. Mais do que isso, o treinamento de Eleven com Kali lembra diretamente os treinos no Instituto Xavier, tanto no aspecto físico quanto no emocional.
Ademais, o episódio ainda aprofunda temas clássicos dos X-Men: identidade, exclusão e orgulho de ser quem se é.
Programa Arma X: crianças como armas
Eleven e Kali não são casos isolados. Ambas são crianças usadas como cobaias em experimentos militares.
O conceito remete diretamente ao Programa Arma X, iniciativa do governo nos quadrinhos para transformar mutantes em armas vivas.
Dessa maneira, Stranger Things traduz esse horror para um contexto mais íntimo, mas igualmente cruel.
Atenção: a partir daqui, contém spoiler. Caso não tenha assistido, volte e leia mais tarde.
Jean Grey e Eleven seguem o mesmo caminho
Na conclusão da Saga da Fênix Negra, Jean Grey escolhe morrer para não perder o controle novamente. Por isso, ela declara seu amor por Ciclope e se sacrifica.
Em Stranger Things, Eleven também entende que seus poderes vêm de seu sangue e que os militares jamais deixarão outras crianças em paz. Para impedir novos horrores e o retorno do Mundo Invertido ela decide se sacrificar. Antes, declara seu amor por Mike.
Isso mesmo: o paralelo é direto, doloroso e intencional.
Retcons, ilusões e portas abertas
Nos quadrinhos, Jean Grey retorna à vida graças a um retcon: quem morreu era a Fênix, não a verdadeira Jean.
Em Stranger Things, o último episódio deixa um gancho semelhante. No jogo final de RPG, Mike descreve um cenário onde Eleven não morreu, apenas se escondeu e a morte teria sido uma ilusão criada por Kali.
Sendo assim, não há resposta definitiva. Mas se um dia quiserem trazê-la de volta, o argumento já está pronto.
Stranger Things sempre foi uma história de mutantes?
Stranger Things nunca foi só sobre monstros e nostalgia. Desde o início, a série bebeu fundo na fonte dos X-Men para falar de poder, exclusão, controle, sacrifício e identidade.
Dessa forma, Jean Grey e Eleven compartilham o mesmo destino trágico: poder demais em um mundo que não sabe o que fazer com quem é diferente. No fim, Hawkins sempre foi só mais uma versão do Instituto Xavier, só que com menos spandex e mais trauma.
Por isso, depois de ver tudo isso, fica difícil acreditar que seja coincidência. E você, já havia reparado nisso?
Conheça nosso canal no YouTube:
