Quem achou que sair de 1962 significava finalmente deixar Pennywise para trás não entendeu muito bem como Derry funciona.
A HBO oficializou a segunda temporada de It: Bem-vindos a Derry, mas o próximo capítulo não continuará avançando no calendário. Pelo contrário: a série vai fazer aquilo que sua criatura favorita faz de melhor e voltar para onde os traumas começaram.
A nova temporada será ambientada em 1935, durante a Grande Depressão, 27 anos antes dos acontecimentos da primeira fase. No centro da história estará o massacre da Gangue Bradley, uma das tragédias históricas citadas por Stephen King em It: A Coisa.
Ainda não há data de estreia.
Também não existe elenco oficialmente anunciado.
E, antes que alguém tire o balão vermelho do armário: Bill Skarsgård ainda não foi confirmado para retornar como Pennywise.
Mas uma coisa já está clara: Derry não terminou de contar suas histórias.
O calendário de Derry anda ao contrário
A primeira temporada se passa majoritariamente em 1962 e funciona como prequela doshttps://www.youtube.com/watch?v=rFDnjDrCfkw filmes It: A Coisa (2017) e It: Capítulo Dois (2019).
Agora, em vez de seguir adiante, a produção recua exatamente 27 anos, acompanhando outro ciclo da entidade que assombra a cidade.
Destino? 1935.
E isso não é mero capricho cronológico.
Dentro da mitologia criada por Stephen King, os ciclos de violência relacionados à Coisa se repetem aproximadamente nesse intervalo. A estrutura da série aproveita justamente esses espaços históricos para transformar pequenas histórias mencionadas no livro em narrativas completas.
Andy Muschietti já havia explicado que o projeto foi concebido como uma história contada de trás para frente, com três períodos em mente: 1962, 1963 e, posteriormente, 1908.
Importante: uma terceira temporada ainda não foi oficialmente aprovada. 1908 faz parte do plano criativo apresentado pelos responsáveis pela série, não de uma renovação confirmada.
Em Derry, até o calendário merece cautela.
1935: quando a cidade já estava quebrada antes do terror chegar
A mudança de período deve alterar bastante a atmosfera da série.
A temporada será ambientada durante a Grande Depressão, quando desemprego, pobreza e instabilidade social atravessavam os Estados Unidos.
Andy Muschietti antecipou que essa realidade não funcionará apenas como cenário decorativo. Segundo o diretor, a nova fase deve abordar diretamente as dificuldades econômicas e os aspectos sociais mais duros daquele período. A própria aparência de Derry será diferente: menos conforto suburbano e muito mais sensação de abandono, precariedade e sobrevivência.
Em outras palavras: Pennywise aparentemente decidiu voltar justamente quando todo mundo já tinha problema suficiente.
Muito gentil.
A Gangue Bradley entra pela porta da frente
O acontecimento central dessa viagem ao passado será o massacre da Gangue Bradley.
Nos interlúdios do romance de Stephen King, a gangue aparece entre os episódios violentos recuperados por Mike Hanlon enquanto ele investiga a história de Derry.
Na versão da série, os Bradley serão um grupo de criminosos e assaltantes que chega à cidade e acaba envolvido em um episódio brutal. A HBO descreve o grupo como ladrões de banco que param em Derry para comprar munição e encontram algo muito pior do que esperavam.
Os criadores já confirmaram que o massacre funcionará como um evento culminante da segunda temporada.
Quem prestou bastante atenção à primeira fase talvez já tenha percebido que essa história estava sendo preparada.
Um automóvel antigo cheio de esqueletos, encontrado durante uma operação militar, funcionava como uma referência ao episódio que agora ganhará muito mais espaço.
Stephen King deixou migalhas.
Os Muschietti aparentemente decidiram assar um bolo inteiro com elas.
Não será apenas “a história da gangue”
Esse é outro detalhe interessante.
No livro, o episódio dos Bradley ocupa uma parcela relativamente pequena da enorme mitologia de Derry.
A série fará o mesmo que realizou anteriormente com outros interlúdios: expandirá o acontecimento, criando personagens, conflitos e arcos narrativos ao redor daquilo que King apenas apresentou como parte da memória sangrenta da cidade.
Andy Muschietti explicou que a equipe está dando mais corpo ao episódio justamente porque o material original oferece espaço para desenvolver uma história maior.
Isso significa que não devemos esperar uma simples dramatização literal de algumas páginas do romance.
A proposta continua sendo usar King como mapa.
E explorar as ruas que ele deixou sem iluminação.
Pennywise volta? Calma com esse balão
Aqui mora uma distinção importante.
A presença de Pennywise enquanto parte da mitologia da temporada está diretamente ligada ao projeto, e os criadores já disseram que as origens de Bob Gray e da forma de palhaço assumida pela entidade terão papel na nova fase.
Isso, porém, não é a mesma coisa que confirmar Bill Skarsgård.
Até agora, a HBO não anunciou o elenco da segunda temporada.
Barbara Muschietti já deixou pistas sobre a possibilidade de Skarsgård voltar, mas não houve confirmação formal do ator.
Portanto: Pennywise faz parte do caminho. Bill Skarsgård ainda não tem passagem oficialmente carimbada.
Nada de transformar desejo de fã em comunicado da HBO.
Brad Caleb Kane assume sozinho o comando
Também haverá mudança nos bastidores.
Na primeira temporada, Brad Caleb Kane dividiu a função de showrunner com Jason Fuchs.
Na segunda, Kane será o único showrunner. Andy e Barbara Muschietti continuam como produtores executivos, mantendo a ligação direta com os filmes de It.
A sala de roteiristas, inclusive, já estava funcionando antes mesmo de a HBO formalizar a renovação.
Ou seja, a confirmação pública não pegou a equipe criativa parada no esgoto esperando um telefonema.
O próximo pesadelo já estava sendo desenhado.
Por que contar It ao contrário?
Essa talvez seja a sacada mais interessante de Bem-vindos a Derry.
Prequelas normalmente fazem uma pergunta bastante previsível: “Como chegamos até aquilo que já conhecemos?”
A série está escolhendo uma rota diferente.
Cada temporada recua para um ciclo anterior da Coisa, permitindo mostrar como o mal se manifesta em épocas diferentes e como Derry parece encontrar novas maneiras de colaborar com sua própria podridão.
1962 mostra uma cidade.
1935 mostrará outra.
E, caso o plano de três temporadas chegue até o fim, 1908 será ainda mais distante do mundo que conhecemos nos filmes.
As pessoas mudam.
Os prédios mudam.
A sociedade muda.
Mas Derry continua encontrando alguma maneira particularmente criativa de dar errado.
O que sabemos — e o que continua escondido no esgoto
Até aqui, o quadro seguro é simples.
Confirmado: segunda temporada aprovada pela HBO; história ambientada em 1935; Grande Depressão como contexto; massacre da Gangue Bradley no centro da trama; Brad Caleb Kane como showrunner; Andy e Barbara Muschietti entre os produtores executivos.
Ainda não confirmado: data de estreia, início das filmagens, elenco completo e retorno de Bill Skarsgård.
Também existe o plano criativo para chegar a 1908 numa eventual terceira temporada.
Mas, por enquanto, ele continua sendo exatamente isso:
um plano.
Derry não supera seus traumas; ela os arquiva
O mais interessante em voltar para 1935 talvez seja perceber que Bem-vindos a Derry nunca foi simplesmente uma série sobre “o passado de Pennywise”.
É sobre o passado da própria cidade; sobre tragédias que parecem acontecimentos isolados até alguém começar a ligar os pontos.
É também sobre ciclos que se repetem, violência que a população prefere esquecer e um palhaço que parece ter excelente memória.
A primeira temporada abriu um arquivo datado de 1962.
A HBO acaba de autorizar a equipe a puxar outro da gaveta.
Na etiqueta está escrito: 1935.
E quem conhece Derry sabe que, quando alguém começa a mexer no passado daquela cidade… é melhor não seguir o som das risadas.
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