Cthulhu permaneceu adormecido por eras no fundo do oceano, mas bastou o Metallica tocar os primeiros acordes de “The Call of Ktulu” para a criatura trocar R’lyeh por Las Vegas.
A banda abriu, em 1º de outubro, a residência Life Burns Faster no Sphere. A estreia apresentou uma produção criada especificamente para a gigantesca tela curva do local, combinando o peso do quarteto com paisagens apocalípticas, ruínas, tumbas e imagens dignas de uma sequência particularmente cara de pesadelos.
O momento mais compartilhável surgiu durante “The Call of Ktulu”, quando uma representação multidimensional de Cthulhu tomou conta do espaço e transformou o público numa pequena reunião de mortais diante de uma entidade cósmica.
O chamado veio de 1984

Lançada no álbum Ride the Lightning, “The Call of Ktulu” foi inspirada em “O Chamado de Cthulhu”, conto publicado por H.P. Lovecraft em 1928.
A composição instrumental ocupa um lugar especial na história da banda por sua ligação com Cliff Burton. Antes da execução no Sphere, James Hetfield dedicou a música ao baixista, morto em 1986.
Enquanto o Metallica tocava, a tela envolvente deu corpo ao horror sugerido pela faixa: o monstro apareceu cercado por estruturas funerárias e cenários em ruínas, como se o Necronomicon tivesse recebido orçamento de Hollywood e acesso irrestrito ao departamento de efeitos visuais.
Quatro décadas comprimidas dentro de uma esfera
A apresentação começou com “Battery” e passou por diferentes fases da carreira, incluindo “Creeping Death”, “Sad but True”, “…And Justice for All”, “Nothing Else Matters”, “Lux Æterna” e “Ride the Lightning”.
Depois de “The Memory Remains”, o encerramento reuniu “Seek & Destroy” e “Master of Puppets”. Assim, o espetáculo percorreu desde os primeiros anos do thrash metal até 72 Seasons, lançado em 2023.
Algumas reportagens contabilizaram 18 músicas ao incluir as duas gravações utilizadas na abertura, “It’s a Long Way to the Top”, do AC/DC, e “The Ecstasy of Gold”, de Ennio Morricone. O repertório executado diretamente pelo Metallica teve 16 performances, considerando o trecho instrumental de Kirk Hammett e Robert Trujillo.
Caras velhos, música alta e tecnologia monstruosa
O Sphere possui capacidade aproximada para 20 mil pessoas e uma tela interna de cerca de 160 mil pés quadrados, equivalente a quase 15 mil metros quadrados. Em vez de apenas ampliar os músicos, a produção utilizou a estrutura para criar ambientes completos ao redor da plateia.
Além de Cthulhu, o público foi cercado por cruzes, construções destruídas, paisagens inundadas e outras imagens próximas do cinema de horror. Fotografias enviadas por fãs também apareceram na tela, integrando a história da banda ao espetáculo.
Hetfield resumiu a combinação como “tecnologia moderna e caras velhos tocando música alta”. A definição é modesta para uma noite em que quatro músicos conseguiram invocar uma criatura ancestral dentro de uma bola eletrônica bilionária.
Cthulhu não confirmou presença em todas as noites
A residência terá 24 apresentações até 13 de março de 2027. Os shows são organizados em No Repeat Weekends: cada dupla de apresentações, realizada normalmente numa quinta-feira e no sábado seguinte, terá repertórios completamente diferentes.
Isso significa que “The Call of Ktulu”, o monstro e as demais imagens apresentadas na abertura não estão confirmados em todas as datas. A banda poderá alterar músicas e sequências visuais conforme o repertório de cada noite.
Além disso, também não existe anúncio relacionado a apresentações no Brasil. Por enquanto, quem quiser assistir ao despertar do Grande Antigo precisará viajar até Las Vegas, encontrar ingressos e torcer para que Cthulhu esteja escalado naquela noite.
O Metallica chegou ao Sphere prometendo reinventar a própria relação com o público. Na estreia, cumpriu a missão transformando o palco mais tecnológico do mundo numa catedral de terror cósmico.
Lovecraft escreveu que Cthulhu aguardava sonhando. O Metallica apenas aumentou o volume do despertador.
Conheça nosso canal no YouTube:
