Um dos ícones da década de 80 está de volta, mais forte, ágil, inteligente e carniceiro como nunca… sim! “O Predador” está entre nós novamente, e o que é melhor: ignorando completamente os terríveis e esquecíveis filmes “Aliens vs Predador” 1 e 2.

Gênero: Ação/Suspense

Distribuição: 20th Century Fox

Lançamento mundial: 14 de setembro de 2018

  • Sinopse: A história dessa vez segue o atirador de elite Quinn McKenna (Boyd Hollbrook –  Donald Pierce de Logan), que interage com o Predador desde o início, quando um serviço seu é atrapalhado. Após mandar fragmentos da armadura do Predador de volta para casa e ser preso, seu filho Rory McKenna interpretado magistralmente pelo ótimo ator mirim Jacob Tremblay (astro do filme Extraordinário) acaba sob risco de vida quando o genial garoto acidentalmente “chama” a criatura para o subúrbio americano. Acaba sendo obrigado a se aliar com um grupo de “maluquetes” ex-soldados a caminho do Hospital do Exército e a bióloga Casey Brackett (Olivia Munn – Psilocke de X-Men Apocalipse). No desenrolar dos fatos, irão enfrentar tanto o alienígena quanto oficiais do alto escalão com seus próprios planos para a tecnologia Yautja.

Para trazer de volta para as telas o clima “Oitentista” da trama, contrataram como diretor nada mais nada menos que o veterano Shane Black, que é pupilo e foi colaborador de Richard Donner que dirigiu uma das mais bem sucedidas franquia de filmes policias e de ação dos anos 80, “Máquina Mortífera”.

A direção do filme busca estabelecer um vínculo emocional entre o público e o grupo de militares mentalmente perturbados, não em um sentido sentimentalista, mas em um sentido afetivo, esta se estabelece de maneira um pouco rasa. Percebe-se que o trabalho de Shane Black, não é meramente dramático, mas também bastante cômico (algumas piadas beiram a grosseria, mas são aceitáveis.), casando no componente emocional, mas quebrando com essa ótica na questão da fluidez narrativa, que não se complementa perfeitamente bem com os momentos de ação e, poucos momentos de horror. A grande sacada desse filme, o Predador, foi sair daquele estereótipo do “monstro caçador alienígena” em si, para uma apresentação mais complexa do personagem buscando deixar claro sua motivação, obsessão e o porquê de seres tão evoluídos tecnologicamente, saírem viajando por várias galáxias, apenas para escolher um “campeão” a altura, sim, finalmente nos explicaram a motivação! que é até convincente. A violência gráfica, contudo, contribui para um crescente de tensão no coração do público, diante de uma criatura capaz de estraçalhar seres humanos com extrema facilidade.

Mas há também algumas cenas um pouco fora de contexto, ingênuas e engraçadas, Como exemplo: a cena em que a bióloga Casey inexplicavelmente demonstra uma perícia e agilidade sem igual, perseguindo o Predador quando sobe em um ônibus para tentar acerta-lo com um dardo tranquilizante. Quando o mesmo responde furando a roda do veículo, ela cai e dispara para o próprio pé, o que causa um efeito cômico para o resto da cena. Contudo a violência dramática é um dos “motes” e seus heróis são de certa forma acrobatas, os personagens de Shane Black neste filme em particular estão um tanto quanto atrapalhados, sujeitos a acidentes e alguns atos falhos, uma característica do diretor, que gosta desse tipo de alívio cômico e que pode até ser visto inclusive no seu filme da Marvel, Homem de Ferro 3 (Não gostei muito este filme pelo o que fizeram com o vilão clássico o Mandarim, mas em termos de ação, Homem de ferro 3 é até razoável).

A salvação do mundo é mais pessoal,ou seja, cada um mais preocupados em salvar a própria pele, Nesse sentido, McKenna e seus soldados amalucados funcionam mais como um Esquadrão Suicida do que o próprio filme da DC de 2016.

Percebemos também a tentativa e com sucesso de Black em demonstrar que nem todo Predador é um guerreiro perfeito e mítico como no primeiro filme, que só revelava seu rosto horrendo lá pelo final. Neste filme, Já na primeira cena, o primeiro Predador que caiu na Terra é destituído da icônica máscara e bracelete. O segundo, que vem no seu encalço, maior e mais forte, O surra impiedosamente, tornando-o vítima inclusive do próprio aparato hipertecnológico que frequentemente age de maneira reativa ao ser atacado, fica bem claro a superioridade do outro predador.

Minhas considerações:

Definitivamente “O Predador” não é aquele filme tenso beirando o terror como o primeiro de 1987, mas que de todas as sequências, é o que mais se assemelha! Inclusive pela trilha sonora, as atuações funcionam, percebe-se que Black procurou dar identidade única a cada personagem, mesclando momentos dramáticos e ao mesmo tempo cômicos a cada personagem.

A estória é aquela “receita de bolo da vovó” que estamos acostumados, um herói indomado e perseguido pelo governo, a mocinha que se supera quando é preciso, os amigos fieis que fazem o que for preciso para dar total apoio ao herói, e o vilão que apesar de ser extremamente poderoso, comete erros primários e acaba sendo derrotado (isso não é SPOILER! ou você acha que o predador venceria? Afinal de contas, Ele não é nenhum Thanos), mas vamos combinar! Quem não gosta daquele “bolo” manjado da Vovó? (Eu adoro!)

O filme tem também uma mensagem muito positiva sobre pessoas portadoras de autismo, Rory filho de McKenna é Autista (Que como já disse acima é “interpretado magistralmente pelo ótimo ator mirim Jacob Tremblay“), porém isto não o impede de ser uma das pessoas mais inteligentes e ativas do filme: ou seja, Inclusão Dez! preconceito Zero.

Vale a pena pagar ingresso para assistir O Predador no Cinema? Sim vale! Shane Black que além de dirigir também é co-roteirista, conseguiu entregar um bom filme que realmente em alguns momentos nos leva aos anos 80, pelas referencias e os bons momentos de ação que o filme nos proporciona.

Curiosidades:

  • Shane Black teve um papel coadjuvante no filme original, enquanto John Davis retorna como produtor das três primeiras partes.
  • Arnold Schwarzenegger originalmente participaria do filme, as recusou o papel devido à pouca importância que teria na trama (provavelmente foi oferecido apenas um ”Cameo” que são aquelas aparições que o Stan Lee faz nos filmes da Marvel).

Palavras do Próprio Schwarzenegger: “Eles me procuraram, e eu li, e não gostei daquilo que ofereceram. Então eu não vou fazer isso, não. Exceto se tiver uma chance de eles reescreverem, ou fazerem um papel mais significativo. Mas do jeito que está agora, não, eu não vou fazer isso. ”

Minha nota: 07/10

 —–O Filme encontra-se em cartaz desde dia 13/09/2018, nos Cinemas Brasileiros—–

Trailer:

//youtu.be/Ej_GbZglOoM

Ficha Técnica:

País/Linguagem: Estados Unidos/Inglês                                                                                              Direção: Shane Black
Produção John Davis
Roteiro: Fred Dekker, Shane Black
Elenco: Boyd Holbrook, Trevante Rhodes,Jacob Tremblay, Keegan-Michael Key, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen
Gênero: Ação/Suspense
Música: Henry Jackman
Cinematografia: Larry Fong
Edição: Harry B. Miller III
Companhia(s) produtora(s): Lawrence Gordon Productions
Silver Pictures
Davis Entertainment
Distribuição: 20th Century Fox
Lançamento mundial: 14 de setembro de 2018
Orçamento: US$ 88 milhões
Receita: US$ 54.727.235