David Cronenberg é conhecido por dividir opiniões em seus filmes, e em Crimes Of The Future não foi diferente…

Ficha Técnica
Título: Crimes of The Future
Ano de Produção: 2022
Dirigido Por: David Cronenberg
Estreia: 14 de julho de 2022
Duração: 1h e 47m
Classificação: 
Gênero: Ficção Científica, Terror, Suspense, Drama
País de Origem: Canadá
Sinopse:Em um futuro próximo, os humanos terão que aprender a conviver e se adaptar ao seu ambiente sintético. Isso faz com que a espécie tenha que ir mais além do que seu estado natural e ir para metamorfose, o que causa uma mudança em seu DNA. Enquanto alguns abraçam o potencial ilimitado do trans-humanismo, outros tentam policiá-lo. De qualquer modo, a Síndrome da Evolução Acelerada está se espalhando rapidamente. Saul Tenser é um artista mundialmente amado que abraçou esse novo estado de ser, resultando em alterações no seu corpo, como novos orgãos. Junto com Caprice, Tenser transformou a remoção desses órgãos em um espetáculo para seus fiéis seguidores se maravilharem no teatro em tempo real. Com uma subcultura e uma sociedade obcecada pelo artista, Timlin, uma investigadora do National Organ Registry, rastreia cautelosamente seus movimentos, e deseja usar a notoriedade de Saul para espalhar para o mundo as consequências desse experimento.

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Sobre o Filme:

Segundo os próprios personagens, neste filme, “Cirúrgia é o novo sexo”, ou seja, eles sentem prazer em se cortar e assistir a retirada dos órgãos, fazem disso um espetáculo. No longa, a estranheza está presente desde o primeiro frame.

O filme conta com uma boa trilha sonora e linguagem visual, onde traz tons vermelhos bem fortes, e um estilo mais escuro em sua cinematografia. A linguagem de câmera usada por Cronenberg é bem minuciosa, utilizando takes mais longos e abertos, para que o espectador possa sentir ainda mais agonia ao presenciar as cenas de horror, o que combina com toda a proposta da produção.

Porém, não é isso que faz Crimes Of The Future cativar, ou até mesmo atingir o seu propósito de deixar o espectador incomodado, na verdade, o que incomoda é a falta de desenvolvimento e amadurecimento da própria ideia de Cronenberg e de seus personagens. 

O roteiro é escrito sem nenhuma preocupação em explorar de fato o que se passa na cabeça do diretor e em nos apresentar um propósito para aquela história acontecer, o que acaba deixando o filme sem ritmo algum, fazendo com o que o espectador não se importe com a trama que está sendo contada, e o longa se perca no vale do tédio.

Cronenberg somente joga cenas horrorosas na nossa cara, sem antes nos introduzir direito a ideia principal, ou desenvolver qual é o real propósito de Saul Tenser, o que ele de fato busca com inúmeras cirúrgias, além do prazer. As ideias são tão bagunçadas e sem ordem, que prejudica o final do longa, o tornando sem sentido, assim como todo o resto dele.

As atuações de Viggo Mortensen e Léa Seydoux, convencem em boa parte do tempo, mas Kristen Stewart decepciona, tanto em atuação, quanto em sua própria personagem, que é vendida como se fosse relevante para a trama, mas fica de escanteio em 90% da produção.

Conclusão:

Por fim, David Cronenberg tenta nos entregar um terror psicológico, com várias cenas sangrentas para causar desconforto em quem assiste, mas acaba entregando um filme entediante, sem ritmo, sem propósito e sem sentido, pela falta de um bom desenvolvimento em seu roteiro.

Nota: