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Ciência Geek | O Flash morreria no primeiro segundo de corrida?

Todo fã de super-heróis já sonhou com isso. Nada de voar, nem de ficar invisível, muito menos conversar com peixes.

A verdadeira fantasia universal é correr tão rápido quanto o Flash.

Chegar ao trabalho em segundos. Nunca mais pegar trânsito. Maratonar uma série inteira e ainda voltar antes do intervalo comercial.

Parece perfeito.

O problema é que a física discorda.

E a física costuma ser aquele amigo chato que aparece na festa só para estragar a diversão.

Ao longo das décadas, os quadrinhos da DC Comics encontraram soluções criativas para diversos problemas do velocista escarlate. As roupas passaram a ser feitas de materiais especiais capazes de resistir às velocidades absurdas do herói. Em algumas versões, o uniforme até fica guardado dentro de um anel tecnológico.

Mas existe uma pergunta que continua assombrando cientistas, fãs e qualquer pessoa que já prestou atenção nas aulas de Física: as roupas podem sobreviver, mas o corpo do Flash sobreviveria?

Spoiler: as roupas são o menor dos problemas.

A primeira corrida terminaria em churrasco humano

Pois é… O atrito não perdoa ninguém. Imagine colocar a mão para fora da janela do carro em uma estrada.

Agora imagine fazer isso a centenas, milhares ou até milhões de quilômetros por hora. O ar parece invisível, mas ele não é um fantasma. Ele possui massa.

Dessa forma, quando um objeto se move em alta velocidade, ele precisa literalmente empurrar o ar para abrir caminho.

Quanto maior a velocidade, maior a resistência. E maior a resistência significa mais calor…. Muito calor.

Em velocidades extremas, o atrito com a atmosfera poderia aquecer o corpo a temperaturas capazes de causar queimaduras severas em poucos instantes.

Em resumo? Antes de salvar qualquer cidade, Barry Allen provavelmente se transformaria na versão humana de um meteorito entrando na atmosfera terrestre.

O verdadeiro inimigo atende pelo nome de força G

Seu cérebro não foi projetado para isso. Vamos supor que o problema do calor fosse magicamente resolvido.

Ainda restaria outro pequeno detalhe: a aceleração.

Quando o Flash sai do repouso e alcança velocidades absurdas quase instantaneamente, seu corpo sofre forças gigantescas.

Pilotos de caça treinam durante anos para suportar forças G elevadas. Mesmo assim, podem perder a consciência.

Agora imagine acelerar de zero para centenas ou milhares de quilômetros por hora em questão de segundos. Pois é, os órgãos internos não gostam muito dessa ideia.

Nem o coração, os pulmões ou o cérebro.

Na prática, uma aceleração desse nível poderia causar desmaios, lesões graves e danos internos antes mesmo de a corrida começar.

O mosquito mais perigoso do planeta

Existe um problema tão absurdo que quase ninguém pensa nele. O que acontece quando você atinge algo enquanto corre?

Se um pequeno inseto já faz estrago no para-brisa de um carro, imagine colidir com um mosquito viajando a velocidades próximas às do Flash.

Em velocidades extremas, até partículas minúsculas poderiam funcionar como projéteis.

Insetos. Grãos de areia. Gotas de chuva… Tudo passaria a representar um perigo gigantesco.

A física tem um talento especial para transformar coisas inofensivas em armas de destruição em massa.

O café da manhã de um velocista custaria uma fortuna

Outra questão frequentemente ignorada é a energia. Movimentar um corpo exige combustível.

Agora, movimentar um corpo em velocidades absurdas exige uma quantidade absurda de combustível.

Na vida real, um ser humano precisaria consumir quantidades praticamente impossíveis de energia para sustentar algo parecido com as corridas do Flash.

Estamos falando de números tão gigantescos que algumas estimativas científicas sugerem valores equivalentes a milhares e milhares de calorias em períodos extremamente curtos.

Traduzindo: Barry Allen provavelmente passaria mais tempo comendo do que combatendo o crime.

Os roteiristas perceberam o problema

Os primeiros quadrinhos do Flash enfrentavam uma questão curiosa: suas roupas simplesmente não acompanhavam sua velocidade.

O resultado era previsível: tecidos rasgados, queimados ou completamente destruídos após as corridas.

Com o tempo, a DC Comics resolveu o problema criando uniformes especiais feitos de materiais avançados capazes de resistir aos efeitos da supervelocidade. Foi uma solução inteligente.

Contudo, ela resolve apenas uma pequena parte da equação.

Porque mesmo com uma roupa perfeita, o calor, a aceleração, as colisões e o consumo energético continuam sendo problemas gigantescos.

Então por que o Flash funciona?

A resposta atende pelo nome de Força de Aceleração.

A própria DC percebeu que a física tradicional jamais explicaria completamente os poderes do personagem.

Por isso surgiu um dos conceitos mais famosos dos quadrinhos:a Força de Aceleração.

Trata-se de uma energia extradimensional que envolve os velocistas e ajuda a protegê-los dos efeitos devastadores da velocidade.

Ela explica por que o Flash:

  • não pega fogo
  • não explode ao acelerar
  • não destrói os próprios órgãos
  • não vira uma mancha vermelha ao bater em um mosquito

É basicamente a licença médica oficial dos quadrinhos.

E honestamente? Talvez seja a melhor solução possível.

O homem mais rápido do mundo perderia para a Física

O Flash continua sendo um dos personagens mais incríveis da cultura pop. Mas quando colocamos a ciência na pista de corrida, as coisas ficam complicadas rapidamente.

O atrito queimaria seu corpo; a aceleração destruiria seus órgãos; o consumo energético seria absurdo e até uma simples gota de chuva poderia virar um projétil mortal.

No fim das contas, existe um motivo para os quadrinhos terem criado a Força de Aceleração.

Porque sem ela, Barry Allen não seria o homem mais rápido do mundo, seria apenas o homem que descobriu, da forma mais dolorosa possível, que a física sempre cobra a conta.

 

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