Teoria Geek

Ciência Geek | Especial Dia das Mães: mamães dentro da ciência que criaram o futuro nerd

Nem toda heroína usa capa. Algumas usavam jaleco, calculadora… e ainda precisavam cuidar dos filhos.

Todo universo geek adora falar sobre gênios: Tony Stark, Bruce Banner, Doutor Octopus, Rick Sanchez… Cientistas malucos, inventores brilhantes e pessoas capazes de mudar o mundo com uma ideia.

Mas a vida real já teve mulheres que fizeram exatamente isso, e sem precisar de armadura tecnológica ou laboratório secreto escondido em vulcão.

Por isso, neste Dia das Mães, o Ciência Geek resolveu olhar para algumas cientistas que não apenas revolucionaram áreas inteiras da ciência… mas também ajudaram, direta ou indiretamente, a construir o universo nerd que conhecemos hoje.

Porque antes dos multiversos, das viagens espaciais e das inteligências artificiais, alguém precisou descobrir como tudo isso funcionava primeiro.

E muitas dessas pessoas eram mães.

Marie Curie: a mãe da radiação (e de metade da ficção científica moderna)

Nascida em 1867, na Polônia, Marie Curie enfrentou um cenário que já parecia roteiro de filme difícil: mulheres tinham acesso extremamente limitado à educação científica.

Ela se mudou para Paris, estudou na Sorbonne e se tornou uma das cientistas mais importantes da história.

E sim, ela também era mãe. Marie teve duas filhas enquanto construía uma carreira praticamente impossível para mulheres da época. Entre pesquisas, preconceitos acadêmicos e maternidade, ainda encontrou tempo para revolucionar a física e a química.

Além disso, Marie Curie entrou para a história como a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e a primeira pessoa a conquistar dois Nobels em áreas científicas diferentes (Física e Química).

Tudo isso em uma época em que mulheres mal eram aceitas dentro dos grandes círculos científicos. Em outras palavras: enquanto o mundo tentava limitar mulheres à vida doméstica, Marie estava literalmente redefinindo a ciência moderna.

Foi ela quem ajudou a desenvolver os estudos sobre radioatividade, termo que a própria cientista ajudou a popularizar. E aqui entra o lado geek da coisa: sem os estudos sobre radiação, dificilmente existiriam:

  • Hulk
  • Godzilla
  • mutações radioativas clássicas
  • metade das origens de super-heróis dos quadrinhos

Dessa forma, a cultura pop inteira bebeu dessa ideia de “energia invisível capaz de transformar tudo”. A diferença é que, na vida real… radiação dá mais problema do que superpoder.

Ada Lovelace: a mãe da programação antes dos computadores existirem

Décadas antes de existir notebook, Wi-Fi ou alguém reclamar da atualização do Windows, Ada Lovelace já pensava em máquinas capazes de executar instruções complexas.

Filha do poeta Lord Byron, Ada nasceu em 1815 e cresceu em um ambiente intelectual intenso. Ela se casou, teve três filhos e conciliou maternidade com estudos matemáticos em uma época em que mulheres raramente eram levadas a sério na ciência.

Ao trabalhar ao lado do matemático Charles Babbage (responsável pelo projeto de uma máquina mecânica capaz de realizar cálculos automaticamente, considerada uma espécie de “avô dos computadores”), Ada começou a enxergar algo revolucionário: máquinas poderiam seguir instruções e executar tarefas complexas.

Em outras palavras? Ela ajudou a plantar as bases da programação moderna. Sem ideias como as de Ada Lovelace, talvez não existissem:

  • inteligência artificial
  • games
  • cyberpunk
  • Matrix
  • computadores modernos

Basicamente, o universo geek inteiro roda em cima de conceitos que começaram com ela.

Katherine Johnson: a mãe dos cálculos que levaram humanos ao espaço

Se hoje filmes como Interestelar parecem plausíveis, parte disso passa por mulheres como Katherine Johnson.

Nascida em 1918, na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos, ela cresceu em uma época em que mulheres negras enfrentavam barreiras praticamente em todos os espaços acadêmicos e científicos. Ela também era mãe de três filhas e conciliava a vida familiar com um trabalho que ajudaria a definir a corrida espacial.

Desde cedo, demonstrou talento extraordinário para matemática, algo que acabaria levando seu nome para dentro da NASA e, mais tarde, para a história da exploração espacial.

Dessa forma, ajudou a calcular trajetórias orbitais fundamentais para missões espaciais históricas. E tudo isso enquanto enfrentava racismo, segregação e machismo institucional.

Além disso, os cálculos de Katherine foram tão precisos que astronautas confiavam pessoalmente em suas verificações matemáticas.

Em resumo, ela ajudou humanos a chegarem ao espaço sem virar poeira cósmica no caminho.

Hedy Lamarr: a mãe e estrela de Hollywood que ajudou a criar o Wi-Fi

Nascida em 1914, em Viena, na Áustria, Hedy Lamarrcresceu em uma família judaica e demonstrava curiosidade por engenharia e funcionamento de máquinas desde jovem.

No entanto, o mundo decidiu enxergá-la primeiro como símbolo de beleza. Hedy iniciou sua carreira artística ainda na Europa e rapidamente chamou atenção por sua aparência e presença de tela. Dessa forma, migrou depois para Hollywood, onde se tornou uma das atrizes mais famosas das décadas de 1930 e 1940.

E aí começou um dos maiores paradoxos da cultura pop: enquanto Hollywood a vendia como “a mulher mais bonita do mundo”, pouca gente levava sua inteligência a sério.

A sexualização de sua imagem acabou ofuscando durante anos o fato de que Hedy também era inventora.

Ela se casou diversas vezes ao longo da vida, teve três filhos e precisou equilibrar maternidade, carreira artística e interesses científicos em uma indústria que mal aceitava mulheres como protagonistas, quanto mais como mentes tecnológicas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ao lado do compositor George Antheil, Hedy ajudou a desenvolver um sistema de comunicação por salto de frequência, criado originalmente para dificultar a interceptação de torpedos militares.

Décadas depois, o princípio dessa tecnologia ajudaria no desenvolvimento de Wi-Fi, Bluetooth e GPS.

Sim. Uma estrela da era de ouro de Hollywood ajudou, indiretamente, a construir a base tecnológica do mundo conectado de hoje.

E aqui entra o lado mais geek da história: praticamente toda ficção cyberpunk, IA futurista, jogos online e universo hiperconectado depende de tecnologias derivadas de conceitos como os dela.

No fim das contas, Hedy Lamarr acabou provando algo que a própria indústria demorou a entender: genialidade e glamour nunca foram opostos.

O futuro nerd também tem nome de mãe

No fim das contas, o universo geek adora imaginar cientistas capazes de mudar o mundo.

Mas muitas das mulheres que realmente fizeram isso criaram filhos, enfrentaram preconceitos, trabalharam em ambientes hostis e e ainda encontraram espaço para revolucionar a humanidade.

Por isso, sem elas talvez não existissem viagens espaciais modernas, talvez a computação fosse diferente, a genética demorasse décadas a avançar ou o próprio conceito de ficção científica fosse outro.

Então, neste Dia das Mães, fica a lembrança:

  • antes dos super-heróis, vieram as cientistas;
  • antes das naves espaciais, vieram os cálculos;
  • antes da inteligência artificial, vieram as ideias…

E muitas dessas ideias nasceram de mulheres que, além de brilhantes, também eram mães.

 

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